Carmen Romero (OTAN): "A Europa tem que produzir mais capacidades do que agora fabrica os Estados Unidos”

A diretora de Política de Segurança da OTAN explica em Demócrata como a Aliança enfrenta a maior transformação desde o fim da Guerra Fria, com uma Europa chamada a assumir mais responsabilidades, uma indústria de defesa em expansão e um novo cenário de ameaças marcado pela Rússia, China e a inovação militar.

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“A espanhola com mais poder dentro da OTAN”, dizem os que a conhecem em Bruxelas. Na sede da Aliança, a liderança, por outro lado, não se mede tanto em rótulos de LinkedIn, mas sim nos corredores. Antes de chegar ao estúdio onde a esperam para gravar a entrevista, cumprimenta cada um dos trabalhadores da sede na capital europeia. Conhece cada um dos colegas com os quais se cruza, fala com eles, pergunta-lhes e despede-se com o sorriso que a caracteriza.

Apesar de os termômetros indicarem a chegada das férias para a prática totalidade do corpo diplomático e funcional, são dias agitados na Aliança. Passou menos de uma semana desde que terminou a cúpula anual dos Aliados em Ancara. As equipes se concentram agora em colocar em marcha cada um dos pontos das declarações adotadas, assim como em concretizar os múltiplos contratos multimilionários que a indústria fechou na capital turca.

Carmen Romero (1966) conhece à perfeição os detalhes da cúpula. Quando as portas se fecharam e na sala falavam os trinta e dois chefes de Estado, ela estava presente. É a diretora de Política de Segurança da Aliança, por isso controla milimetricamente cada uma das conclusões do encontro. “A OTAN continuará sendo uma organização transatlântica, mas os europeus vão continuar fazendo mais”, resume.

 

Pergunta: A indústria europeia de defesa sai mais reforçada da cúpula de Ancara?

Resposta: A indústria de defesa europeia sai muito reforçada da cúpula de Ancara porque, na cúpula que acaba de ter lugar, os chefes de Estado e de Governo dos países membros da OTAN consolidaram uma Europa mais forte dentro de uma OTAN mais forte.

O que foi feito foi reforçar a dissuasão da Aliança em uma organização reequilibrada na qual a Europa agora tem um papel muito mais importante, na qual Europa e Canadá estão assumindo a responsabilidade pela dissuasão e pela defesa convencional desta organização.

Como testemunho desse reforço da indústria de defesa europeia, temos uma série de contratos que foram assinados, que foram anunciados à margem da cúpula em Ancara. Por exemplo, contratos com a Airbus para, digamos, colocar em marcha uma frota de aviões que terão um papel importante em termos de transporte aéreo estratégico e também aviões de reabastecimento em voo. Estas são, digamos, algumas das deficiências que a indústria de defesa europeia tem.

Em Ancara, dá-se um grande salto no reforço da dissuasão, com um papel mais relevante da Europa, mas sobretudo uma dissuasão para evitar um conflito, ou seja, para evitar uma guerra e para preservar a paz. Porque é disso que se trata: ter uma dissuasão forte para enviar uma mensagem muito clara a qualquer potencial adversário de que não se meta conosco. Portanto, todos esses passos têm como objetivo manter a paz.

Pergunta: O secretário-geral falou de um termo Made by NATO. Como se encaixa com o Made in Europe que propõe a Comissão Europeia?

Resposta: Isso se encaixa muito bem, porque quando o secretário-geral fala de Made by NATO quer dizer que é preciso produzir tantas capacidades militares e inovadoras que nenhum país membro desta organização ou de outras organizações como a União Europeia pode fazer por si mesmo.

É preciso fazer isso como uma equipe. É preciso trabalhar conjuntamente, é preciso ter a indústria de defesa trabalhando com outros. De fato, dos 32 países que fazem parte da OTAN, 23 fazem parte da União Europeia, ou seja, temos 23 em comum e apenas quatro países que estão na União Europeia não estão dentro da OTAN.

Dizer que isso é complementar no sentido de que a União Europeia e a OTAN nunca trabalharam tão estreitamente como agora e, sobretudo, estão trabalhando em áreas onde podem aportar valor acrescentado. A  OTAN é uma organização experiente em estabelecer os padrões, em estabelecer quais são as capacidades militares que devem ser desenvolvidas.

E a União Europeia o que faz é aportar, trabalhar com base nessas capacidades militares que a OTAN identificou, mas trabalhar, por exemplo, implementando sistemas de financiamento que permitem aos Estados membros em comum e aos outros da União Europeia investir, facilitar o investimento em defesa e também propor novas regulamentações e tornar possível para que a indústria de defesa europeia esteja mais integrada, porque esse é um dos grandes problemas: a fragmentação.

