Ampliação | O PP impulsionará no Senado a reprovação de cinco ministros pela sua gestão da crise em Ceuta

O PP usará sua maioria no Senado para reprovar cinco ministros pela crise de Ceuta e estuda ações legais e investigação parlamentar.

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A porta-voz do PP no Senado, Alicia García, adiantou esta quarta-feira que o seu partido aproveitará a maioria absoluta da qual dispõe na Câmara Alta para promover a reprovação de cinco membros do Governo pela sua atuação na crise migratória de Ceuta: Fernando Grande-Marlaska (Interior), José Manuel Albares (Exteriores), Margarita Robles (Defesa), Mónica García (Saúde) e Ana Redondo (Igualdade).

"Se eles não saírem, o PP dirá por eles", proclamou Alicia García em uma coletiva de imprensa no Senado, onde adiantou que a votação para censurar estes cinco ministros será incluída na primeira Sessão Plenária de setembro.

A dirigente 'popular' explicou que a nova reprovação de Marlaska no Senado se deve ao fato de que, em sua opinião, ele foi o responsável "por deixar a fronteira de Ceuta sem reforço apesar dos avisos do que ia acontecer".

No que diz respeito a Albares, os populares sustentam que os cidadãos "continuam sem saber qual foi o papel de Marrocos", enquanto que no caso de Robles a censura se deve ao fato de que primeiro mostrou sua disposição de comparecer ao Senado em agosto e posteriormente rejeitou comparecer.

Quanto à ministra da Saúde, os 'populares' reprovarão Mónica García "pelo colapso da saúde que ela mesma gerencia e por não reforçá-la quando era necessário".

Neste ponto, Alicia García acusou a titular da Saúde de demorar 17 dias para se deslocar à cidade autônoma e de negar depois que tivesse ocorrido um "colapso sanitário", apesar dos avisos formulados pelos próprios profissionais da saúde.

"A Ceuta faltam meios, faltam profissionais de saúde e falta um Governo", rematou a porta-voz 'popular'.

Em relação a Ana Redondo, o PP promoverá também sua reprovação e exigirá sua demissão porque, segundo García, a responsável pela Igualdade "não pisou Ceuta nem um único dia" durante a crise. "E isso que as agressões sexuais se multiplicaram por oito", criticou.

Segundo a porta-voz, este pacote de cinco reprovações constitui a resposta do PP ao "desplante" do Executivo ao Senado e à negativa reiterada dos ministros em comparecer à Câmara Alta para prestar contas sobre o que aconteceu em Ceuta.

"Três ministros, três cadeiras vazias"

A senadora do PP atacou de forma especial contra a decisão de Grande-Marlaska, Albares e Robles de não comparecer às sessões para as quais estavam convocados no Senado e insistiu em acusar o Executivo de desenhar "um calendário paralelo" no Congresso com o fim de contornar a maioria absoluta do PP na Câmara Alta.

"Três ministros, três cadeiras vazias", resumiu a porta-voz, que acusou esses três membros do Governo de se situarem em "rebeldia democrática" e de se negarem a dar explicações "por Ceuta, pelos espanhóis e por Espanha".

Além disso, a representante 'popular' sublinhou que não se trata de "um convite" nem de "uma cortesia", mas de uma exigência derivada do controle parlamentar. "O Governo não pode escolher literalmente que Câmara o controla, quando comparece, nem em que condições o faz", concluiu.

Ceuta, "quatro crises" simultâneas

Nesse contexto, a porta-voz do PP elevou o tom contra a gestão do Executivo na cidade autônoma, assegurando que Ceuta enfrenta de maneira simultânea uma crise "migratória, de saúde pública, de ordem pública e de segurança".

García qualificou o que aconteceu como uma "ocupação premeditada" do território nacional e censurou que o Governo, apesar dos alertas prévios e das advertências do presidente de Ceuta, Juan Vivas, não adotasse as decisões necessárias para reforçar o perímetro fronteiriço.

"Ceuta é Espanha, Ceuta é a fronteira da Espanha, a fronteira sul da Espanha e a fronteira sul da Europa", defendeu, antes de advertir que "uma fronteira que não se defende não é uma fronteira, é uma porta aberta de par em par".

Ofensiva judicial e possíveis investigações

Além das reprovações políticas, Alicia García reiterou que seu grupo está analisando a possibilidade de iniciar ações legais para apurar responsabilidades pela atuação do Governo durante a crise de Ceuta e pela negativa de vários ministros a comparecer ao Senado.

"Todos os instrumentos que estiverem ao nosso alcance para dirimir responsabilidades pelo que ocorreu em Ceuta e pela omissão de funções do Governo", assinalou, precisando que as medidas concretas serão divulgadas "quando for oportuno".

Da mesma forma, a porta-voz 'popular' não fechou a porta à criação de uma comissão de investigação específica sobre o que aconteceu na cidade autônoma, embora tenha matizado que, por enquanto, essa opção não figura formalmente na agenda do grupo parlamentar.

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