O Grupo Vall Companys encerrou o exercício de 2025 com um faturamento recorde de 4.626 milhões de euros, um aumento de 11% em relação aos 4.163 milhões registrados no ano anterior, consolidando sua posição entre os principais grupos agroalimentares da Espanha. A empresa também obteve um lucro líquido de 245,4 milhões de euros, equivalente a uma margem de 5,3% sobre as vendas a terceiros.
No entanto, o exercício foi marcado pelo impacto da Peste Suína Africana (PSA) declarada no final de novembro em Bellaterra, uma crise que alterou profundamente o mercado suíno espanhol e que obrigou o grupo a implementar um plano extraordinário para proteger seu balanço.
Um plano de contingência para enfrentar um 2026 "altamente complexo"
A direção da Vall Companys aprovou um pacote de medidas financeiras após o fechamento de importantes mercados internacionais para a carne suína espanhola.
Entre as principais ações destacam-se uma provisão contábil de 61 milhões de euros pela depreciação do valor dos estoques de gado, a redução do dividendo previsto pela metade, passando de 72 para 36 milhões de euros, e um corte no programa de investimentos para 2026, que diminui dos 190 milhões orçados para 85 milhões de euros.
Segundo a empresa, essas decisões visam reforçar a solidez financeira enquanto persistirem as restrições comerciais decorrentes do surto.
A PSA atinge as exportações
A declaração da doença provocou o fechamento total de mercados como Japão e México, além de restrições parciais em destinos estratégicos como China ou Filipinas.
Essa situação teve um efeito imediato sobre o preço do suíno, com uma forte queda nas cotações em Mercolleida, colocando numerosos produtores com custos de produção superiores aos preços de mercado.
A Vall Companys adverte que a recuperação dependerá da erradicação completa do surto e do restabelecimento progressivo dos mercados internacionais.
Quase 200 milhões de investimento apesar da incerteza
Apesar do contexto complicado, o grupo manteve durante 2025 sua política de reinvestimento industrial.
Os investimentos atingiram 193,2 milhões de euros, destinados principalmente à modernização de instalações, inovação, sustentabilidade, qualidade e segurança alimentar.
Entre 2020 e 2025, o investimento acumulado do grupo já ultrapassa os 600 milhões de euros, uma estratégia que a empresa considera chave para manter sua competitividade tanto na Espanha quanto no exterior.
Expansão na América Latina
A internacionalização continua sendo um dos pilares estratégicos da Vall Companys.
Durante 2026, o grupo acelerou sua presença na América Latina por meio de acordos com a Coexca, no Chile, através de sua filial brasileira Master Agroindustrial e Grupo Pacuca, na Argentina, por meio de um crédito participativo de 14 milhões de dólares.
Essas operações somam-se aos investimentos desenvolvidos desde 2016 no Peru, Colômbia, Uruguai, Brasil e México, país onde o grupo já controla 75% do negócio.
O objetivo é diversificar a produção fora da Espanha e reduzir a exposição a crises sanitárias ou comerciais que possam afetar um único mercado.
Mais de 17.300 empregos e 156 milhões em impostos
Além dos resultados econômicos, a Vall Companys destaca o impacto de sua atividade sobre o emprego e a economia.
O grupo encerrou 2025 com 17.336 trabalhadores, o que representa um aumento de 20,3% em relação ao exercício anterior. A maior parte desses empregos concentra-se em municípios da Espanha rural, onde a companhia desenvolve boa parte de sua atividade industrial.
Além disso, durante o ano, aportou 155,95 milhões de euros em impostos e contribuições para a Segurança Social a cargo das empresas do grupo.
Em matéria de formação, destinou cerca de 1,5 milhão de euros e mais de 68.000 horas ao desenvolvimento profissional de sua equipe, o que lhe permitiu obter pelo sexto ano consecutivo a certificação Top Employer, que reconhece as boas práticas em gestão de pessoas.
Embora a companhia mantenha resultados sólidos e uma elevada capacidade de investimento, o grupo enfrenta agora um cenário marcado pela evolução da peste suína africana, cuja resolução será determinante para recuperar o ritmo de crescimento do negócio suíno e das exportações espanholas.