Pergunta: O que deveria fabricar a Europa para poder dizer em dez anos que é realmente autônoma em defesa?

Resposta: Europa o que tem que ter é um papel de responsabilidade estratégica e produzir as capacidades que foram identificadas pela União Europeia com base nas capacidades que a OTAN facilitou. Estamos falando de capacidades, por exemplo, como drones, sistemas antidrones, mísseis de médio alcance, sistemas de capacidades de defesa aérea, de defesa antimísseis integradas, sistemas de capacidades de inteligência.

Carmen Romero 

“Europa tem que produzir as capacidades identificadas pela União Europeia com base nas capacidades da OTAN”

As capacidades que são necessárias diante de qualquer possível cenário de conflito ao qual possamos ter que enfrentar e que vemos que estamos aprendendo do que está acontecendo na Ucrânia. Kiev está mostrando quais são as capacidades militares de ponta que devem ser desenvolvidas.

Pergunta: Durante anos, a Europa assumiu que os Estados Unidos seriam o garantidor de sua segurança. Isso em Ancara definitivamente mudou?

Resposta: Não mudou porque os Estados Unidos continuarão sendo o garantidor último da segurança da OTAN. Agora o que estamos fazendo é transformando esta organização, uma organização na qual a Europa e o Canadá vão assumir responsabilidade por sua segurança convencional, com a presença dos Estados Unidos e com os Estados Unidos apoiando nessa dissuasão e defesa convencional.

Mas qual é o país que continua e continuará aportando o guarda-chuva nuclear, que é o último garantidor da nossa liberdade? Continua e continuará sendo os Estados Unidos.

E neste momento não há nenhum outro país que possa substituir isso, que possa proteger e cobrir todos os países membros da Aliança com o guarda-chuva de dissuasão nuclear. Obviamente, o Reino Unido e a França também contribuem para a segurança com sua dissuasão nuclear, mas estamos em uma situação na qual somente os Estados Unidos podem garantir essa dissuasão nuclear, que é o último elemento da nossa segurança.

Pergunta: Se os Estados Unidos reduzirem progressivamente sua presença na Europa, que projeto de liderança imagina para a OTAN?

Resposta: Os Estados Unidos continuarão tendo um papel de liderança dentro desta organização. A OTAN vai continuar sendo uma organização transatlântica, mas os europeus vão continuar fazendo mais. Estamos em uma situação na qual as ameaças são muito mais sérias, são muito mais complexas, são muito mais perigosas.

Então, Europa e Canadá agora estão convencidos de que têm que contribuir mais. Os Estados Unidos não podem ser o país que continua pagando pela segurança da Europa completamente.

Carmen Romero: 

“A demanda é tão grande que será necessário fazê-lo também com empresas americanas”

E o bom, a transformação e a mudança de mentalidade que ocorreram é que os europeus estão convencidos de que agora está em seu interesse investir mais em sua segurança e não apenas depender dos Estados Unidos. Os europeus terão um papel de liderança em uma Europa mais forte dentro de uma OTAN mais forte e os Estados Unidos também continuarão tendo um papel de liderança. É uma organização mais equilibrada.

Pergunta: Você comentou, a guerra na Ucrânia reforçou a coesão da Aliança, mas também evidenciou algumas dependências com os Estados Unidos. Vimos isso durante a cúpula com os mísseis Patriot. O que pode acontecer se não corrigirmos essas dependências nos próximos dez anos?

Resposta: Pois é preciso corrigir, não temos alternativa. Os europeus têm que produzir mais das capacidades que agora os Estados Unidos produzem. Tem uma indústria menos fragmentada, muito mais forte. Então, trata-se de trabalhar juntos.

Vimos, por exemplo, o anúncio que os Estados Unidos fizeram para que a Ucrânia possa produzir mísseis Patriot em território ucraniano, mas também vimos esta semana o anúncio por parte do presidente Macron na reunião dos voluntários, da coalizão de voluntários em apoio à Ucrânia, para que a Ucrânia também possa produzir baterias de defesa antimísseis europeias, com o sistema franco-italiano.

NATO - Carmen Romero durante a entrevista com Demócrata
NATO - Carmen Romero durante a entrevista com Demócrata -

 

OTAN -

É importante que os europeus comecem, e já estão fazendo, a desenvolver em território europeu com indústrias de defesa europeias essas capacidades que até agora muitas delas apenas eram procuradas pelos Estados Unidos.

