Bruxelas propõe que o 8 de agosto seja o Dia Europeu das vítimas de acidentes de trabalho

A Comissão Europeia vincula a data ao desastre mineiro de Marcinelle, que provocou a morte de 262 trabalhadores de 12 nacionalidades em 1956. O Parlamento Europeu já apoiou a iniciativa por 395 votos a favor.

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Mijnramp Bois du Caizier , Marcinelle Belgie Redders met zuurstofapparaten, Bestanddeelnr 907 9412

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Comissão Europeia propôs transformar o dia 8 de agosto no Dia Europeu em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho e para a Proteção e Dignidade dos Trabalhadores, coincidindo com o 70º aniversário de uma das maiores tragédias laborais da história europeia.

A data recorda o incêndio da mina de Bois du Cazier, em Marcinelle (Bélgica), onde morreram 262 trabalhadores de 12 nacionalidades no dia 8 de agosto de 1956. Muitos deles eram imigrantes italianos que se deslocaram para a Bélgica para trabalhar nas explorações de carvão.

O desastre de Marcinelle, origem da proposta

O incêndio começou em um dos poços de Bois du Cazier e deixou centenas de mineiros presos. Entre as vítimas havia 136 italianos, além de trabalhadores belgas e de outros países europeus.

A Comissão considera que aquele acidente simboliza tanto os riscos laborais que os trabalhadores enfrentaram durante a reconstrução europeia do pós-guerra quanto o caráter transnacional dos movimentos laborais que acompanharam o nascimento do projeto comunitário.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável por Direitos Sociais e Emprego, Roxana Mînzatu, já anunciou em julho o apoio do Executivo comunitário à iniciativa. Bruxelas pretende que o dia sirva para manter a memória das vítimas e reforçar a prevenção de acidentes e doenças profissionais.

O Parlamento Europeu já deu seu apoio

A proposta conta com um amplo apoio prévio do Parlamento Europeu. O plenário aprovou no dia 21 de maio uma resolução que pedia precisamente transformar o dia 8 de agosto em um dia europeu dedicado às vítimas de acidentes laborais.

O texto foi aprovado com 395 votos a favor, 12 contra e 41 abstenções. Os eurodeputados propuseram que a comemoração seja acompanhada de atividades de prevenção e sensibilização em empresas, instituições públicas, centros educativos e locais de trabalho.

A iniciativa também foi apoiada por vários Estados membros. A Itália levou formalmente o pedido ao Conselho de Emprego e Política Social realizado no dia 29 de junho, junto com a Bélgica e a Hungria e com o apoio de países como Espanha, Alemanha, Romênia e Malta. Posteriormente, juntaram-se Croácia, Grécia e Polônia.

Mais de 3.000 mortes laborais por ano na UE

A iniciativa não se limita à lembrança de Marcinelle. O Parlamento Europeu utilizou a proposta para reivindicar novos avanços em matéria de segurança e saúde no trabalho.

Em 2023 foram registrados 3.298 acidentes de trabalho mortais na União Europeia. A eles se somaram cerca de 2,8 milhões de acidentes não mortais que obrigaram o trabalhador afetado a permanecer pelo menos quatro dias de licença.

O objetivo das instituições europeias é avançar em direção à chamada estratégia "Visão Zero", que busca reduzir ao mínimo as mortes relacionadas ao trabalho.

Os eurodeputados também reivindicaram reforçar as inspeções trabalhistas, melhorar a prevenção e abordar novos riscos derivados da transformação do mercado de trabalho.

A inteligência artificial e o calor, entre os novos riscos

Entre esses riscos aparece o crescente uso de inteligência artificial e sistemas algorítmicos para organizar, dirigir ou avaliar o trabalho.

O Parlamento pediu à Comissão que analise as consequências que essas tecnologias podem ter sobre a saúde e a segurança dos trabalhadores, especialmente quando provocam uma intensificação do ritmo de trabalho, vigilância excessiva ou falta de transparência na tomada de decisões.

Também reivindica reforçar a proteção contra fatores associados às mudanças climáticas, como as ondas de calor, os fenômenos meteorológicos extremos e a poluição atmosférica, que afetam especialmente os trabalhadores expostos durante longos períodos ao exterior.

A proposta de Bruxelas chega agora às vésperas do 70º aniversário da tragédia de Marcinelle, que é comemorado neste sábado, 8 de agosto. O objetivo é que a lembrança daquele desastre fique incorporada de forma permanente ao calendário europeu como um dia dedicado tanto às vítimas quanto à prevenção.

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