O presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., saiu em defesa de sua atuação diante dos escândalos de corrupção revelados no ano passado, que desencadearam protestos em todo o país ao implicar dezenas de parlamentares, altos cargos e contratantes, muitos deles acusados de receber subornos vinculados a projetos de controle de enchentes.
"Fiel à minha promessa, realizamos uma investigação minuciosa e profunda, sem preconceitos em relação a ninguém. Examinamos minuciosamente os fatos e seguimos o rastro onde quer que as provas nos levassem. Fizemos tudo o que era necessário para chegar ao fundo da questão", afirmou em uma mensagem à nação.
O chefe de Estado destacou que há "contratantes, altos funcionários e legisladores" já processados por sua suposta implicação nesta rede corrupta, e insistiu que o Executivo submete cada iniciativa pública a um "rigoroso escrutínio", desde a fase de design e o cálculo de custos até sua execução no terreno.
Ferdinand acrescentou que, segundo o Defensor do Povo, "está perto de apresentar múltiplas acusações" contra o ex-presidente da Câmara dos Representantes, Martín Romualdez, parente do mandatário — é seu primo —, que rejeitou ter incorrido em qualquer conduta ilícita.
"Tudo o que foi recuperado dos indivíduos corruptos implicados será reintegrado sem demora aos cofres públicos", afirmou o presidente, depois que uma comissão independente encarregada de esclarecer os fatos informou há meses sobre a recuperação de dinheiro, veículos de alta gama e outros ativos nas mãos de contratantes e funcionários apontados por corrupção.
O montante global dos fundos e bens recuperados gira em torno de 25.000 milhões de pesos filipinos (356 milhões de euros). "Incorporamos recém-formados, assim como pessoal honesto e confiável, sob modalidades de contratação por ordem de trabalho e prestação de serviços", precisou.
Marcos foi acusado pela oposição de empregar essa comissão independente, criada para esclarecer o caso, como escudo para proteger seus próprios interesses, assim como sua família e seus aliados políticos, em particular diante das críticas pela ausência de medidas cautelares contra Romualdez.
No início de junho, o senador Jinggoy Estrada se apresentou voluntariamente à Polícia após ser acusado de supostamente ter recebido propinas de 573 milhões de pesos filipinos, algo menos de oito milhões de euros, em relação a um contrato de infraestruturas.
No núcleo da trama está uma bateria de projetos de defesa contra inundações, financiados com fundos públicos e avaliados em torno de 9.000 milhões de euros. Parte desse dinheiro teria sido desviado por contratantes privados através de "projetos fantasmas" e obras deficientes em múltiplas áreas que terminaram alagadas pelo impacto dos tufões 'Kalmaegi' e 'Fung-wong', que causaram mais de 250 falecidos.