A Agência Estatal de Meteorologia, AEMET, prevê que o Índice de Perigo de Incêndios Florestais, o IPIF, alcance níveis "muito altos" ou "extremos" na maior parte da Península e Baleares no próximo 12 de agosto, dia do eclipse total do Sol.
Nas Canárias, o perigo será em geral moderado, embora também haja zonas com risco elevado. O aviso chega em uma semana especialmente sensível, porque o eclipse pode atrair milhares de pessoas a espaços abertos, miradouros, zonas rurais, montes e áreas naturais, justo quando o risco de incêndio será muito elevado em boa parte do país.
Céus limpos na maior parte da Espanha
O tempo estará marcado por uma situação de estabilidade na maior parte do território, com predominância de céus pouco nublados ou limpos. Essa previsão favorecerá a observação do eclipse em muitas zonas, embora nem todo o país tenha as mesmas condições.
AEMET prevê céus nublados na área cantábrica e em zonas do litoral galego e de Alborán. Durante a tarde, além disso, se formarão intervalos de nuvens de evolução nas montanhas do norte peninsular, zonas de Andaluzia oriental e, especialmente, no terço leste, onde poderiam interferir na visualização do fenômeno.
Nuvens no norte, leste e Andaluzia
A nebulosidade de evolução poderia deixar alguma tempestade ou chuvisco isolado e pouco importante em áreas de montanha, com maior probabilidade nos Pirineus orientais e nos Sistemas Béticos orientais.
No final da tarde, em torno da hora do eclipse, esperam-se céus nublados ou cobertos com nebulosidade baixa em regiões da área cantábrica e, com maior incerteza, nos litorais de Galícia e Alborán. Também se desenvolverão nuvens de evolução no terço oriental, nas montanhas do norte e zonas de Andaluzia, enquanto penetrará nebulosidade alta procedente de África.
Quais zonas poderão ver melhor o eclipse
As nuvens altas, na maioria dos casos, não impedirão a observação do eclipse. No entanto, a baixa elevação do Sol na hora do fenômeno fará com que qualquer nebulosidade situada para o oeste e ligeiramente ao norte do ponto de observação possa interferir mais do que o habitual.
Nas Canárias, esperam-se intervalos de nuvens baixas na vertente norte das ilhas de maior relevo e céus limpos no restante. Na Península, as melhores condições dependerão da evolução da nebulosidade durante a tarde, especialmente no norte, leste e áreas de montanha.
Máximas acima de 40 graus
As temperaturas máximas subirão de forma ligeira ou moderada na maior parte do país, exceto no Estreito, onde descerão ligeiramente. Superarão os 35 graus em grande parte dos interiores da Península e Baleares, exceto no norte da Galícia, na área cantábrica, nos litorais e nas zonas de montanha.
AEMET prevê máximas entre 25 e 30 graus no norte da Galícia e no Cantábrico; de 34 a 38 graus no interior da Galícia e de Castela e Leão; e entre 36 e 40 graus no resto. No nordeste e no sul, serão alcançados ou superados os 40 graus, especialmente nos vales do Guadalquivir e do Ebro, assim como em outros vales atlânticos do sudoeste.
Menos calor na hora do eclipse, mas risco elevado
Na hora do eclipse, as temperaturas terão descido em geral entre dois e cinco graus em relação aos valores máximos do dia. Mesmo assim, o ambiente continuará sendo quente em muitas zonas, especialmente no interior, e o risco de incêndios continuará sendo muito elevado.
O vento será fraco em geral na Península e Baleares, com intervalos moderados no Estreito e nos litorais da Galícia e do sudeste. Nas Canárias, soprarão os alísios, com intervalos fortes e prováveis rajadas muito fortes em zonas expostas.
O risco sobe antes e depois do eclipse
Nos dias anteriores ao eclipse, o IPIF apresentará uma tendência de alta no norte da Península. Entre o 10 e o 11 de agosto, muitas zonas do terço nordeste, o interior da Galícia e a área cantábrica passarão de perigo moderado-alto a níveis muito altos ou extremos, que se manterão durante o dia 12.
Após o eclipse, nos dias 13 e 14 de agosto, a tendência ascendente continuará, com mais zonas da Galícia, do Cantábrico e do sudeste peninsular em níveis muito altos e extremos. O episódio, portanto, não se limita ao dia do fenômeno astronômico, mas afeta boa parte da semana de 10 a 16 de agosto.
Precaução em saídas ao campo e à montanha
AEMET pede para extremar as precauções nas saídas ao campo ou à montanha durante toda a semana. O aviso é especialmente relevante porque muitas pessoas poderiam deslocar-se a zonas naturais para observar o eclipse, o que aumenta o risco de negligências em lugares vulneráveis.
A recomendação é não acender fogo, não jogar bitucas, não abandonar resíduos, não estacionar sobre vegetação seca e respeitar qualquer restrição vigente em montes, caminhos, áreas recreativas ou espaços protegidos. Em dias de risco extremo, uma imprudência mínima pode provocar um incêndio de grandes dimensões.
Um eclipse sob vigilância meteorológica
O eclipse total do Sol de 12 de agosto será um dos grandes acontecimentos astronômicos do ano, mas coincidirá com um cenário meteorológico delicado: calor intenso, risco de incêndios muito alto ou extremo em grande parte do país e possíveis nuvens em algumas zonas chave para a observação.
O dia obrigará a combinar planejamento, prudência e acompanhamento dos avisos oficiais. Ver o eclipse será possível em muitas áreas, mas fazê-lo com segurança exigirá evitar comportamentos de risco, proteger-se do calor e não transformar uma saída ao campo na origem de uma emergência florestal.