E em muitos casos será feito com empresas apenas europeias, mas também em muitos casos será necessário fazê-lo com empresas americanas, porque digamos que a demanda é tão grande.

É necessário produzir capacidades militares modernas, de tecnologia de ponta, em grande escala, e é muito importante produzir muito para baratear os preços, ou seja, que haja competição. Por isso a OTAN está facilitando o trabalho com a indústria de defesa, procurando junto à União Europeia nossas indústrias de defesa, qual é a demanda. Porque obviamente a indústria de defesa tem que ter planos de programação, são projetos a longo e médio prazo, e isso facilita que eles possam produzir mais.

Pergunta: Falamos de resiliência, de indústria de defesa e capacidades críticas. A transformação pendente, é verdadeiramente só militar ou também tem um componente político?

Resposta: A transformação é em todos os níveis. A OTAN é uma organização tremendamente política. Esta organização é uma organização político-militar, mas digamos que é dirigida por políticos.

Portanto, continuará sendo uma organização político-militar na qual tudo é decidido por consenso. Por exemplo, é uma organização na qual se um país não está de acordo, aqui não sai nada. E isso é um aspecto tremendamente político. Isso reforça muito o fato de que esta organização seja uma aliança que se baseia na solidariedade.

Nossa segurança é indivisível, ou seja, que temos que sempre estar unidos. Obviamente, como uma organização de 32 democracias, pois brigamos muito. Isso se vê em público, há muitas diferenças.

Mas no final o que faz com que a OTAN seja uma organização tão forte e que tenha mais de 77 anos é o fato de que, apesar de ter tido muitas divisões, apesar de haver muitas crises políticas, porque são fundamentalmente políticas, os membros desta organização sempre conseguem se unir em torno do que é mais importante, que é sua segurança compartilhada, e deixar de lado o que os divide.

Pergunta: A Espanha assumiu responsabilidades, que papel espera a OTAN da Espanha especificamente?

Resposta: A Espanha é um país que sempre contribui. É um país que, nos 22 anos que eu estou nesta organização, quando é necessário está lá. É um país confiável, é um membro desta organização muito responsável, extremamente respeitado como corresponde. Está contribuindo com as capacidades militares que lhe correspondem e que todos os aliados aprovaram entre si.

Carmen Romero: 

“É necessário produzir capacidades militares modernas, de tecnologia de ponta, em grande escala”

Portanto, respondendo como foi definido e como foi o objetivo da cúpula de Ancara, que foi traduzir o maior investimento em segurança e defesa no desenvolvimento de capacidades militares que devem estar em andamento, sobretudo para dissuadir, para que nenhum potencial adversário se atreva a mexer com a Aliança.

Pergunta: A Espanha vem defendendo há anos que o flanco sul merece a mesma atenção que o flanco leste. Você acredita que a Aliança interiorizou essa visão?

Resposta: Absolutamente. Quando se fala da Rússia, a Rússia é a ameaça mais séria, mais direta para a segurança euroatlântica.

A Rússia, durante décadas, foi uma ameaça convencional, uma ameaça que era vista como latente sobretudo pela Europa Oriental. Mas é que vemos que a ameaça russa se tornou uma ameaça multifacetada. Esta semana tanto a União Europeia quanto a OTAN condenaram uma campanha cibernética em grande escala por parte da Rússia.

E digamos que a Rússia está no sul. Está ajudando milícias no norte da África. O que a Rússia quer é desestabilizar, utilizar qualquer possível situação para desestabilizar, para confundir nossas sociedades. No sul, reforçamos muito o que estamos fazendo com nossos países parceiros no flanco sul. De fato, em Ancara, como você bem sabe, tivemos nossos parceiros, quatro parceiros do Golfo, com os quais reforçamos nossa cooperação, cooperação que contribui tanto para a segurança desses parceiros quanto para nossa própria segurança.

Pergunta: Você fala da abordagem de 360 graus da ameaça que representa a Rússia. A OTAN está preparada para responder de forma integrada a essas ameaças híbridas ou continuamos com uma mentalidade do século XX?

Resposta: Estamos reformando. A OTAN é uma organização que está em contínua adaptação, portanto, estamos melhorando os instrumentos que temos para enfrentar a guerra híbrida. Obviamente, é uma ameaça muito mais complexa, porque é uma ameaça muito mais difícil de detectar e de enfrentar. As capacidades de inteligência são muito importantes para poder detectar ameaças híbridas. Estamos melhorando nosso acervo, estamos reforçando nossas capacidades para poder enfrentar ameaças híbridas.

