O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, anunciou nesta terça-feira a próxima saída do país de dois diplomatas iranianos, declarados pessoas 'non grata'. A medida, que será executada "nos próximos dias", se enquadra como resposta direta à detenção de dois membros do pessoal diplomático francês no Irã no dia 19 de julho passado.
"Dois diplomatas iranianos na França serão expulsos nos próximos dias", indicou o chefe da diplomacia francesa em suas redes sociais, qualificando o episódio que a motiva como um ato "intolerável".
Barrot lembrou que já havia avisado que a detenção de dois trabalhadores da Embaixada francesa em Teerã "teria consequências". "Assim foi", sublinhou, em alusão à represália diplomática agora anunciada.
O ministro explicou que "precisamente porque a França se mantém ao lado do povo iraniano, apoiando seus artistas, cientistas e pesquisadores, dois diplomatas franceses foram agredidos de forma escandalosa e deliberada no dia 19 de julho", um incidente que Paris considera inaceitável.
Ao mesmo tempo, lamentou que "o povo iraniano é a principal vítima deste período de extrema tensão no Oriente Médio, preso entre a sangrenta repressão das manifestações de janeiro de 2026 e os bombardeios", situando o caso em um contexto regional de forte instabilidade.
O Ministério das Relações Exteriores francês confirmou que os dois representantes iranianos foram formalmente declarados pessoas 'non grata', decisão que foi comunicada nesta mesma terça-feira ao embaixador do Irã, Mohamad Amin-Nejad, convocado à sede do ministério em Paris.
Em um comunicado, a diplomacia francesa reprochou às autoridades iranianas que "em vez de esclarecer este ataque premeditado e deliberado, punir os responsáveis e (...) garantir a segurança de nossas instalações e pessoal", tenham lançado "acusações totalmente falsas" contra os agentes franceses e construído "um caso de ingerência para justificar suas ações".
A França já havia chamado o encarregado de negócios iraniano no dia 21 de julho para transmitir uma protesto formal pelo ocorrido dois dias antes, que Paris descreveu como um ato de "intimidação extremamente grave".
Em resposta, o Governo iraniano optou por uma contramedida similar, declarando também pessoas 'non grata' aos dois funcionários franceses, segundo uma nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã e recolhida pela televisão estatal IRIB.
Segundo a pasta iraniana, esta decisão, que implica a proibição de entrada em território iraniano, é adotada "à vista das atividades contrárias ao Direito internacional" atribuídas aos diplomatas franceses e, especialmente, porque a França "não tomou nenhuma medida para retificar seu comportamento e garantir que tal conduta não se repita".