A segunda etapa das disputadas eleições locais na Caxemira administrada pelo Paquistão concluiu neste domingo em um clima de novas acusações de fraude entre as duas formações mais votadas: o partido no poder, a Liga Muçulmana do Paquistão (N), que lidera a contagem provisória, e o opositor Partido Popular do Paquistão (PPP). A jornada se desenvolveu sem a violência extrema registrada na primeira rodada, que deixou, segundo organizações caxemires, mais de 30 falecidos pela repressão das forças de segurança.
As tensões nesta zona da Caxemira controlada por Islamabad, que a vizinha Índia qualifica de território ocupado, se arrastam há décadas. Nas últimas semanas, voltaram a se intensificar, aproveitando o contexto eleitoral, quando coletivos locais acusaram o Executivo paquistanês de manter uma política de marginalização e abandono econômico em uma região considerada um dos grandes polos energéticos do país.
O principal movimento de protesto da área, o Comitê Conjunto de Ação Popular (JAAC), que divulgou o balanço de vítimas fatais da primeira volta de 27 de junho, foi ilegalizado pelo Governo regional no mês anterior. A Anistia Internacional pediu uma investigação minuciosa e transparente sobre esses fatos, enquanto o comércio local fechou durante a segunda votação, à espera do que possa acontecer na terceira fase prevista para 10 de agosto.
Na primeira rodada, a Liga Muçulmana do Paquistão-N conquistou nove dos 13 assentos em disputa e, segundo dados de boca de urna divulgados pela GEO TV, neste domingo teria conseguido cerca de dez dos 14 postos em disputa. O PPP, liderado por Bilawal Bhutto, denunciou uma fraude eleitoral em grande escala e Bhutto recorreu às redes sociais para responsabilizar supostos elementos extremistas vinculados ao seu adversário por terem disparado contra trabalhadores eleitorais de sua formação.
Foi confirmada a morte de um homem em Muzaffarabad, a capital regional. O Governo do Paquistão afirma que ele faleceu por um parada cardíaca ao tentar intervir em uma briga entre simpatizantes de ambos os partidos, e nega que tenha morrido por disparos, como afirmou inicialmente o PPP.
Como em convocatórias anteriores, o principal partido opositor do país, o Movimento pela Justiça do Paquistão, liderado pelo ex-primeiro-ministro encarcerado Imran Jan, optou por boicotar estas eleições. A formação alega que estavam destinados a se tornar um exercício de fraude orquestrado pela Liga Muçulmana do Paquistão (N), fundada pela nêmesis de Jan, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.