Irã avaliou neste sábado, com certo ceticismo, o pacto defensivo selado em Meca entre Turquia, Paquistão e Arábia Saudita, ao considerá-lo um modelo a ser levado em conta por ser um acordo circunscrito a países da própria região. No entanto, Teerã ressalta que ainda falta uma "folha de rota" que concretize suas metas e alertou que "os erros de cálculo" podem ter consequências graves.
Em uma mensagem dirigida de forma especial à Arábia Saudita e aos Estados Unidos, o influente porta-voz iraniano Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança do Parlamento iraniano, sublinhou que o entendimento alcançado demonstra que "os estados árabes finalmente compreendem que a segurança não pode ser importada, mas deve ser construída dentro da região", conforme destacou.
O acordo —assinado pelo príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salmán; o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif— abrange "o compromisso compartilhado" de "fortalecer" a segurança coletiva e de "promover a paz, a segurança e a estabilidade na região e além, em busca de um futuro seguro e próspero".
Esse entendimento chega depois que Riad e Islamabad rubricaram no ano passado um acordo de defesa que já abria a porta a uma dissuasão conjunta. Naquele momento, o ministro da Defesa do Paquistão, Jawaja Asif, não descartou somar um terceiro país a essa estrutura.
Com este pacto considerado histórico, as três potências tentam reforçar sua colaboração militar em um contexto marcado pela guerra entre os Estados Unidos e Irã, que atingiu território saudita e alterou o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, um passo estratégico para o transporte de petróleo na região.
"No entanto, ainda falta uma folha de rota", advertiu Azizi, que acompanhou suas palavras com um sério chamado de atenção. "Um erro de cálculo é um erro histórico. Irã demonstrou que cada equívoco tem um custo. O equilíbrio é o único caminho a seguir", concluiu.