Pergunta: Nos próximos dez anos, qual será a maior ameaça ou desafio para a OTAN? Contener a Rússia, gerenciar a ascensão da China, gerenciar ou adaptar-se à retirada dos Estados Unidos? 

Resposta: Temos que estar preparados para qualquer cenário. A OTAN não pode escolher estar preparada para um cenário e não para o outro.

Trata-se de continuar trabalhando para manter uma OTAN que está preparada para enfrentar uma guerra, porque você tem que estar preparado, acima de tudo, para evitar uma guerra e um conflito. Você tem que estar preparado para ela e, acima de tudo, para ganhá-la.

A OTAN tem todos os instrumentos necessários para continuar se defendendo e, acima de tudo, continuar dissuadindo uma Rússia que é muito assertiva, uma Rússia que continua investindo 40% de seu orçamento estatal em defesa. Não temos indícios de que a ameaça russa vá diminuir. Também estamos preparados para enfrentar e dissuadir a segunda grande ameaça, mais assimétrica, menos convencional, que temos identificada como é o terrorismo.

Carmen Romero: 

“É muito importante produzir muito para baratear os preços, que haja concorrência”

Não podemos baixar a guarda em nenhum momento. E também, como você disse, enfrentar uma China que é mais assertiva, que está desenvolvendo um programa nuclear sem precedentes e com muito pouca transparência. Porque, por exemplo, os países membros da OTAN são membros do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, ou seja, nós respeitamos os instrumentos que existem em matéria de não proliferação. No entanto, a China não está fazendo isso.

E bem, a uma crescente aliança entre Rússia, China, Coreia do Norte e Irã. As ameaças são muitas e trata-se de estar preparados para qualquer possível cenário. Os Estados Unidos continuam interessados em permanecer dentro da OTAN porque o que isso traz para a Europa. 

Pergunta: Por voltar a Ancara, os aliados incluíram na declaração final uma menção explícita ao artigo 5, em um momento de tensões geopolíticas até mesmo dentro da Aliança. Que mensagem se pretende lançar com essa inclusão na declaração final?

Resposta: Que nossa segurança continua sendo indivisível e que todos estamos unidos. Ou seja, isso é algo que a OTAN faz sempre que os chefes de Estado e de Governo da OTAN se reúnem.

Reúnem-se sempre com uma referência ao artigo 5, porque é a cláusula de maior segurança para todos os países membros. Nós estamos investindo em nossa segurança, mas na segurança de todos os países membros da Aliança. É o artigo mais importante desta organização.

Carmen Romero - OTAN
Carmen Romero - OTAN -

Pergunta: Para terminar a conversa, se dentro de uma década olharmos para trás no momento em que estamos agora, que decisão deveria tomar a OTAN agora para confirmar de verdade que estamos diante de uma Aliança mais forte ou simplesmente sobrevivemos à transição da ordem mundial?

Resposta: Ter uma vantagem tecnológica maior. É o que durante muitas décadas fez com que a OTAN fosse a organização mais forte, que continua sendo em matéria de segurança mundial, é o fato de que tínhamos uma vantagem tecnológica estratégica.

Mas agora vemos que essa vantagem está se reduzindo. Vemos que temos competidores estratégicos, falávamos da China, mas também da Rússia e outros. Continuar trabalhando e investindo nessa vantagem tecnológica.

Democrata bruxelas 

Off the record 

A entrevista termina, mas a conversa continua pelos corredores da sede da OTAN. Longe dos holofotes, Romero insiste em uma ideia que pairou sobre toda a conversa: a unidade que deixou a cúpula de Ancara. Caminho da saída, compartilha uma última reflexão com tom de confidência. Na Aliança, diz entre brincadeiras, há quem endureça o discurso diante das câmeras e quem, assim que a porta da sala se fecha, volta a guardar a espada. Uma imagem que resume bem como funciona a diplomacia atlântica: o barulho costuma ser feito fora; os acordos, quase sempre, dentro.

 

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¿En qué estado se encuentra la ejecución de los contratos firmados por la industria de defensa europea tras la cumbre de Ankara?

La información disponible indica que los contratos anunciados en la llamada “cumbre de Ankara” —en realidad, la Cumbre de la OTAN en Ankara y su Foro de la Industria de Defensa— se encuentran todavía en una fase muy inicial (firma, adjudicación o diseño de programas) y no existen, a día de hoy, informes públicos que detallen su grado de ejecución, entregas, retrasos o cancelaciones. Ni la Comisión Europea, ni la Agencia Europea de Defensa (EDA), ni la propia OTAN han publicado aún balances específicos sobre cómo se están ejecutando esos acuerdos. Lo que sí hay son descripciones de los paquetes de compras y de los cambios normativos para acelerar en el futuro su ejecución.

