O prazo médio para que um proprietário recupere sua casa após um calote já está em 11 meses na Espanha em 2026, de acordo com os registros da Sociedade Espanhola de Aluguel Garantido (SEAG). A entidade alerta que, nos procedimentos mais complicados, esse período pode se estender por mais de dois anos desde o primeiro calote até a restituição efetiva do imóvel.
A companhia sublinha que esse cenário provocou que numerosos proprietários endurecessem os requisitos para acessar uma casa para alugar ou diretamente retirassem seus apartamentos do mercado residencial. Dessa forma, a insegurança jurídica se consolida como uma das maiores preocupações para os locadores.
Segundo os dados da SEAG, mais de 70% dos donos de imóveis identificam a morosidade e as dificuldades para recuperar o imóvel como o principal risco ligado ao aluguel. A incerteza sobre os tempos da Justiça passa a ter um peso similar ao da rentabilidade obtida, algo especialmente acentuado entre os pequenos proprietários, que constituem a grande maioria do parque de aluguel na Espanha.
No plano econômico, o desembolso médio que a SEAG assume ao cobrir um proprietário gira em torno de 4.000 euros, incluindo o procedimento judicial, a manutenção do apartamento durante o conflito e a ausência de receitas por aluguel.
Quando o inquilino deixa de pagar o aluguel completamente, as perdas por calote podem variar entre 10.000 e 13.000 euros para um aluguel de referência de 700 euros mensais, o que representa entre 70% e 80% do custo total associado ao incidente.
A essas quantias se somam os honorários e despesas do processo de despejo (advogado, procurador e custos processuais), que variam entre 800 e 1.500 euros (5%-10%), assim como as partidas destinadas a reparar danos e recondicionar a casa, que oscilam entre 500 e 3.000 euros (10%-15%).
"Proteger as famílias vulneráveis é imprescindível, mas essa responsabilidade não pode recair apenas sobre os proprietários", afirmou a diretora do Departamento Jurídico da SEAG, Daniela Salinas, que advertiu que "a suspensão de despejos enquanto se busca uma alternativa habitacional pode prolongar por meses a recuperação de uma casa, gerando uma insegurança jurídica que acaba reduzindo a oferta de aluguel".
Como efeito direto deste contexto, apesar de que a Espanha precisa somar centenas de milhares de habitações para responder à demanda atual, uma parte dos proprietários opta por manter seus imóveis desocupados, explorar fórmulas diferentes do aluguel tradicional ou elevar de forma notável os critérios de solvência exigidos aos futuros inquilinos.