O vice-presidente do Junts, Antoni Castellà, assegurou que, na conjuntura política atual, não contempla um entendimento com o PP. Segundo ele, "Se pudesse nos meteria a todos na prisão".
Em uma entrevista concedida ao 'La Vanguardia' e divulgada pela Europa Press neste domingo, sublinhou que, para que o Junts considerasse um pacto com os populares, "deveriam fazer uma virada copernicana na sua percepção sobre o fato nacional catalão e o que aconteceu estes anos".
Ao mesmo tempo, deixou claro que essa negativa a pactuar com o PP não implica um apoio ao atual Executivo central: "Isso não se contradiz com o fato de que pensamos que o Governo de Sánchez está esgotado", advertiu, marcando distâncias com o PSOE.
Retorno de Puigdemont e relação com o PP
Quanto a um eventual retorno à Catalunya do ex-presidente da Generalitat e líder do Junts, Carles Puigdemont, e sobre se esse fato poderia alterar a relação com o PP, Castellà levantou que a questão chave é se esse retorno modificaria a postura dos populares. "Sou cético", afirmou.
Além disso, ao ser questionado sobre as declarações do ministro dos Transportes, que instou Puigdemont a retornar à Espanha, o dirigente do Junts qualificou essa atitude de cinismo e replicou que "O PSOE já tem bastante trabalho com seus escândalos como para ficar opinando".
Castellà defendeu o papel central de Puigdemont no futuro do catalanismo, ao afirmar que "Puigdemont é quem deve marcar a linha de para onde deve ir o catalanismo nos próximos dez anos. De todo esse ciclo deve haver um segundo passo e esse é o debate que temos. Puigdemont pode liderar isso".
Em relação à decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) sobre a anistia, sustentou que "reafirma que a estratégia estava boa", interpretando o pronunciamento como um aval ao rumo seguido pelo Junts nesta matéria.
Modelo de financiamento e novo decreto de habitação
Ao abordar o debate sobre o modelo de financiamento autonômico, Castellà detalhou que a proposta de reforma "simplifica e é mais ágil" em seu funcionamento, mas "não modifica o resultado final". Por esse motivo, adiantou que o Junts registrará uma emenda à totalidade, uma vez que sua formação continua defendendo a implantação de um concerto econômico para Catalunya.
No que ao novo decreto de habitação aprovado no Congresso, o dirigente do Junts considerou que as medidas contempladas continuam sendo insuficientes para conseguir seu apoio parlamentar e destacou que "de momento, o que há não é suficiente para aprová-lo".