Unitree estreia na Bolsa com uma subida de 460% e transforma os robôs humanoides em um negócio multimilionário

O fabricante chinês chegou a disparar mais de 600% durante sua primeira sessão em Xangai e terminou avaliado em cerca de 50.000 milhões de dólares.

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20 December 2025, Berlin: Tesla's humanoid robot 'Optimus' hands out popcorn to Lisa (R) during its presentation at the Mall of Berlin. Photo: Christoph Soeder/dpa Christoph Soeder/dpa

20 December 2025, Berlin: Tesla's humanoid robot 'Optimus' hands out popcorn to Lisa (R) during its presentation at the Mall of Berlin. Photo: Christoph Soeder/dpa Christoph Soeder/dpa

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Os robôs humanoides já têm seu grande fenômeno bursátil. A Unitree Robotics fechou nesta quarta-feira sua primeira sessão na Bolsa de Xangai com uma alta superior a 460%, depois de chegar a disparar mais de 600% durante o dia.

As ações terminaram em 845 yuans, frente aos 150,8 yuans fixados para a oferta pública, levando a avaliação da companhia chinesa a aproximadamente 50.000 milhões de dólares.

A estreia transforma a Unitree em um dos exemplos mais visíveis do entusiasmo dos investidores que está gerando na China a combinação de inteligência artificial e robótica humanoide.

Uma IPO de 900 milhões de dólares

A companhia arrecadou aproximadamente 6.100 milhões de yuans, cerca de 900 milhões de dólares, com sua oferta pública de venda.

A demanda havia antecipado o que poderia ocorrer nesta quarta-feira: o trecho reservado a investidores de varejo chegou a registrar uma sobrescrição extraordinária antes da estreia bursátil.

A Unitree foi fundada em Hangzhou em 2016 por Wang Xingxing e se tornou especialmente conhecida por seus robôs humanoides e quadrúpedes capazes de correr, dançar ou executar movimentos de artes marciais.

A alta bursátil também disparou o valor da participação de Wang, que mantém cerca de 20% da empresa. A Reuters calcula que seu patrimônio agora supera os 11.000 milhões de dólares.

Quanto fatura a Unitree

Por trás do entusiasmo bursátil já existe um negócio real, embora ainda pequeno em comparação com a avaliação alcançada na Bolsa.

A Unitree declarou cerca de 1.700 milhões de yuans —cerca de 250 milhões de dólares— de receita durante 2025, com mais de 40% proveniente de mercados internacionais.

A companhia havia entregue ainda cerca de 18.000 robôs humanoides bípedes até julho, segundo dados coletados pela Reuters antes de sua oferta pública.

A China acelera sua corrida por robôs humanoides

A estreia chega coincidindo com a Conferência Mundial de Robótica de Pequim, onde mais de 300 companhias chinesas mostraram cerca de 2.000 produtos e protótipos.

Pequim considera a robótica avançada um dos setores estratégicos para seu desenvolvimento industrial e tecnológico. O objetivo já não consiste apenas em fabricar máquinas capazes de realizar demonstrações espetaculares, mas em estendê-las a fábricas, logística, educação, hotelaria e serviços.

O principal interrogante é quanto tempo levará essa tecnologia para se tornar um mercado massivo. Muitos robôs continuam sendo utilizados para demonstrações, pesquisa ou coleta de dados e ainda existe uma distância considerável entre suas capacidades experimentais e sua implantação cotidiana.

O obstáculo dos Estados Unidos

O crescimento internacional da Unitree também enfrenta dificuldades geopolíticas.

Os Estados Unidos endureceram as restrições sobre determinados robôs fabricados na China por motivos de segurança nacional, enquanto a Unitree figura ainda em uma lista do Pentágono vinculada a companhias consideradas relacionadas com o Exército chinês.

Nada disso freou, pelo menos por enquanto, o apetite dos investidores. A estreia da Unitree representa um dos maiores golpes de efeito bursáteis da indústria chinesa da robótica e coloca uma avaliação multimilionária sobre um setor que ainda está tentando demonstrar até onde chega seu verdadeiro mercado comercial.

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