Ampliação | Coreia do Norte ataca as manobras dos EUA e da Coreia do Sul apesar do corte anunciado por Trump

Pyongyang denuncia as manobras Escudo da Liberdade Ulchi dos EUA e da Coreia do Sul como uma ameaça direta apesar do corte anunciado por Trump.

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As autoridades da Coreia do Norte voltaram a criticar nesta quarta-feira os exercícios militares conjuntos realizados pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul, apesar da redução "substancial" comunicada no início desta semana pelo presidente americano, Donald Trump, ao considerar que representam uma ameaça direta para a estabilidade e a segurança regional.

Essas manobras, denominadas 'Escudo da Liberdade Ulchi', se prolongarão por onze dias e representam uma "ameaça imediata e manifesta" para a Coreia do Norte, uma vez que "exacerbam as tensões na península e a encaminham para a guerra", advertiram, de acordo com as informações divulgadas pela agência estatal norte-coreana KCNA.

Segundo Pyongyang, os treinamentos se orientam "cada vez mais" para "melhorar a capacidade dos aliados de travar uma guerra real e incorporar tecnologias como a inteligência artificial, o uso de drones e capacidades cibernéticas". Por esse motivo, o regime sublinhou que fará uso de seu direito à "defesa legítima" para "neutralizar completamente" o que define como "ameaças militares".

Kim Yo Jong, influente irmã do dirigente norte-coreano Kim Jong Un, evitou pronunciar-se sobre a extensão do corte dos exercícios anunciado por Trump, insistindo que para Pyongyang isso "é completamente irrelevante".

"O fato de que se reduza a escala ou a duração do treinamento não muda a natureza dos exercícios militares, que são provocadores e agressivos", acrescentou em um comunicado divulgado pela KCNA, no qual destacou que Seul e Washington desenvolveram manobras desse tipo "somente este ano" de fevereiro a julho.

A subdiretora do departamento do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia (PTC) minimizou assim o gesto de Trump, ao estimar que essa redução "compensa" os exercícios já realizados em 2026.

"Se a parte americana calcula que as medidas que tomou nesta ocasião são uma espécie de 'medidas de boa vontade', não obterá a resposta que deseja", apontou.

Kim afirmou ainda que desconhece os detalhes das comunicações entre seu irmão e o presidente dos Estados Unidos: "A relação entre os dois líderes é excelente. Todo mundo sabe disso, e não me parece nada particularmente surpreendente", manifestou, antes de ressaltar que, mesmo assim, "a política hostil dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte não mudou".

Estas declarações ocorrem poucos dias depois que o mandatário americano ordenou reduzir a implicação de suas tropas nas manobras, levando em conta a boa sintonia que mantém com Kim Jong Un. De Seul, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, também expressou sua vontade de impulsionar um acercamento diplomático com o líder norte-coreano para reduzir a tensão na península.

Coreia do Sul e Estados Unidos continuam organizando a cada ano exercícios destinados a reforçar sua capacidade de defesa conjunta. O mais recente começou na segunda-feira com a participação de milhares de militares de ambos os países.

Desde 1994, Seul mantém o controle operacional de suas Forças Armadas em tempos de paz. No entanto, em caso de eclodir um conflito armado de grande envergadura na península coreana, as forças sul-coreanas e americanas passariam a se integrar em um comando unificado sob liderança de Washington, o Comando de Forças Combinadas.

Esse esquema procede da Guerra da Coreia, quando Seul cedeu o comando operacional a uma força da ONU dirigida então pelos Estados Unidos. No final dos anos 70, esse controle foi transferido para o Comando Conjunto de Forças da Coreia do Sul e Estados Unidos.

A transferência completa do comando sobre as Forças Armadas sul-coreanas está condicionada a que o país cumpra vários requisitos, principalmente de caráter operacional e tecnológico, entre eles o desenvolvimento de avançados sistemas de defesa antimísseis.

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