Ampliação | Cinco mortos, quatro palestinos e um israelense, em um ataque de colonos no norte da Cisjordânia

Um ataque de colonos na localidade cisjordaniana de Tell deixa quatro palestinos e um israelense mortos e eleva a tensão política e militar na zona.

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Um ataque perpetrado por colonos israelenses contra a localidade palestina de Tell, na Cisjordânia, deixou esta madrugada um balanço de quatro palestinos mortos, todos pertencentes a uma mesma família, além de quatro feridos –três em estado grave– e um quinto falecido, um cidadão israelense.

O Ministério da Saúde palestino confirmou por meio de um comunicado a morte de quatro pessoas e apontou que outras quatro ficaram feridas, três delas gravemente, depois que um grupo de colonos irrompeu e atacou várias residências situadas na parte oriental desta população, próxima ao assentamento de Havat Gilad, ao sul da cidade cisjordana de Nablus, de acordo com as informações divulgadas pela agência oficial de notícias palestina WAFA.

Um porta-voz do Ministério assegurou que militares e colonos israelenses abriram fogo de maneira "indiscriminada" contra os civis palestinos da zona e precisou que as vítimas mortais palestinas são dois irmãos e seus primos. Além disso, denunciou que as forças israelenses transformaram a localidade em uma "zona militar fechada".

Segundo o prefeito de Tell, Walid Zidan, o assalto foi realizado por cerca de uma vinte de colonos entre as 7h30 e as 8h00 (hora local). "Os residentes acudiram rapidamente em defesa dos proprietários de residências da zona. Um confronto verbal com os colonos derivou em uma briga física quando os aldeões tentaram repelir o ataque", relatou em uma nota coletada pela agência palestina Sanad. O regente denunciou ainda que "existe uma incitação generalizada por parte dos líderes israelenses. Afirmamos que são os colonos quem atacam os palestinos, assaltam suas casas e se apoderam de terras, sem deixar aos residentes outra opção a não ser se defender".

Isam Al Saifi, secretário local do movimento palestino Al Fatá, acusou soldados israelenses de colaborar com os colonos armados, que teriam disparado contra os habitantes palestinos. De acordo com os dados do Ministério da Saúde palestino, desde o início do ano morreram 87 palestinos nas governadorias da Cisjordânia, 21 deles às mãos de colonos.

As autoridades israelenses, por sua vez, informaram de um morto, um israelense de 30 anos, e de outros dois feridos, um deles em estado crítico. O Exército colocou em marcha uma operação de busca e captura para localizar vários palestinos supostamente implicados nos incidentes, a quem responsabiliza por ter subtraído uma arma e aberto fogo contra os colonos.

De acordo com a versão das Forças de Defesa de Israel (FDI), as tropas foram deslocadas para uma área próxima a Tell depois que vários colonos denunciaram um ataque enquanto praticavam caminhadas nas redondezas. "Um terrorista roubou uma arma de um agente e abriu fogo contra os civis israelenses", indicaram, antes de sublinhar que os soldados "eliminaram rapidamente o terrorista que perpetraram o ataque". "Foi eliminado rapidamente e a arma foi recuperada", acrescentaram.

NETANYAHU PROMETE AGIR COM "FIRMEZA"

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu responder "com firmeza" e convocou uma reunião de segurança com o ministro da Defesa, Israel Katz, e o chefe do Exército, Eyal Zamir, após os acontecimentos, segundo um comunicado divulgado por seu escritório.

"Agiremos com toda a força possível contra os terroristas e quem os envia, e não permitiremos que o terrorismo volte a surgir na área", destacou Netanyahu, que adiantou que analisará "opções para responder a este ataque assassino perto de Havat Gilad".

Zamir ordenou reforçar o deslocamento militar na área ao longo da manhã após o que qualificou como um "grave ataque terrorista" e instou a "apreender" todos os implicados.

O ministro das Finanças, o ultradireitista Bezalel Smotrich, exigiu às Forças Armadas "tomar medidas contundentes contra os palestinos" após os confrontos. "Não podemos normalizar o enfraquecimento nem o reaparecimento de nossos inimigos contra os pioneiros dos assentamentos e das fazendas. Exijo que as FDI ajam com firmeza contra a localidade responsável pela violência e os residentes de seus arredores", afirmou em uma mensagem divulgada nas redes sociais.

"Os heroicos trabalhadores agrícolas e pioneiros são o muro de proteção do Estado de Israel. Continuaremos fortalecendo-os e honrando-os por sua firme defesa de nossa existência na terra de Israel frente ao terrorismo árabe", afirmou Smotrich, que pediu "tomar o controle de toda a zona".

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