O Defensor do Povo encaminha o reconhecimento de 149 vítimas de abusos sexuais na Igreja

A unidade criada após o acordo entre o Estado e a Igreja tramita 450 processos, mantém cerca de 300 casos em estudo e inadmitiu quatro solicitações desde a entrada em vigor do protocolo de reparação.

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A Unidade de Vítimas do Defensor do Povo colocou na fase final de tramitação 149 dos 450 processos abertos por abusos sexuais cometidos no âmbito da Igreja católica. Nestes casos, o organismo finaliza o reconhecimento da condição de vítima e a proposta de reparação correspondente.

Trata-se do primeiro balanço desde a entrada em vigor, no passado 15 de abril, do protocolo acordado entre o Estado e a Igreja para atender aqueles que não podem recorrer aos tribunais porque os fatos prescreveram ou porque o suposto agressor faleceu.

Os cerca de 300 processos restantes continuam em distintas fases de análise, enquanto quatro solicitações foram inadmitidas ao considerar que não se enquadravam no âmbito de atuação estabelecido pelo protocolo.

Um mecanismo para os casos sem percurso judicial

O procedimento foi desenhado para oferecer uma via de reconhecimento e reparação às vítimas cujos casos já não podem ser substanciados penalmente. Também permite que aqueles que não desejam utilizar os escritórios habilitados pela própria Igreja através do Plano de Reparação Integral a Vítimas de Abuso (PRIVA) acessem este sistema.

Até o final do ano passado, esse programa eclesial havia indenizado 39 vítimas, com quantias que em alguns casos alcançaram os 100.000 euros.

Desde abril, as solicitações são remetidas pela Unidade de Tramitação do Ministério da Presidência, Justiça e Relações com as Cortes à equipe do Defensor do Povo, encarregada de estudar cada processo e ouvir as partes envolvidas.

Mais de uma centena de entrevistas personalizadas

Até o 31 de julho, a Unidade de Vítimas havia mantido entrevistas individuais com mais de uma centena de pessoas. O procedimento estabelece um prazo máximo de três meses para emitir uma avaliação favorável ou negar a solicitação.

Esse período pode ser ampliado em um mês quando houver um volume extraordinário de processos ou quando a complexidade do caso exigir mais tempo para sua análise.

A equipe é composta por profissionais independentes especializados em vitimologia, psicologia, criminologia e distintas disciplinas jurídicas, com o objetivo de oferecer um tratamento individualizado a cada vítima.

Reparação econômica, simbólica e restaurativa

O protocolo contempla diferentes formas de reparação. Estas podem ser simbólicas ou restaurativas, mediante o reconhecimento institucional, o pedido de desculpas ou o acompanhamento profissional, mas também econômicas.

As indenizações podem atender tanto ao dano causado quanto aos gastos derivados do tratamento das sequelas físicas ou psicológicas. O acordo não fixa quantidades mínimas nem máximas, com o propósito de avaliar individualmente a gravidade e as circunstâncias de cada caso.

A Igreja católica assumirá o pagamento das indenizações que forem determinadas dentro deste procedimento.

O defensor do Povo, Ángel Gabilondo, defendeu que o sistema pretende evitar que as vítimas fiquem reduzidas a um expediente administrativo. «Com este processo trata-se de recuperar a pessoa e de reparar danos. Não é um mero trâmite burocrático cosificador, mas um procedimento flexível, personalizado, profissional e humano», sublinhou.

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