Israel defendeu esta quinta-feira os seus recentes bombardeios contra posições do partido-milícia xiita Hezbolá no sul do Líbano, alegando a presença de "infraestrutura terrorista" na zona, apesar do cessar-fogo em vigor e enquanto se desenvolve na Itália a sétima rodada de negociações para tentar pôr fim ao conflito, agora questionada pela escalada no terreno.
O Exército israelense explicou em um comunicado que "durante as operações das forças de segurança na zona, foram localizadas milhares de infraestruturas utilizadas pela organização terrorista Hezbolá, entre elas: quartéis-generais, postos avançados, plataformas de lançamento, postos de observação, infraestruturas subterrâneas e numerosas armas".
As Forças de Defesa de Israel sustentam que Hezbolá tem consolidado "ao longo dos anos" uma rede operacional em áreas rurais do sul do país, "implantando infraestruturas terroristas no coração da população civil" e utilizando "cinicamente os residentes libaneses", o que, segundo denunciam, os coloca "em risco".
Em paralelo, as conversas entre as delegações em Roma foram seriamente afetadas por esses últimos ataques, que provocaram até o momento a morte de dois militares israelenses e deixaram outros quatro feridos pela explosão de um artefato na localidade de Majdal Zun, no sul do Líbano.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e sua esposa Sara lamentaram publicamente o falecimento dos dois uniformizados --identificados como o major Harel Birenstock e o sargento maior Tamir Vaknin--, a quem descreveu como "combatentes valentes" que "lutaram heroicamente para defender os habitantes do norte e o Estado de Israel".
"Expressamos nossas mais sinceras condolências às famílias que perderam o que há de mais precioso para elas e desejamos uma pronta e completa recuperação aos combatentes que ficaram feridos nesse mesmo incidente", acrescentou o comunicado do escritório do primeiro-ministro.
No outro lado da fronteira, o Ministério da Saúde do Líbano confirmou na véspera que um bombardeio aéreo sobre a cidade de Tebnine, no distrito de Bint Jbeil, causou um morto e pelo menos doze feridos. Além disso, as autoridades libanesas informaram esta quinta-feira que outras oito pessoas ficaram feridas por novos ataques aéreos israelenses contra a cidade de Burj al Shamali.
O Exército israelense também realizou na quarta-feira uma série de ataques no distrito de Tiro, igualmente no sul do país, pouco depois de ordenar a evacuação forçada dos residentes do município de Al Mansuri, onde em julho ainda permaneciam cerca de 1.500 pessoas, segundo os dados fornecidos pelas autoridades locais.