Aclaración sobre la “cumbre de Ankara” y el tipo de contratos

La reunión clave no fue una cumbre bilateral UE–Turquía sobre industria de defensa, sino la Cumbre de la OTAN en Ankara (7‑8 de julio de 2026), acompañada por el NATO Summit Defence Industry Forum. Según el análisis de Demócrata en Mapa de la defensa europea, Ankara funcionó como un gran escaparate para firmar y anunciar contratos “made in NATO” por decenas de miles de millones, con fuerte participación de la industria europea, pero bajo paraguas atlántico.

Entre los principales paquetes descritos por Demócrata y por la OTAN destacan:

  • La inversión de más de 40.000 millones de dólares en capacidades antidron durante cinco años, en la iniciativa “NATO Drone Edge”, recogida por Demócrata en esta crónica.
  • La constitución de una flota común de aviones de transporte Airbus A400M y la elección del Saab GlobalEye como nuevo sistema de alerta temprana, donde participan varios países europeos (noticia de Demócrata).
  • La compra de drones de gran altitud MQ‑4C Triton y un gran paquete de misiles Patriot (700 PAC‑2 y 200 PAC‑3), según detalla Demócrata en el reportaje de Ankara ya citado y en la pieza sobre contratos “NATO 3.0” ([enlace]).

Qué se sabe sobre la ejecución: todavía fase de arranque

Ni en las crónicas de Demócrata ni en otras coberturas citadas (por ejemplo France 24, EFE o The Objective) aparece todavía información sobre hitos de producción cumplidos, entregas materializadas o penalizaciones asociadas a esos contratos concretos de Ankara. La propia OTAN, en los comunicados resumidos por la prensa, se limita a hablar de “nuevos contratos” y de la intención de “ampliar la capacidad de producción”, sin desglosar plazos de ejecución.

En el caso español, el Ministerio de Defensa se centra en remarcar la adhesión a los proyectos —A400M, vigilancia desde el espacio, NFTE, etc.— pero sin ofrecer todavía cronogramas específicos asociados a lo firmado en Ankara. La nota oficial “España refuerza en Ankara la cooperación industrial aliada” subraya la participación de empresas como Indra, Navantia o Escribano M&E y el encuadre de estos programas dentro de los “Proyectos de Alta Visibilidad” de la OTAN, pero no entra en porcentajes de ejecución.

Papel de la UE: marcos financieros y simplificación, no seguimiento de Ankara

La UE está actuando sobre todo como facilitador financiero y regulatorio, más que como contratista directo de los acuerdos de Ankara. En el Foro de la Industria de Defensa de la cumbre, Ursula von der Leyen recordó que el programa SAFE para adquisición conjunta moviliza hasta 150.000 millones de euros, con diez acuerdos ya cerrados por valor de 100.000 millones, y que el paquete ReArm Europe puede llegar a 800.000 millones hasta 2030, según su intervención recogida por la Comisión en esta sesión de preguntas y respuestas. Sin embargo, no se publica un desglose de qué parte de esas cifras corresponde a contratos firmados específicamente en Ankara ni a su ejecución.

Lo que sí se ha aprobado, antes incluso de la cumbre, es un bloque legislativo para acelerar futuras adquisiciones. El Consejo y el Parlamento alcanzaron un acuerdo para simplificar la contratación de defensa y los permisos industriales, reduciendo plazos y cargas administrativas, como detallan el Consejo en esta nota y la Comisión en este comunicado. Pero se trata de normas de carácter general, no de un informe de ejecución de los contratos de Ankara.

En paralelo, la Comisión impulsa programas como el EDIP y el EDF para reforzar la base industrial europea, descritos por Demócrata en artículos como Europa entra en la era de la defensa industrial o La UE dirigirá casi la mitad de los 1.500 millones de defensa…, pero tampoco aquí se desglosa el avance de los contratos cerrados en Ankara.

Conclusión: contratos comprometidos, ejecución aún sin datos públicos

Con la información disponible, la conclusión es que los contratos firmados o anunciados por la industria de defensa europea en el marco de la Cumbre de la OTAN en Ankara están en fase de compromiso y adjudicación inicial, con calendarios de ejecución plurianuales, pero sin datos públicos todavía sobre su grado de cumplimiento. Los mensajes oficiales de OTAN y UE se centran en el volumen de las inversiones, en la creación de nuevas plataformas industriales y en la simplificación regulatoria, pero no en un seguimiento detallado contrato por contrato.

