Os incêndios florestais que afetam a Comunidade de Madrid mantêm uma situação excepcional na Sierra Oeste, uma das zonas mais atingidas pelo fogo nesta emergência. Os incêndios de Villa del Prado, San Martín de Valdeiglesias e o originado em Almorox, na província de Toledo, acabaram se fundindo em um único incêndio, denominado oficialmente incêndio florestal de Sierra Oeste.
A magnitude da emergência obrigou a ativar medidas extraordinárias de proteção civil, com evacuações, confinamentos, cortes de estrada, suspensão de linhas de transporte e dispositivos de acolhimento distribuídos por diferentes municípios. Segundo a atualização publicada neste domingo pela Comunidade de Madrid, mais de 55.000 pessoas foram evacuadas ou confinadas e mais de 3.000 permanecem em pontos de acolhimento.
Nível 3 do INFOMA e direção estatal da emergência
A situação operativa 3 do Plano Especial de Proteção Civil de Emergência por Incêndios Florestais da Comunidade de Madrid, o INFOMA, continua ativada. Este nível corresponde a uma emergência declarada de interesse nacional, o que coloca a direção da resposta nas mãos da Administração Geral do Estado.
Os trabalhos se concentram em conter as frentes ativas, impedir novas reproduções e evitar que as chamas provenientes de Ávila voltem a penetrar com força no território madrilenho. O desdobramento inclui bombeiros regionais, bombeiros florestais, agentes florestais, meios estatais, efetivos da Unidade Militar de Emergências e recursos chegados de outras comunidades autônomas.
Quais municípios de Madrid continuam evacuados
A Comunidade de Madrid mantém evacuados Zarzalejo, Cenicientos, Navalagamella, Robledo de Chavela, Cadalso de los Vidrios, Chapinería, Colmenar del Arroyo, Fresnedillas de la Oliva, Rozas de Puerto Real, Aldea del Fresno e Navas del Rey.
A evacuação implica que a população não pode retornar às suas residências até que os responsáveis pela emergência considerem que as rotas de acesso, o entorno urbano e os serviços essenciais reúnem condições suficientes de segurança. Não basta que as chamas tenham deixado de ser vistas perto do casco urbano, porque as equipes devem verificar a existência de focos ocultos, árvores instáveis, fiações elétricas danificadas, acúmulos de fumaça e estradas que ainda precisam permanecer reservadas para os veículos de extinção.
Por que não se deve retornar por conta própria
As autoridades insistem que ninguém deve tentar voltar por iniciativa própria a um município evacuado. O acesso antecipado pode bloquear as vias utilizadas por bombeiros, ambulâncias, ônibus e forças de segurança, além de colocar o vizinho em uma zona onde o fogo ainda pode reativar-se ou onde a fumaça e os danos nas infraestruturas continuam representando um risco.
O retorno será autorizado apenas quando o indicarem os responsáveis pela emergência. Até lá, a recomendação é permanecer nos pontos de acolhimento ou em alojamentos seguros, manter-se informado por canais oficiais e não difundir avisos não verificados sobre supostas reaberturas de acessos ou levantamentos de evacuações.
Pontos de acolhimento habilitados
Os pontos de acolhimento habilitados para atender aos vizinhos deslocados encontram-se em Villaviciosa de Odón, Móstoles, Alcalá de Henares, Brunete, Leganés, Villanueva de la Cañada, Villamantilla, Villanueva de Perales, Getafe, Villamanta, Alcobendas, Las Rozas, Alcorcón, Navalcarnero e Sevilla la Nueva.
Esses espaços servem para alojar temporariamente pessoas evacuadas, facilitar informações, coordenar assistência básica e atender necessidades urgentes enquanto se mantém a emergência. Neste tipo de situações, a prioridade é garantir que os vizinhos tenham um lugar seguro onde permanecer até que possam retornar às suas casas com autorização.
Quais localidades permanecem confinadas
Os municípios de San Martín de Valdeiglesias, Pelayos de la Presa, Villa del Prado e Valdemaqueda continuam confinados pela evolução do incêndio e pela presença de fumaça no entorno.
O confinamento obriga a permanecer dentro das residências, fechar portas e janelas e evitar qualquer deslocamento que não tenha sido autorizado pelos serviços de emergência. A medida busca reduzir a exposição à fumaça e manter as estradas desobstruídas para a passagem de ambulâncias, ônibus, bombeiros, veículos de extinção e forças de segurança.
O que fazer durante o confinamento
As residências próximas às zonas afetadas devem fechar bem portas e janelas e desligar os sistemas de ar condicionado que introduzam ar do exterior. Também convém evitar o uso de exaustores ou ventilação que possa arrastar fumaça para o interior, especialmente em residências próximas a massas florestais, estradas afetadas ou zonas onde se perceba cheiro intenso de queimado.
Pessoas com doenças respiratórias, alergias, patologias cardiovasculares ou doenças crônicas devem evitar qualquer atividade física ao ar livre e usar máscara se precisarem sair por uma indicação oficial. Em caso de dificuldade respiratória intensa, tontura, dor no peito ou piora rápida de uma doença prévia, deve-se chamar o 112.
Restrições e mobilidade
A situação na Serra Oeste mantém restrições importantes de mobilidade. As estradas afetadas pelo incêndio podem permanecer fechadas embora o fogo pareça distante, porque as equipes precisam garantir a passagem dos serviços de emergência, revisar danos no pavimento, verificar a estabilidade de taludes e remover obstáculos, galhos, árvores queimadas ou fiações danificadas.
As autoridades pedem para evitar deslocamentos desnecessários para as áreas afetadas, não se aproximar para ver o incêndio e não usar caminhos secundários ou vias florestais para tentar desviar de controles. Essas condutas podem colocar em risco aqueles que se deslocam e dificultar o trabalho de extinção em um momento em que cada acesso deve ser mantido desobstruído para as equipes operacionais.
Uma emergência ainda aberta
O incêndio florestal da Sierra Oeste continua condicionando a vida de milhares de vizinhos e mantém ativos dispositivos de extinção, acolhimento, assistência médica, transporte e segurança. Embora alguns frentes possam estar contidos, a emergência não será considerada superada até que os técnicos confirmem que não há risco para a população e que as infraestruturas básicas permitem um retorno seguro.
A recomendação principal para evacuados e confinados continua sendo a mesma: atender apenas às indicações oficiais, não retornar sem autorização, evitar deslocamentos e chamar o 112 diante de qualquer urgência médica ou situação de perigo.