Sánchez pede agora um pacto de Estado contra os incêndios após quatro anos sem reforçar os meios

A falta de Orçamentos, uma frota aérea praticamente inalterada desde 2022 e dois hidroaviões bloqueados em Salamanca reabrem o debate sobre a distância entre o planejamento do Governo e sua execução

5 minutos

EuropaPress 7689141 presidente gobierno pedro sanchez interviene clausura presentacion red

EuropaPress 7689141 presidente gobierno pedro sanchez interviene clausura presentacion red

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Por María Alhambra

Publicado

Última atualização

5 minutos

Mais lido

Pedro Sánchez voltou a colocar sobre a mesa a necessidade de alcançar um pacto de Estado contra os incêndios florestais. Ele faz isso depois de uma das semanas mais difíceis do verão, com grandes incêndios ativos, milhares de hectares calcinados, centenas de pessoas desalojadas e a Espanha recorrendo ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil para reforçar suas capacidades. A mensagem do presidente é clara: os incêndios já não são episódios excepcionais, mas uma consequência cada vez mais frequente de um cenário climático que exige uma resposta conjunta e coordenada de todas as administrações. (((Siga aqui o direto dos incêndios)))

Poucas forças políticas discutem esse diagnóstico. A mudança climática está prolongando as campanhas de alto risco, elevando as temperaturas e favorecendo incêndios de comportamento cada vez mais extremo. A questão que agora centra o debate político não é tanto o que está ocorrendo, mas o que o Governo fez nos últimos quatro anos para preparar o Estado frente a essa nova realidade.

O que o Governo fez até agora?

Desde o verão de 2022, quando a Espanha sofreu uma das piores campanhas de incêndios das últimas décadas, o Executivo tem desplegado uma intensa atividade normativa. Aprovou um real decreto para endurecer as obrigações de prevenção, impulsionou modificações nos protocolos de atuação, atualizou a Diretriz Básica de Proteção Civil frente a incêndios florestais e tem insistido campanha após campanha na necessidade de melhorar a coordenação entre administrações, a Unidade Militar de Emergências (UME), as Brigadas de Reforço em Incêndios Florestais (BRIF) e o resto dos organismos implicados. O Governo construiu assim um discurso baseado na prevenção, na coordenação institucional e na adaptação à mudança climática.

No entanto, a principal crítica que formulam a oposição e numerosos profissionais do setor não se dirige a esse planejamento estratégico, mas ao fato de que a planejamento não veio acompanhada de um reforço material equivalente. Em outras palavras, sustentam que o Governo legislou mais do que investiu.

O contraste resulta especialmente evidente quando se analisam os recursos aéreos. Em 2022, o Executivo anunciou que reforçaria a capacidade do Estado para combater os grandes incêndios e que avançaria na modernização dos meios de extinção. Quatro anos depois, a capacidade aérea continua praticamente nos mesmos termos e o Governo não apresentou um programa público com objetivos verificáveis que permita conhecer quantos hidroaviões se incorporarão, qual será o calendário de renovação da frota ou que incremento de recursos humanos e materiais está previsto para os próximos exercícios.

Dois hidroaviões anfíbios à espera da permissão

A diferença entre o planejamento e a execução encontra estes dias uma imagem especialmente simbólica na base aérea de Matacán, em Salamanca. Ali permanecem estacionados dois hidroaviões anfíbios de fabricação americana que poderiam reforçar o dispositivo nacional em plena campanha de incêndios, mas que continuam sem poder entrar em serviço porque os trâmites administrativos e de certificação ainda não foram concluídos. Enquanto a Espanha solicita apoio europeu e aeronaves de outros países colaboram na extinção de grandes incêndios, dois aparelhos preparados para operar permanecem imobilizados por questões burocráticas.

