O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, reclamou nesta quinta-feira uma maior implicação da União Europeia e o "blindagem" de sua fronteira para que a cidade autônoma possa recuperar a normalidade após a crise migratória da semana passada e evitar que uma situação similar volte a se repetir.
Ele fez isso de forma telemática durante a reunião extraordinária da Comissão de Liberdades Civis, Justiça e Assuntos Internos (LIBE) do Parlamento Europeu, convocada para analisar a entrada massiva de migrantes registrada na cidade autônoma.
A sessão, impulsionada pelo Partido Popular, contou com a participação do comissário europeu de Interior e Migração, Magnus Brunner, enquanto o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, e a ministra de Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, finalmente não intervieram após declinarem o convite.
"Um dos momentos mais difíceis da história recente de Ceuta"
Durante sua intervenção, Vivas agradeceu a celebração deste debate extraordinário e definiu a situação vivida como "um dos momentos mais difíceis da história recente de Ceuta".
O presidente ceutiano sustentou que "o que ocorreu há uma semana não é uma crise migratória ao uso", mas um episódio que, em sua opinião, "colocou em xeque a integridade de Ceuta, da Espanha e da Europa" diante da "precariedade de meios" nas fronteiras europeias.
"A cidade não recuperou a normalidade"
Embora tenha reconhecido que a maioria das pessoas que entraram de forma irregular já retornaram ao Marrocos e lembrou que, segundo os dados do Ministério do Interior, 72.000 pessoas retornaram, Vivas advertiu que Ceuta ainda está longe de recuperar a normalidade.
Segundo explicou, ainda permanecem cerca de 6.000 pessoas na cidade, enquanto os centros de acolhimento para adultos e menores continuam saturados.
O presidente também destacou o impacto social que a crise deixou na população ceutiana. "Nossa população se sente triste, impotente, inquieta, temerosa e preocupada", afirmou.
Nesse contexto, advertiu que a situação evidenciou a vulnerabilidade de Ceuta e apontou que a segurança da cidade depende, em grande medida, da atuação de "um país terceiro que não reconhece nossa soberania".
Expulsões, mais segurança e apoio europeu
Vivas defendeu que recuperar a normalidade passa por adotar uma bateria de medidas imediatas e estruturais.
Entre elas, colocou como prioridade a expulsão dos imigrantes marroquinos que permanecem em situação irregular em Ceuta, assim como uma resposta permanente frente à pressão migratória derivada da condição da cidade como fronteira terrestre da União Europeia na África.
Além disso, reclamou reforçar os efetivos e os recursos das Forças e Corpos de Segurança do Estado e de Defesa, executar novas infraestruturas de proteção fronteiriça e incrementar a implicação das instituições comunitárias.
Neste sentido, solicitou o desdobramento da Frontex, Europol e da Agência Europeia de Asilo, além de novos recursos para aliviar o colapso que suportam os centros de acolhimento.
O presidente ceutí também propôs a elaboração de um plano específico para recuperar a confiança no futuro econômico de Ceuta e compensar as consequências que a crise teve sobre a cidade.
Lembrança para as vítimas
Na parte final de sua intervenção, Vivas quis lembrar o custo humano da crise migratória e expressou seu pesar pelo centenar de falecidos que, segundo apontou, deixou a avalanche registrada na fronteira.
Apesar da gravidade da situação, transmitiu sua confiança nas instituições europeias e apelou a uma maior implicação da União Europeia para ajudar Ceuta a superar a crise e reforçar a proteção da fronteira exterior comunitária.