Por tanto, a día de hoy no puede hablarse de un “estado de ejecución” consolidado de esos contratos más allá de que han sido anunciados, estructurados en programas multinacionales y en algunos casos adjudicados a consorcios industriales, a la espera de que los próximos informes anuales de la OTAN y los mecanismos de seguimiento de SAFE/EDIP vayan aportando cifras sobre producción, entregas y posibles retrasos.

¿Qué contratos concretos afectan a empresas españolas como Indra, Navantia o Escribano a raíz de la cumbre de Ankara? ¿Cómo encajan los acuerdos de Ankara con los nuevos instrumentos europeos SAFE, EDIP y el Fondo Europeo de Defensa? ¿Qué calendario de entregas se maneja para los A400M, los GlobalEye y los sistemas antidrones anunciados en Ankara?

¿Cuáles son las competencias y funciones de la directora de Política de Seguridad de la OTAN según los estatutos de la organización?

El cargo de directora de Política de Seguridad de la OTAN (Director, Security Policy) es una posición de alto nivel dentro de la Secretaría Internacional que se encarga de desarrollar y aplicar la política de seguridad de la Alianza en el plano político, no operativo. Sus competencias se derivan del mandato de la División de Asuntos Políticos y Política de Seguridad (PASP) y de la propia Dirección de Política de Seguridad (Security Policy Directorate, SPD), más que de unos “estatutos” específicos dedicados al puesto. Entre sus funciones centrales están la elaboración de doctrina y líneas de política, el asesoramiento directo al Secretario General y la preparación política de reuniones ministeriales y cumbres. La actual directora es Carmen Romero, nombrada en julio de 2024, pero sus funciones son las del puesto, no personales.

Encaje orgánico dentro de la OTAN

Según la documentación interna de la OTAN recopilada en descripciones de puesto y organigramas, el cargo se sitúa en la:

  • División: Political Affairs and Security Policy (PASP), responsable de los aspectos políticos de las tareas fundamentales de la OTAN y de ser el “hub” político para las alianzas y asociaciones de la organización. Este mandato se detalla en un documento de presentación de la división disponible en PASP.
  • Dirección: Security Policy Directorate (SPD), dentro de PASP, que agrupa la labor sobre política de seguridad, control de armamentos convencionales y no proliferación de armas de destrucción masiva.
  • Secciones: la directora ejerce la jefatura sobre la sección de “NATO Affairs and Security Policy” (NASP) y otros equipos temáticos, de acuerdo con descripciones de puesto como la recogida en [enlace].

Funciones políticas y de diseño de políticas

Las funciones sustantivas del puesto, tal y como aparecen en dichas descripciones, pueden agruparse así:

  • Desarrollo de política de seguridad: liderar el trabajo técnico y político sobre la política de seguridad de la OTAN, incluyendo ámbitos como control de armamentos convencionales y no proliferación de armas de destrucción masiva. Esto implica redactar marcos de referencia, opciones de política y documentos estratégicos que luego son elevados al Consejo del Atlántico Norte.
  • Generación de expertise: construir y mantener un cuerpo de conocimiento especializado en política de seguridad dentro de la SPD, mediante el diálogo constante con las delegaciones aliadas y con socios. Esta función de “hub” político se subraya en la documentación de PASP disponible en PASP.
  • Asesoramiento a la alta dirección: preparar notas de intervención, “talking points”, dosieres de antecedentes y listas de cuestiones clave para el secretario general, el secretario general adjunto y la alta dirección de PASP, de cara a reuniones con ministros, embajadores y altos cargos aliados, tal y como se recoge en la oferta de puesto de la OTAN en [enlace].

Gestión de cumbres y reuniones ministeriales

Otra parte esencial del rol es de carácter procedimental y de coordinación:

  • Preparación de reuniones de ministros de Exteriores y Cumbres: la directora encabeza la preparación sustantiva de los consejos de ministros de Asuntos Exteriores y de las cumbres de la OTAN, coordinando los paquetes de información y los documentos de orientación sobre los principales temas de seguridad que se van a debatir.
  • Coordinación interinstitucional: la SPD, bajo su dirección, trabaja con otros componentes de la Secretaría Internacional y con estructuras militares para asegurar que las decisiones políticas estén alineadas con las capacidades y planes militares; estos circuitos se reflejan indirectamente en perfiles de puestos afines, como el de jefe de la sección de política hacia el Este en [enlace].
  • Relaciones con socios y asociaciones: en la medida en que PASP es el eje de las políticas de partenariado, la directora de Política de Seguridad participa en el diseño y seguimiento de los marcos políticos con socios (por ejemplo, iniciativas de asociación y diálogo político) descritos de forma general en el documento de PASP en PASP.

