O estudo Bioman 2026 ratifica a boa situação da anchova no Golfo da Biscaia

Bioman 2026 confirma uma biomassa de anchova no Golfo da Biscaia muito acima do limiar de segurança e com alta presença de exemplares jovens.

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A população de anchova no golfo da Biscaia mantém "uma situação favorável", de acordo com os primeiros dados da campanha científica Bioman 2026, realizada em maio pelo centro tecnológico basco Azti.

A prospecção calcula uma biomassa provisória de 155.000 toneladas, claramente acima do limiar biológico de segurança fixado para esta espécie em 26.600 toneladas.

Esse dado expressa em peso a quantidade aproximada de anchova presente no golfo da Biscaia durante o mês de maio e é um dos indicadores-chave para avaliar o estado do estoque, segundo destacou o centro científico e tecnológico basco especializado no meio marinho e na alimentação.

Entre os principais resultados do Bioman 2026 destaca-se a alta presença de exemplares jovens. O estudo da estrutura de idades revela que 74% das anchovas observadas têm um ano, uma proporção elevada se comparada com a série histórica. Os indivíduos de dois anos representam 21% da amostra e os de três anos, os 5% restantes.

Desde Azti sublinham que esse elevado percentual de peixes jovens, conhecido como recrutamento, é "especialmente importante em uma espécie de vida curta como a anchova", já que favorece "a renovação e a estabilidade" do estoque.

Bioman constitui uma das campanhas científicas de referência para avaliar a situação da anchova no golfo da Biscaia e fornecer dados para o aconselhamento científico que é utilizado para fixar as possibilidades de pesca.

Após a coleta de dados, aplica-se o Método de Produção Diária de Ovos, uma metodologia reconhecida internacionalmente que permite estimar a biomassa de anchova a partir dos ovos presentes na água e da fecundidade da população. Dessa forma, durante o período de reprodução calcula-se quantas anchovas adultas há a partir do número de ovos localizados no mar e da quantidade de ovos que cada fêmea produz.

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (CIEM) cifrou em dezembro de 2025 a biomassa de anchova para 2025 em 119.768 toneladas, acima da biomassa limite de 26.600 toneladas. Essa avaliação foi realizada a partir dos dados do Bioman 2025, da campanha francesa de maio (Pelgas), da campanha de estimativa de juvenis da Azti no outono (Juvena) e das informações das capturas da frota de 2025.

Para 2026, o Total Admissível de Capturas foi estabelecido em 33.000 toneladas para as frotas da Espanha e França, conforme o Regulamento (UE) 2026/249 do Conselho, de 26 de janeiro de 2026.

A estimativa definitiva da biomassa correspondente a 2026 será obtida em novembro, quando se integrem os resultados das campanhas Bioman, Pelgas e Juvena junto com os dados de capturas da frota, no âmbito do grupo de trabalho do CIEM sobre anchova, sardinha e cavala.

Avaliação institucional e acompanhamento científico

A conselheira de Alimentação, Desenvolvimento Rural, Agricultura e Pesca do País Basco, Amaia Barredo, destacou que os resultados preliminares de Bioman "são uma muito boa notícia e apontam que nossos arrantzales poderão contar no próximo ano com uma cota de pesca similar à dos últimos exercícios, se a campanha Juvena de outono confirmar essas previsões".

Desde a Azti lembram que as séries de dados coletadas durante mais de trinta anos por meio de campanhas oceanográficas e pesqueiras permitiram acompanhar a evolução da anchova, identificar mudanças na população e ajustar as medidas de gestão ao estado do recurso.

Esse controle continuado é "especialmente relevante" em uma espécie "de ciclo vital curto e elevada variabilidade natural". A evidência científica facilita que as administrações, o setor pesqueiro e a comunidade pesquisadora disponham de informação objetiva para compatibilizar a atividade extrativa com a conservação de um dos recursos chave do Cantábrico.

Desde 2016, a campanha Bioman integra além disso uma abordagem ecossistêmica, que combina o acompanhamento científico com critérios de sustentabilidade e proteção dos ecossistemas marinhos.

Marco europeu e financiamento da campanha

A edição de 2026 foi desenvolvida pela Azti dentro do Programa Nacional de Dados Básicos (PNDB) 2022-2027, que cumpre o marco europeu de coleta, gestão e uso de dados do setor pesqueiro e apoia o aconselhamento científico para a Política Pesqueira Comum.

A campanha é financiada com contribuições da União Europeia, da Direção de Pesca do Governo Basco e da Secretaria Geral de Pesca do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação, que disponibilizou os navios oceanográficos Emma Bardán e Vizconde de Eza.

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