A deputada da CUP no Parlamento, Laure Vega, reclamou que não se "passe a bola" aos municípios na hora de limitar a compra especulativa de habitação, em referência à lei impulsionada pelos Comuns. Ela apontou que, por esse motivo, ambas as formações registraram emendas conjuntas ao texto para reforçar esse objetivo.
Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira na Câmara catalã, defendeu que se "se trata de um direito, não se pode passar a responsabilidade aos municípios para torná-lo efetivo" e insistiu que devem ser o Parlamento e a Generalitat quem o garantam.
Vega avisou que a proposta legislativa dos Comuns, sem incorporar as emendas pactuadas com a CUP, "não é uma lei que faça da habitação um direito".
Detalhou que outras das emendas buscam impedir a compra de apartamentos com a finalidade de revendê-los a curto prazo e vetar a aquisição de habitações para destiná-las ao aluguel: "Se se quer acabar com a especulação, é óbvio que não pode ser tratada como uma mercadoria qualquer", afirmou, ressaltando que o problema de acesso à habitação afeta toda a Catalunha e não apenas as áreas tensionadas.
Enfatizou que essa problemática atravessa o conjunto da sociedade e sustentou que, se forem aceitas as emendas apresentadas, "se economizarão uma quantidade de problemas", já que, segundo disse, nenhum governo pode suportar a pressão de uma cidadania que não tem onde viver.
TURISMO
Em outra ordem de coisas, avançou que sua formação registrará uma moção na próxima plenária sobre o modelo turístico, com a finalidade de que o Govern "calcule o impacto" do setor em diferentes âmbitos.
Adicionou que exigirão pôr fim à "barra livre" das atividades turísticas e rejeitar a ampliação do Aeroporto de Barcelona, assim como deixar de destinar recursos públicos a um modelo que, sustenta, expulsa a população residente.
Nessa linha, sublinhou que sua intenção é "abrir uma nova etapa na qual o turismo não pode continuar funcionando como uma festa privada".
COMISSARIA VIA LAIETANA
Quanto à comissaria de Via Laietana, declarada Lugar de Memória Democrática, explicou que a Junta de Porta-vozes do Parlamento aprovou uma declaração institucional para "rejeitar a decisão de manter este edifício como sede policial".
Criticou que o PSC tenha se abstido na votação, o que impediu que o texto pudesse ser lido no plenário: "Se nem agora temos memória e não somos capazes de ler segundo o que em um parlamento imaginamos como funciona isso de ir gritando que vem a extrema direita".