JP Morgan AM não aprecia razões para novas subidas imediatas de tipos por parte do BCE e da Fed

JP Morgan AM descarta novas subidas imediatas de taxas por parte do BCE e da Fed e reforça sua aposta em ativos de risco e alternativos.

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A diretora de estratégia para a Espanha e Portugal do JP Morgan Asset Management (AM), Lucía Gutiérrez-Mellado, apontou nesta quarta-feira em uma reunião com jornalistas que, até hoje, não vê razões para que o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed) realizem outro aumento das taxas de juros no curto prazo.

A entidade permanece atenta a "como evoluirá a escalada" recente entre os Estados Unidos e o Irã, embora por enquanto considere que "a inflação parece que não está subindo tanto" e que as mensagens do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, ratificam seu "firme compromisso" na luta contra a inflação.

No caso europeu, Gutiérrez-Mellado apontou que o aumento de 25 pontos base aprovado pelo BCE "também não terá tanto impacto negativo no crescimento" se comparado ao forte endurecimento da política monetária de 2022, que foi mais agressivo e partia de taxas em 0%.

Em relação ao petróleo, que chegou a tocar os 120 dólares nos momentos mais tensos da guerra no Oriente Médio, o JP Morgan AM destacou que ocorreu "uma forte desescalada" nas cotações apesar de persistirem as tensões geopolíticas.

Segundo explicou a diretora, o barril se manteve abaixo de 100 dólares devido a "um desajuste entre oferta e demanda": por um lado, a China reduziu seu consumo de petróleo graças ao avanço da eletrificação e, por outro, vários atores envolvidos no conflito decidiram inundar o mercado com um excesso de oferta.

Num primeiro momento, o JP Morgan AM confiava que o consumo seria um dos pilares do crescimento este ano, apoiado nos programas fiscais, nos cortes de taxas na Europa e em uma inflação próxima da meta estabelecida pelo BCE, mas esse cenário foi alterado após a eclosão da guerra no Oriente Médio.

Ainda assim, a gestora estima que as partes envolvidas não poderão prolongar o conflito de forma indefinida, entre outros fatores porque as eleições de 'mid-term' nos Estados Unidos ocorrerão no próximo mês de novembro "e as pesquisas não estão saindo favoráveis". "Isso deve ajudar a que tudo termine o mais rápido possível", apontou Gutiérrez-Mellado.

A fraqueza do consumo é compensada, segundo JP Morgan AM, por um aumento do gasto público orientado a reforçar a autonomia em defesa, energia, segurança e tecnologia, assim como pela investimento em 'capex' empresarial para "ser mais competitivas" e "destacar frente às companhias do seu setor", duas dinâmicas que, a seu ver, continuarão ganhando peso nos próximos anos.

Foco nos hiperescaladores e na inteligência artificial

No âmbito da inteligência artificial (IA), Gutiérrez-Mellado sublinhou que o mercado "começa a diferenciar" entre companhias e setores vinculados a esta tecnologia após constatar-se um maior grau de adoção, embora ainda se desconheça o efeito definitivo sobre o PIB global.

"É muito difícil de quantificar. Pensamos que vai ser positivo, mas a magnitude é muito difícil de medir", justificou.

Dentro do universo corporativo, a previsão da firma é que os hiperescaladores continuem registrando "um crescimento muito alto", "mas não tão grande" como no passado. "Há uma batalha campal dentro dos hiperescaladores por todos os planos de 'capex' e tudo o que estão fazendo", acrescentou, o que explica que o foco do mercado tenha se deslocado para o segmento dos semicondutores.

Estratégia de carteiras e ativos de risco

Quanto ao posicionamento de investimento, a gestora mantém uma sobreponderação em ativos de risco ao considerar que o ambiente atual, com um aumento da inflação menos intenso que o vivido em 2022, "é um cenário favorável" para este tipo de ativos.

Em renda fixa, JP Morgan AM aposta por manter certa exposição a dívida soberana como elemento de descorrelação caso as previsões de crescimento não se materializem, aproveitando cupons "muito mais atraentes que em anos anteriores". Além disso, detectou um aumento do interesse por seus fundos cotizados (ETFs) de renda fixa de gestão ativa.

Após a desescalada do conflito no Oriente Próximo, a firma observou fluxos de entrada em renda variável, especialmente em mercados emergentes, embora também em bolsas globais e europeias. "Os mercados emergentes têm liderado a rentabilidade no que levamos de ano", indicou.

Da mesma forma, a entidade registrou uma maior demanda por estratégias de 'crédito flexível', que permitem investir em todo tipo de crédito tanto em economias emergentes quanto desenvolvidas. Ao mesmo tempo, prevê uma apreciação do ouro a médio e longo prazo e uma certa depreciação do dólar se seu cenário central for confirmado.

"O dólar pode se manter razoavelmente forte enquanto continuarem as tensões geopolíticas", acrescentou.

Em paralelo, JP Morgan AM continua defendendo a inclusão de ativos alternativos nas carteiras como uma via de diversificação, com especial ênfase nos ativos reais por sua capacidade de "combater bem" a inflação.

Dentro deste segmento, a gestora se mostra favorável às estratégias de crédito privado. "É verdade que algumas companhias sofreram um pouco mais, mas não vale generalizar que tudo está sofrendo", matizou Gutiérrez-Mellado.

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