A Associação de Moradores do Príncipe eleva a mais de 4.800 os menores migrantes na barriada de Ceuta

A Associação do Príncipe Alfonso eleva a 4.860 os menores migrantes na barriada e reclama recursos urgentes de acolhimento e ajuda humanitária.

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A Associação de Moradores do Príncipe Alfonso confeccionou um registro de caráter oficioso no qual afirma ter contabilizado 4.860 pessoas migrantes, todas elas consideradas pela entidade como menores estrangeiros não acompanhados, que permanecem na barriada uma semana depois da entrada massiva registrada em Ceuta. Trata-se de um censo sem validade administrativa, cuja finalidade é remeter a informação reunida às administrações responsáveis.

O presidente da associação, Ahmed Enfed-Dal, indicou que começaram este trabalho ao verificar que os números divulgados pela Delegação do Governo, que falam de cerca de 2.500 pessoas migrantes ainda na cidade, "não coincidiam com a realidade que vivem os moradores".

"Queríamos conhecer o número real de pessoas que continuam no bairro", apontou. Segundo explicou, a lista foi elaborada a partir dos dados que as próprias pessoas migrantes forneceram de forma voluntária ao comparecer à sede da associação durante os últimos dias.

A associação optou por interromper a contagem ao alcançar as 4.860 inscrições, embora assegure que continuam se apresentando migrantes para serem incluídos no censo. "Tivemos que parar porque isso é um caos. Continuam vindo à associação pedindo para se inscrever", manifestou Enfed-Dal, que insiste que a grande maioria das pessoas registradas são menores, sobretudo entre 15 e 17 anos, embora também tenham detectado crianças entre 11 e 13 anos.

O representante comunitário admite que o censo não é oficial, mas ressalta que seu propósito é transferir toda a documentação às administrações competentes para exigir a implementação imediata de recursos de acolhimento.

"Queremos recursos para que não fiquem na rua. Os recursos já estão vindo tarde; poderiam ter sido habilitados no primeiro dia", manifestou.

Reclamam recursos e coordenam ajuda humanitária

O presidente propõe recorrer a instalações como poliesportivos ou outros espaços disponíveis que permitam oferecer alojamento provisório aos menores até que a situação se estabilize. "Não me importa se é uma escola, um pavilhão ou um quartel. O importante é que essas crianças estejam protegidas", acrescentou.

Enfed-Dal também mostrou sua preocupação pela especial vulnerabilidade das meninas e adolescentes que permanecem na comunidade e assegura que a associação tenta cobrir suas necessidades mais básicas por meio da distribuição de produtos de higiene, comida e roupas, graças às contribuições dos residentes.

Nos últimos dias, a sede comunitária se transformou em um ponto de coleta de ajuda humanitária. Segundo relata seu presidente, moradores do Príncipe Alfonso entregam alimentos, bebidas, roupas e artigos de primeira necessidade, que posteriormente são distribuídos entre as pessoas migrantes.

Além disso, a associação recebeu 150 sacolas de alimentos enviadas pela área de Menores da Cidade Autônoma. No entanto, Enfed-Dal considera que essa ajuda é insuficiente para cobrir todas as pessoas que continuam na área, por isso decidiram priorizar sua entrega aos menores de menor idade.

A Cidade Autônoma comunicou a abertura de novos recursos de acolhimento para menores, enquanto a Delegação do Governo mantém que o número oficial de pessoas migrantes que continuam em Ceuta após a entrada massiva gira em torno de 2.500, um dado que contrasta com a contagem realizada pela associação comunitária no entorno do Príncipe Alfonso.

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