O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, atacou nesta quarta-feira o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Internacional de Justiça (CIJ) pelos procedimentos abertos em ambas as instâncias contra dirigentes israelenses. Ele atribuiu essas ações a "agendas políticas extremas" durante uma reunião realizada em Quito com o presidente do Equador, Daniel Noboa, e o ministro das Relações Exteriores equatoriano, Roberto Kury.
Após o encontro com ambos os mandatários, Saar indicou em uma publicação nas redes sociais que lhes transmitiu "o sequestro dos 'tribunais internacionais' ao serviço de agendas políticas extremas que atentam contra as democracias e contra a soberania dos Estados".
"Esse é o caso da 'Corte Penal Internacional', que cometeu e continua cometendo uma injustiça flagrante contra Israel", manifestou, reivindicando seu país como "um Estado democrático que combate o terrorismo" e sublinhando que este "nem mesmo é membro" do TPI. O Tribunal emitiu ordens de detenção contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.
"O mesmo ocorre com a CIJ", acrescentou o titular das Relações Exteriores israelense, que afirmou que esta Corte é "utilizada de maneira sistemática com fins políticos contra Israel", em alusão ao processo por genocídio aberto contra o país em relação à ofensiva sobre a Faixa de Gaza --que soma mais de 73.300 mortos e 174.200 feridos-- após os ataques de grupos armados palestinos em outubro de 2023.
Acordos em matéria econômica e de segurança
A visita, a primeira que realiza um ministro das Relações Exteriores israelense ao Equador em 44 anos, também permitiu fechar compromissos nas áreas econômica e de segurança, segundo apontaram tanto Saar quanto a Presidência equatoriana e foram concretizados pelos ministérios das Relações Exteriores e Interior do país andino.
"À medida que acordamos avançar em um acordo de livre comércio", indicou o ministro israelense, "assinamos dois acordos adicionais que refletem nossa crescente aliança, o fortalecimento da cooperação na luta contra o terrorismo e uma declaração conjunta para ampliar a colaboração nas áreas da economia e da inovação". "Também acordamos aprofundar a cooperação prática através do MASHAV, a Agência Israelense de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento", acrescentou.
O primeiro dos acordos mencionados por Saar é, de acordo com o detalhado nas redes pelo Ministério do Interior do Equador, "um Memorando de Entendimento que impulsionará a cooperação bilateral, a troca de capacidades e o desenvolvimento de ações conjuntas para combater o terrorismo, o crime organizado transnacional, o tráfico ilícito de drogas e as novas ameaças à segurança".
O segundo se articula por meio de "uma Declaração Conjunta que estabelece o Diálogo Econômico Ampliado", comunicou a Chancelaria equatoriana, que o definiu como "um mecanismo que impulsionará a cooperação em comércio, investimento, cibersegurança, inovação e tecnologia".