Irã admite troca de mensagens com os EUA, mas insiste que sua prioridade é salvaguardar sua integridade

Irã confirma contatos indiretos com os EUA, mas ressalta que sua prioridade é defender sua soberania, sua integridade territorial e a segurança de sua população.

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As autoridades do Irã reconheceram que mantêm uma troca de mensagens com os Estados Unidos, embora tenham ressaltado que sua "prioridade" no contexto atual passa por "defender" sua "soberania" e "integridade territorial" e garantir a proteção de sua população "dos crimes de guerra que está cometendo" o país norte-americano.

"Eles --os americanos-- estão trocando mensagens, mas para o Irã a prioridade na situação atual é defender nossa soberania e integridade territorial e proteger nosso povo desses crimes de guerra que está cometendo os Estados Unidos", destacou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqaei, em uma entrevista para a cadeia austríaca ORF, recolhida pela agência iraniana ISNA.

A seguir, o porta-voz detalhou suas palavras sublinhando que, embora "os mediadores estejam ocupados fazendo seu trabalho", para a cúpula dirigente da República Islâmica, que, denunciou, "está sendo bombardeada e atacada", a "prioridade principal" continua sendo "defender o Irã".

"Os mediadores, entre eles Paquistão e Catar, estão ativos e trocando mensagens entre as partes", indicou o alto funcionário, ressaltando que, apesar de o Irã "nunca ter evitado a mesa de negociações", também não aceitará um diálogo "cujo propósito seja ditar ou impor exigências".

Por outro lado, Baqaei descreveu os ataques mais recentes do Exército americano em território iraniano como "uma continuação da guerra ilegal" iniciada no dia 28 de fevereiro após a ofensiva conjunta de Washington e Israel contra Teerã.

"Fomos testemunhas de um cessar-fogo. Entramos no processo de negociação de boa fé, tanto pelo bem de nosso próprio povo quanto para garantir a segurança da região e do mundo. Negociamos de boa fé e conseguimos alcançar um memorando de entendimento para pôr fim à guerra em todas as frentes", afirmou o iraniano acrescentando a seguir que os Estados Unidos, "desde os primeiros dias, evitaram o cumprimento de suas obrigações alegando diversas desculpas".

Neste sentido, após enfatizar que Teerã "cumpriu todos os seus compromissos para facilitar a passagem segura dos navios pelo estreito de Ormuz", o porta-voz criticou que, pouco depois da assinatura do referido memorando, os Estados Unidos lançaram "uma agressão militar em grande escala contra o Irã utilizando como pretexto os incidentes contra a navegação mercante" naquele enclave estratégico, onde o tráfego se encontra agora em mínimos históricos devido ao duplo bloqueio imposto pelas autoridades americanas e iranianas.

"Este memorando de entendimento não é um documento longo e complicado; trata-se de um breve memorando de entendimento com 14 cláusulas, e o mundo inteiro esperava que, ao menos desta vez, os Estados Unidos cumprissem com suas obrigações", indicou, enfatizando que o texto é "inequívoco", "não admite interpretações" e que, por isso, "o que os Estados Unidos fizeram constitui uma violação clara e flagrante de diversas disposições deste acordo" no que, sustentou, representa uma "traição à diplomacia pela terceira vez".

Interrogado sobre os últimos episódios registrados em Ormuz, incluindo a explosão neste mesmo domingo de uma mina ao passar de um petroleiro que, segundo as autoridades iranianas, "se desviou da rota especificada pelo Irã", Baqaei reivindicou o papel de seus cidadãos como "guardians da segurança" do estreito e do golfo Pérsico "durante muitos anos".

"Nós garantimos a segurança dos barcos e navios que atravessam esta via navegável estratégica apesar de estarem submetidos às sanções mais severas das últimas décadas", defendeu, insistindo que, em sua opinião, "os incidentes ocorridos no estreito de Ormuz não foram provocados pelas ações do Irã" mas que "são consequência direta da agressão dos Estados Unidos e de Israel" contra o país.

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