Ampliação | Netanyahu confirma que viajará a Nova Iorque apesar das ameaças do prefeito Mamdani

Netanyahu insiste em viajar para Nova Iorque apesar das ameaças de Mamdani e da ordem de prisão do TPI pela ofensiva israelense em Gaza.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que incluirá Nova York em sua próxima visita aos Estados Unidos, desconsiderando os avisos lançados nos últimos dias pelo prefeito da cidade, Zohran Mamdani. O regente chegou a levantar publicamente a possibilidade de deter o dirigente israelense, sobre quem pesa uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), apesar de seu cargo não lhe conferir competências para executar tal ordem.

Netanyahu, em uma entrevista concedida à rede americana Fox News, confirmou sua decisão de se deslocar para a cidade e respondeu com dureza às acusações de Mamdani. "Primeiro de tudo, vou para Nova York. Vou dizer a verdade diante deste funcionário eleito que cospe ódio", afirmou o primeiro-ministro ao aludir às manifestações do prefeito.

Na mesma conversa, o chefe do Governo israelense criticou que o dirigente nova-iorquino esteja, em sua opinião, alimentando a divisão social. Segundo Netanyahu, o prefeito está "colocando um grupo de nova-iorquinos contra outros". "Ele está virando-os contra os judeus de Nova York. Quero dizer, o que estamos, nos anos 30? Tanto ódio. Tantas mentiras", acrescentou, denunciando um clima crescente de hostilidade em relação à comunidade judaica.

Horas depois da entrevista, Netanyahu reforçou sua mensagem por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais pessoais, no qual voltou a atacar Mamdani e o relacionou com um recente ataque com arma branca contra um cidadão judeu na cidade. "Ele está fomentando o ódio e o medo. Falo com judeus americanos em Nova York e agora mesmo eles têm medo. E não acho que seja coincidência que, depois que pronunciei este discurso de ódio contra Israel e contra mim, no dia seguinte apunhalaram um judeu ao sair de uma cidade", sustentou o mandatário.

O primeiro-ministro também acusou o prefeito de "celebrar" o ataque do Movimento de Resistência Islâmica (Hamás) contra território israelense em 7 de outubro de 2023, estendendo essa acusação ao seu entorno familiar. Netanyahu enquadrou essas atitudes em um contexto mais amplo de antissemitismo nos Estados Unidos. "E acho que isso faz parte dessa linguagem de incitação ao ódio que está devastando muitos círculos dos Estados Unidos com o antissemitismo. Mas o pior é que está atormentando seus próprios cidadãos, seus próprios eleitores. Isso está errado (...) Ninguém me impedirá de lutar pela verdade de Israel", ressaltou.

A viagem de Netanyahu aos Estados Unidos está prevista para setembro, com motivo da Assembleia Geral da ONU. O embaixador de Israel junto às Nações Unidas, Danny Danon, confirmou que o primeiro-ministro comparecerá ao encontro em Nova York e retornará posteriormente a Israel, sublinhando que não existe base legal para impedir sua presença no país.

Essa polêmica se soma às declarações anteriores de Netanyahu, que já havia acusado Mamdani em outra entrevista de apoiar abertamente as ações do Hamás durante os ataques de 7 de outubro, nos quais morreram 1.200 pessoas e cerca de 250 foram sequestradas pelas milícias palestinas.

Sobre Netanyahu pesa uma ordem de detenção emitida pelo TPI por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade vinculados à ofensiva militar israelense sobre a Faixa de Gaza. Segundo as autoridades de Gaza, a operação causou até a data mais de 73.300 palestinos mortos, um número que intensificou o escrutínio internacional sobre a atuação do Governo israelense e alimentou o debate jurídico e político em torno de seu possível arresto durante viagens ao exterior.

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