EEUU reclama ante um tribunal da Flórida imunidade para Delcy Rodríguez na demanda de três exdetidos

EEUU pede a um tribunal da Flórida que reconheça a imunidade de Delcy Rodríguez na ação de três exdetidos americanos contra autoridades venezuelanas.

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O Governo dos Estados Unidos pediu formalmente a um tribunal federal da Flórida que reconheça à presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, sua "imunidade" frente a uma demanda civil apresentada contra várias autoridades venezuelanas. A queixa foi interposta por três cidadãos americanos que estiveram encarcerados durante meses pelo Executivo de Nicolás Maduro e que finalmente foram liberados em uma troca com a Administração de Joe Biden.

Segundo o escrito registrado pelo Departamento de Justiça perante o Tribunal do Distrito Sul da Flórida, "Estados Unidos informa respeitosamente a este Honroso Tribunal do interesse do Governo dos Estados Unidos na demanda pendente contra a presidenta Delcy Rodríguez, atual chefe de Estado da República Bolivariana da Venezuela, e por meio do presente solicitam ao Tribunal que lhe reconheça imunidade frente a esta demanda". Este documento, denominado sugestão de imunidade, insta o juiz a aceitar que a condição de Rodríguez como chefe de Estado a coloca fora do alcance da jurisdição americana enquanto continuar no cargo.

Na exposição de motivos, a Administração de Donald Trump deixa claro seu interesse no litígio "porque a demandada Delcy Rodríguez é a atual chefe de um Estado estrangeiro, Venezuela, que goza de imunidade frente à jurisdição deste Tribunal enquanto permanecer no cargo". O Governo americano sustenta que a doutrina de imunidade de Estado protege os mandatários em exercício frente a procedimentos judiciais em tribunais dos Estados Unidos.

O procurador-geral adjunto Brett A. Shumate sublinha na carta remetida ao juízo que "neste caso, dado que o Poder Executivo determinou que a presidenta Rodríguez, como chefe de Estado da Venezuela, goza de imunidade de Estado frente à jurisdição dos tribunais americanos em virtude de seu cargo atual, a presidenta Rodríguez tem direito à imunidade da jurisdição deste Tribunal sobre esta demanda enquanto ocupe tal cargo". Desta forma, o Executivo norte-americano respalda que a causa não possa prosseguir contra ela enquanto mantenha sua posição institucional.

Na mesma linha, e a modo de fechamento, o Departamento de Justiça conclui que "a presidenta Delcy Rodríguez goza de imunidade nesta ação e que todas as demandas contra ela devem ser rejeitadas sem prejuízo". Esta fórmula jurídica implica que o arquivamento das reclamações não impediria que, em outras circunstâncias, pudessem ser reapresentadas se desaparecessem as condições atuais de imunidade.

O procedimento se origina na demanda de três americanos —Jerrel Kenemore, Jason Saad e Edgar Marval— que exigem uma compensação econômica pelo tempo que permaneceram detidos na Venezuela, onde denunciam ter sofrido torturas, até que uma troca acordada entre os governos de Nicolás Maduro e Joe Biden permitiu sua liberação. O caso é direcionado contra altos cargos do chavismo e estruturas vinculadas ao poder venezuelano.

O juiz Darrin P. Gayles havia fixado inicialmente uma indenização de 314 milhões de dólares (cerca de 275 milhões de euros) contra os demandados, entre os quais figuram sete pessoas —incluindo Maduro, Rodríguez e o empresário e ex-ministro da Indústria venezuelano Alex Naim Saab Morán—, assim como o Cartel dos Soles. A solicitação de imunidade apresentada agora por Washington busca que, ao menos no que diz respeito a Rodríguez, essa responsabilidade fique sem efeito enquanto continuar como chefe de Estado.

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