Base “estatutaria” y límites de la información

En las fuentes disponibles no aparece un “estatuto” único que enumere de forma cerrada las competencias de este cargo, como ocurriría con una ley orgánica nacional. Su autoridad deriva de:

  • El mandato general de la División PASP, definido por las decisiones del Consejo del Atlántico Norte.
  • Las descripciones de puesto y convocatorias de personal de la Secretaría Internacional, como la de la SPD ya citada en [enlace].

No se dispone de más información normativa detallada en las fuentes consultadas; por ejemplo, documentos de otros ministerios o países aliados, como los perfiles de puestos de seguridad en [enlace] o [enlace], se refieren a funciones nacionales, no a los “estatutos” de la OTAN.

Diferencia con el Director de la Oficina de Seguridad de la OTAN

Las fuentes subrayan que este puesto no debe confundirse con el director de la Oficina de Seguridad de la OTAN (NATO Office of Security, NOS), cuyo titular actual es Todd J. Brown, según la ficha “Who is Who” de la OTAN accesible en NATO Office of Security. El NOS se encarga de:

  • Seguridad física y de instalaciones.
  • Seguridad del personal y de la información clasificada.
  • Inspecciones y cumplimiento de las normas de seguridad.

En cambio, la directora de Política de Seguridad en PASP trabaja sobre la arquitectura política de la seguridad aliada, no sobre la implementación práctica de medidas de protección. Esta diferencia también se aprecia en biografías y paneles donde se presenta a anteriores directores de “Security Policy and Partnerships”, como en el material de la Conferencia de Comunicadores de la OTAN recogido en [enlace].

Situación actual del cargo

La información disponible en perfiles profesionales indica que la actual directora de Política de Seguridad es la diplomática española Carmen Romero, nombrada en julio de 2024 y adscrita a la SPD de PASP, de acuerdo con su biografía en LinkedIn y referencias en foros como Foro Expansión. Sin embargo, sus competencias son las propias del puesto tal y como se han descrito: liderazgo de la elaboración de política de seguridad, asesoramiento a la cúpula de la OTAN y coordinación política con aliados y socios.

¿En qué se concreta, en temas como control de armamentos o no proliferación, la política de seguridad que diseña esta dirección de la OTAN? ¿Qué peso real tiene una directora de Política de Seguridad frente a los gobiernos de los Estados miembros cuando hay discrepancias estratégicas? ¿Cómo ha influido el nombramiento de Carmen Romero en la orientación reciente de la política de seguridad de la OTAN hacia Rusia, China o Irán?

¿Qué requisitos legales deben cumplir los países europeos para incrementar su inversión en capacidades de defensa dentro de la OTAN y la Unión Europea?

En Europa no existe una única norma que “autorice” a los países a incrementar su gasto en defensa: más bien, cada Estado debe respetar su propio ordenamiento constitucional y, a la vez, cumplir los marcos generales de la OTAN y de la Unión Europea (reglas fiscales, contratación, ayudas de Estado, etc.). En la OTAN, el famoso objetivo del 2% del PIB es una obligación política, no jurídicamente exigible, pero condiciona la planificación nacional. En la UE, no hay una competencia común para obligar a gastar más en defensa, pero sí un entramado de normas sobre presupuestos, mercado interior y cooperación militar que encuadra cómo se puede hacer. Desde la perspectiva española, todo aumento de inversión debe pasar por las reglas de la Constitución, la Ley de Defensa Nacional y la normativa presupuestaria.

1. Marco general de la OTAN

Compromisos políticos, no jurídicos

Dentro de la OTAN, los aliados han acordado como referencia dedicar alrededor del 2% del PIB al gasto en defensa y el 20% de ese gasto a inversión en equipo y capacidades. Estos compromisos figuran en declaraciones de Cumbres (Gales 2014, Madrid 2022, Vilna 2023), pero no son exigibles por un tribunal: se trata de un estándar político que orienta la planificación nacional.

En términos legales estrictos, lo relevante es:

  • Respeto a la soberanía presupuestaria nacional: cada Parlamento conserva la competencia para aprobar su presupuesto de defensa.
  • Compatibilidad con el Tratado del Atlántico Norte: la inversión debe destinarse a capacidades que contribuyan a la defensa colectiva y a los planes de fuerzas de la Alianza.
  • Compromisos de interoperabilidad: la OTAN fija requisitos técnicos y de estandarización (STANAG) que condicionan jurídicamente los contratos de adquisición de equipos.

