A dirigente oposicionista venezuelana e Prêmio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, reiterou nesta terça-feira que "a transição vem" para a Venezuela, em coincidência com o segundo aniversário das eleições de 28 de julho, nas quais Nicolás Maduro se declarou vencedor sem mostrar as atas eleitorais que comprovassem oficialmente seu triunfo e que, segundo a oposição, teriam concedido a vitória ao candidato Edmundo González.
Em uma mensagem em vídeo divulgada através de suas redes sociais, Machado lembrou a data eleitoral de há dois anos e seu impacto político no país. "No dia 28 de julho, os venezuelanos mudamos a história. Fizemos isso nós, juntos, com nossas próprias mãos. (...) No dia 28 de julho nos demos um mandato e vamos cumpri-lo. Levante-se Venezuela, a transição vem e é com o povo", afirmou.
A oposicionista vinculou esse momento à tragédia recente provocada pelo duplo terremoto do mês passado, que deixou mais de 5.500 mortos, e criticou com dureza a atuação do Executivo agora liderado por Delcy Rodríguez. Segundo denunciou, as autoridades "confirmaram o que são, sua total falta de humanidade e de compaixão, sua infinita crueldade", diante de "o povo (que) como aquele 28 de julho há dois anos, foi o povo que salvou o povo, com a alma dilacerada, o país se ativou para ajudar como podia, longe ou perto, muito ou pouco, todo mundo deu, e a Venezuela se levantou mais uma vez".
Machado sublinhou que, a seu ver, aquele dia eleitoral marcou um ponto de inflexão na sociedade venezuelana. "Cada um assumiu sua própria responsabilidade. As rédeas de seu destino. Aquele dia a Venezuela mudou para sempre. Uma tirania covarde e cruel mais uma vez nos subestimou. Não nos viu chegar porque desprezam o povo. Porque sempre se acreditaram intocáveis, impunes. (...) O dia 28 de julho foi muito mais do que a maior vitória eleitoral da nossa história. Foi uma vitória ética e existencial", afirmou.
A líder oposicionista também quis prestar homenagem àqueles que, segundo disse, pagaram o preço dessa luta e àqueles que responderam diante da catástrofe recente. "Hoje reconhecemos nossos heróis, os caídos e presos pela gesta de 28 de julho, os salvadores e resgatadores destas últimas semanas. É o mesmo espírito, o mesmo povo, nobre, valente, unido, decidido, que nunca se rende, que nunca se cansa, que nunca se cala", acrescentou, antes de instar seus seguidores a "concluir a tarefa".