O presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, certificou nesta terça-feira o fim político da legislatura e assegurou que Pedro Sánchez enfrenta "o seu último verão" à frente do Governo. Em um balanço dos três anos decorridos desde as eleições gerais de 23 de julho de 2023, o líder da oposição desenhou um Executivo "esgotado", "bloqueado" e sem legitimidade política para continuar governando.
"A Espanha não está melhor do que há três anos", afirmou Feijóo, que resumiu este período em uma sucessão de "escândalos, propinas, prisão e promessas não cumpridas". A seu ver, não se trata de "uma má fase", mas do resultado de "oito anos de deterioração progressiva" das instituições.
O presidente do PP sustentou que o Governo perdeu os três pilares que, a seu ver, sustentam qualquer Executivo: o apoio cidadão, a maioria parlamentar e a autoridade moral.
No plano político, assegurou que as sucessivas vitórias eleitorais do PP frente às derrotas do PSOE demonstram que "as pessoas não querem este Governo". Além disso, acusou Sánchez de se manter em La Moncloa apesar de ter perdido a capacidade de aprovar orçamentos, de eludir o controle parlamentar e de ignorar mais de 150 solicitações de comparecimento. Também recriminou que durante toda a legislatura não tenha sido realizado um Debate sobre o Estado da Nação e que dezenas de iniciativas legislativas do Partido Popular permaneçam bloqueadas no Congresso.
"A única saída é convocar eleições", sentenciou Feijóo, convencido de que tanto "as urnas quanto as Cortes querem uma nova etapa política".
"Não quero herdar escombros"
Frente a esse diagnóstico, o líder popular quis apresentar o PP como a alternativa para iniciar uma "reconstrução nacional". "Não quero herdar escombros; quero administrar o país e fazê-lo avançar, que é o que os espanhóis merecem", afirmou.
Feijóo articulou essa alternativa sobre três grandes eixos: recuperar a decência institucional, voltar a um Governo que gerencie os problemas reais e fazer com que "trabalhar valha a pena".
Em matéria institucional, acusou o Executivo de ter estendido uma "corrupção sistêmica" que, segundo ele, afeta diferentes organismos do Estado. Nesse contexto, citou as investigações judiciais que afetam o entorno do Governo e também direcionou suas críticas ao ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, a quem vinculou com diferentes episódios que, segundo disse, deverão esclarecer os tribunais.
Ainda assim, insistiu que será a Justiça quem determinará as responsabilidades. "Aceito sempre as decisões dos juízes", assinalou ao ser questionado sobre as diferentes causas abertas, diferenciando a posição do PP da atitude que, em sua opinião, mantém o Executivo frente às resoluções judiciais.
"A mudança está mais perto"
Durante a rodada de perguntas, Feijóo também reivindicou a força eleitoral do Partido Popular apesar do contexto político.
"Votar hoje no Partido Popular é um ato de coragem", afirmou, convencido de que sua formação mantém a liderança "apesar de todo o aparato do Estado e da demagogia".
Nesse sentido, minimizou a importância das sondagens e assegurou que as pesquisas colocam o PP entre 30 e 40 assentos à frente do PSOE.
"Vi as pesquisas e não me vi preocupado. Não está mal", ironizou, antes de lembrar que o PP é atualmente a delegação mais numerosa do Partido Popular Europeu e a que obteve a maior porcentagem de votos nas últimas eleições europeias.
Feijóo concluiu sua intervenção assegurando que seu partido está preparado para governar e que a contagem regressiva para a mudança política já começou. "Faltam apenas meses. A mudança está mais perto", afirmou.