2. Marco de la Unión Europea

Competencias y limitaciones del Tratado UE

En la UE, la política de defensa se encuadra en la Política Común de Seguridad y Defensa (PCSD), regulada en los Tratados. La UE no puede imponer un nivel mínimo de gasto, pero sí establece requisitos jurídicos clave:

  • Respeto de las competencias nacionales: según los Tratados, la defensa sigue siendo principalmente competencia de los Estados; cualquier incremento de inversión debe decidirlo cada país.
  • Cláusulas de asistencia mutua y solidaridad: la obligación de ayuda entre Estados miembros refuerza la necesidad de capacidades, pero no fija cifras de gasto concretas.
Reglas fiscales y estabilidad presupuestaria

Hasta ahora, el principal condicionante legal era el Pacto de Estabilidad y Crecimiento (límites de déficit y deuda). Aunque el marco se ha reformado, los países deben justificar cualquier aumento de gasto, incluido el militar, dentro de sus planes presupuestarios y de sostenibilidad fiscal. Para incrementar la inversión en defensa deben, por tanto:

  • Aprobar el gasto en sus leyes de presupuestos nacionales.
  • Encajar ese aumento en los objetivos de déficit y deuda acordados con la Comisión Europea y el Consejo.
Contratación pública y ayudas de Estado

La UE tiene normativa específica en:

  • Contratación pública en defensa y seguridad: exige procedimientos transparentes y competitivos, con algunas excepciones por seguridad nacional.
  • Ayudas de Estado: si un país apoya con fondos públicos a su industria de defensa, debe respetar las reglas de competencia, salvo exenciones justificadas por seguridad.

Los Estados pueden invocar la “excepción de seguridad” de los Tratados para ciertos contratos, pero deben justificarla jurídicamente y no puede utilizarse de forma generalizada para eludir el mercado interior.

3. Requisitos internos en los Estados (con referencia al caso español)

Procedimiento constitucional y presupuestario

Cada país debe cumplir:

  • Constitución nacional: reglas sobre quién decide la política de defensa, control parlamentario de las Fuerzas Armadas y límites al endeudamiento.
  • Ley de defensa o de seguridad nacional: que define la planificación de capacidades, los planes directores y los mecanismos de aprobación de grandes programas.
  • Ley presupuestaria: el incremento se articula mediante los Presupuestos Generales (o sus equivalentes) o créditos extraordinarios, siempre aprobados por el Parlamento.

En España, por ejemplo, el aumento de la inversión en capacidades de defensa debe canalizarse a través de los Presupuestos Generales del Estado o de instrumentos financieros específicos, y está sometido al control de las Cortes Generales tanto en la aprobación del gasto como en el seguimiento de grandes programas de armamento.

4. Coordinación entre OTAN, UE y Estados

En la práctica, los gobiernos europeos compatibilizan tres planos:

  • Los objetivos de fuerza y capacidades de la OTAN, que marcan qué capacidades comprar o modernizar.
  • Las iniciativas de la UE (cooperación estructurada permanente, fondos europeos para defensa), que exigen condiciones jurídicas sobre cooperación, gobernanza de proyectos y reparto industrial.
  • El marco jurídico interno (constitución, leyes de defensa, reglas fiscales nacionales), que determina el procedimiento y los límites del gasto.

En resumen, incrementar la inversión en defensa es jurídicamente posible siempre que cada Estado miembro adapte sus presupuestos de acuerdo con sus reglas internas y mantenga la compatibilidad con la disciplina fiscal y de competencia de la UE, al tiempo que utiliza ese gasto para cumplir con los compromisos políticos y técnicos de la OTAN.

¿Qué límites concretos impone el marco fiscal de la UE a un país que quiera aumentar rápido su gasto en defensa? ¿Cómo encaja el objetivo del 2% de la OTAN con la planificación presupuestaria de defensa en España? ¿Qué mecanismos de control parlamentario existen en España sobre los grandes programas de armamento y capacidades militares?

Jogar

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¿Cuál es la función principal que sigue desempeñando Estados Unidos dentro de la OTAN según Carmen Romero?

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¿Qué capacidades debe desarrollar Europa para lograr una mayor autonomía en defensa, según la entrevista?

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¿Cuál es uno de los principales problemas de la industria de defensa europea que la OTAN y la UE buscan resolver?

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Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?