Esse episódio alimentou uma crítica que vai além do caso concreto. Porque o debate não gira unicamente em torno desses dois hidroaviões, mas sobre a capacidade do Estado para converter os anúncios políticos em recursos operacionais. Em uma emergência dessas características, cada aeronave disponível pode marcar a diferença entre conter um incêndio em suas primeiras horas ou permitir que o fogo alcance dimensões muito mais difíceis de controlar.

A isso se soma um segundo elemento que condiciona qualquer política pública de longo alcance: a ausência de um Orçamento Geral do Estado. A luta contra os incêndios não se reforça unicamente por meio de normas ou protocolos. Requer investimentos plurianuais para adquirir aeronaves, renovar as existentes, ampliar as brigadas florestais, melhorar as bases aéreas, modernizar os sistemas de vigilância e financiar uma gestão florestal preventiva que reduza a carga de combustível nas florestas. Sem novas contas públicas, essas atuações ficam inevitavelmente limitadas ou adiadas.

Marcos normativos sem recursos

Esse é precisamente o ponto onde a oposição concentra boa parte de suas críticas. Considera que o Governo priorizou a elaboração de marcos normativos e a apresentação anual de campanhas institucionais, mas não acompanhou esse esforço com um plano de investimentos que permita avaliar objetivamente se a Espanha dispõe hoje de mais meios do que há quatro anos. A eficácia de uma política pública, sustentam, não se mede unicamente pelo número de reais decretos aprovados, mas pela capacidade real do dispositivo quando o incêndio já está declarado.

O Partido Popular lembra, além disso, que no ano passado registrou uma proposta para impulsionar um plano nacional de prevenção e extinção de incêndios, iniciativa que, segundo denuncia, nem sequer chegou a ser debatida. Agora, após o apelo de Pedro Sánchez a um pacto de Estado, os populares sustentam que o consenso deveria começar por executar os investimentos pendentes e reforçar os recursos materiais antes de abrir um novo marco de diálogo político.

Hoje, o debate transcende a confrontação partidária e levanta uma questão de gestão pública. A Espanha dispõe de técnicos altamente especializados, brigadas com ampla experiência e um dos sistemas de coordenação mais avançados da Europa. Mas quando as condições meteorológicas transformam um incêndio em uma emergência nacional, a capacidade de resposta depende, em última instância, de dispor de suficientes aeronaves, pessoal e meios desplegados sobre o terreno. Os protocolos ordenam a atuação; os orçamentos a tornam possível. E essa diferença é a que hoje explica boa parte da controvérsia política em torno da gestão do Governo frente aos incêndios florestais.

Somar coloca o foco na gestão das comunidades autônomas

Entretanto, e frente às críticas da oposição ao Governo, sustenta que boa parte da responsabilidade na prevenção e extinção dos incêndios corresponde às comunidades autônomas, que são as administrações competentes em matéria de gestão florestal e dos serviços de extinção.

A formação defende que o aumento dos grandes incêndios está intimamente ligado às mudanças climáticas e reclama reforçar as políticas de prevenção durante todo o ano, especialmente a gestão dos montes, a limpeza da massa florestal e a manutenção das zonas de interface urbano-florestal. Na sua opinião, o debate não pode se limitar ao número de hidroaviões ou de meios aéreos disponíveis, mas deve também se centrar em evitar que os incêndios alcancem dimensões incontroláveis.

Desde Sumar também se insiste que o Estado já presta apoio através da Unidade Militar de Emergências (UME), das Brigadas de Reforço em Incêndios Florestais (BRIF) e dos meios aéreos de titularidade estatal, mas lembram que o planejamento preventivo e a primeira resposta frente aos incêndios recaem, na maioria dos casos, sobre as comunidades autônomas.

No entanto, a oposição replica que essa distribuição competencial não isenta o Executivo de reforçar os recursos estatais nem de cumprir os compromissos adquiridos para modernizar a frota aérea e melhorar a capacidade operacional do dispositivo nacional frente a grandes emergências.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?