A Agência Executiva Europeia de Educação e Cultura (AEEEC) decidiu nesta terça-feira retirar uma subvenção de dois milhões de euros à Bienal de Veneza, depois que a Comissão Europeia reclamou essa medida pela controvérsia gerada em torno da presença da Rússia e a negativa da organização em excluir esse país do certame.
"Em razão do parecer jurídico e da recomendação da Comissão, a AEEEC tomou a decisão de pôr fim à subvenção de dois milhões de euros que estava sendo concedida à Fundação da Bienal de Veneza", explicaram fontes da Comissão Europeia, após a revisão do caso solicitada por Bruxelas.
Desde o Executivo comunitário ressaltam que os projetos culturais que são financiados com fundos públicos europeus "devem salvaguardar os valores democráticos, fomentar o diálogo aberto, a diversidade e a liberdade de expressão, valores que não são respeitados na Rússia atual".
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, havia pedido expressamente à AEEEC que anulasse a ajuda, depois que a Bienal se negou a vetar a Rússia no que é considerado o evento de arte e arquitetura mais importante do mundo.
Bruxelas já havia advertido semanas atrás que sua contribuição econômica corria risco se a participação russa fosse mantida. Em uma nota pública, a Bienal de Veneza se defendeu alegando que é "uma instituição aberta" na qual pode estar presente qualquer Estado reconhecido pela República Italiana, e ressaltou que "rejeita qualquer forma de exclusão ou censura da cultura e da arte".
A controvérsia em torno de Moscou também teve impacto no júri da Bienal, que apresentou sua demissão em bloco na semana passada ao se recusar a incluir entre os prêmios da exposição a Rússia e Israel, alegando que ambos os países são dirigidos por mandatários "acusados de crimes de lesa humanidade".
Essa mudança na organização levou a adiar o anúncio do palmarés, inicialmente fixado para 9 de maio, até 22 de novembro. Só existe um precedente de uma decisão similar na edição de 2021, condicionada então pelas restrições derivadas da pandemia de coronavírus.