A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk entrou com uma ação em um tribunal de distrito de Nova Jersey (EUA) contra o laboratório americano Eli Lilly por suas campanhas de promoção de medicamentos destinados ao tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, ao entender que omitem informações chave sobre os últimos avanços dos fármacos desenvolvidos pela companhia dinamarquesa.
Na ação, a Novo Nordisk sustenta que a Eli Lilly incorre em "múltiplas violações" da normativa americana em matéria de publicidade enganosa e concorrência desleal. A via judicial foi ativada após a firma norte-americana recusar-se a retirar os anúncios após um pedido formal.
A companhia dinamarquesa aponta de forma específica que a publicidade dos medicamentos da Eli Lilly Zepbound --para a obesidade-- e Mounjaro --injeção para diabetes-- é "falsa e materialmente enganosa para milhões de americanos", ao não incluir dados relevantes sobre as formulações injetáveis mais eficazes de Ozempic e Wegovy, tratamentos comercializados pela Novo Nordisk.
De acordo com a denúncia, a Eli Lilly teria lançado campanhas "intencionalmente" baseadas em estudos desatualizados que comparam as doses mais elevadas de seus próprios produtos com doses inferiores dos fármacos da Novo Nordisk, apresentando esses resultados como se acreditassem uma superioridade geral do produto.
A Novo Nordisk pede ao tribunal que obrigue a Eli Lilly a retirar esses anúncios de todos os suportes nos quais são divulgados e a emitir as correspondentes retificações. Além disso, a farmacêutica dinamarquesa reclama que a companhia americana pare voluntariamente a divulgação das campanhas, advertindo que, se não o fizer, solicitará uma ordem judicial preliminar para bloquear imediatamente a publicidade.
"À medida que se dispõem de opções de tratamento novas e mais eficazes, as pessoas merecem informações precisas que reflitam a evidência científica mais recente e as ajudem a tomar decisões informadas sobre seu atendimento médico", sublinhou John Kuckelman, vice-presidente sênior e assessor jurídico geral da Novo Nordisk.
"As companhias de atendimento médico têm a responsabilidade de manter a exatidão e a atualidade de suas declarações públicas; as cláusulas de isenção de responsabilidade ineficazes e com letras miúdas não corrigem a impressão enganosa criada pelas grandes campanhas nacionais", acrescentou.