Alberto Garzón atribui as críticas à aspiração de Díaz à OIT à luta cainita na esquerda

Garzón defende a candidatura de Yolanda Díaz para dirigir a OIT e atribui as críticas internas a uma luta cainita na esquerda espanhola.

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O ex-ministro do Consumo Alberto Garzón sustentou que as objeções surgidas em torno da candidatura da vice-presidente segunda, Yolanda Díaz, para liderar a Organização Internacional do Trabalho (OIT) dentro de certos âmbitos progressistas "só se entendem a partir da infantil luta cainita nas margens da esquerda espanhola".

Dessa forma, pronunciou-se nas redes sociais, onde saiu em defesa de que a titular do Trabalho aspire a liderar este organismo da ONU, frente a críticas que qualificou de "insustentáveis tanto da esquerda quanto da direita que convém colocar em preto sobre branco".

O PP atacou o Executivo e a própria Díaz por esta postulação, enquanto a secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, apontou que esta candidatura resumiu a trajetória da ministra do Trabalho e que nenhum dirigente de seu partido é recompensado "com um grande cargo". Por sua vez, o ex-vice-presidente e ex-líder do Podemos afirmou que Díaz iria se tornar a "filiada do CCOO melhor paga da história".

Garzón defendeu que a proposta de Yolanda Díaz para a OIT "não teria sido possível sem as políticas laborais" que desde Unidas Podemos e Sumar têm impulsionado e celebrado durante os últimos seis anos, entre as quais destacou especialmente os aumentos do salário mínimo.

Por isso, concluiu que "renunciar a esse legado desde a esquerda é incoerente, mas também uma grande tolice". "Só se entende a partir da infantil luta cainita nas margens da esquerda espanhola", insistiu.

O ex-ministro e antigo coordenador da IU sublinhou igualmente que o "papel da OIT é importante na economia mundial" e que esta organização atuou historicamente "como contrapeso de instituições como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, que têm sido instrumentos para "impor políticas neoliberais em todo o mundo".

"É desnecessário dizer que Trump a considera um instrumento 'woke' que promove políticas de esquerda, e que busca neutralizá-la influenciando nas nomeações e arrasando-a financeiramente", rematou.

Garzón lamenta que se menospreze a OIT

Nesta linha, Garzón expôs que uma OIT "forte e dirigida por perfis comprometidos com políticas redistributivas, crescimento salarial" e a "luta contra a pobreza" seria "algo especialmente valioso para a classe trabalhadora" e, em particular, para os países em desenvolvimento. "Não querer ver isso por filias pessoais é realmente triste", advertiu.

Além disso, avisou que "subestimar" a relevância da OIT responde a olhares "bem eurocêntricos, bem negadores do papel crucial que desempenha o conflito capital-trabalho" na realidade atual.

"Nenhum economista heterodoxo nem representante sindical nem trabalhador/a do sul global teria se atrevido a dizer loucuras tão grandes como as que estou lendo estes dias por aqui. Quando se fala desde o privilégio (e o rancor) costuma-se passar por alto o mais elemental", concluiu, para expressar seu desejo de que a candidatura de Díaz prospere, embora reconheça que o cenário é complexo pelo poder que ostenta Donald Trump neste momento.

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