Os incêndios declarados no departamento de Gironda, no sul da França, já devastaram mais de 12.000 hectares e obrigaram as autoridades a ordenar a evacuação de 44.000 residentes nos últimos dois dias.
As autoridades regionais detalharam que o fogo continua avançando pelo norte da bacia de Arcachon e que já "destruiu" mais de 12.500 hectares de massa florestal. A prefeitura também advertiu que "As condições meteorológicas continuam sendo desfavoráveis, com rajadas de vento que podem alcançar os 80 quilômetros por hora e tempestades secas que podem estourar de forma localizada", segundo uma comunicação coletada pelo jornal 'Le Monde'.
Apesar da magnitude do incêndio e de que se desenvolve em uma área muito frequentada por turistas, próxima à cidade de Bordéus, as autoridades confirmaram que não foram registradas vítimas fatais.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, precisou que, no total, 40.000 pessoas foram evacuadas no departamento de Gironda e outras 23.000 nas Landas "a título preventivo" e "para proteger as populações dos incêndios em curso".
"Essas evacuações, organizadas segundo procedimentos comprovados, testemunham a antecipação e a mobilização de todos os serviços do Estado", sublinhou Nuñez, que elogiou o "compromisso exemplar" das forças de segurança. O ministro indicou que 330 gendarmes participam nas tarefas de evacuação e acompanham os vizinhos afetados pela emergência.
"Dirijo todo meu apoio aos habitantes obrigados a abandonar suas residências. Agradeço também aos bombeiros que lutam, aos prefeitos, às associações acreditadas de segurança civil e a todos os atores mobilizados ao lado dos serviços do Estado", manifestou, antes de insistir que sua implicação "é essencial para proteger os franceses diante dessa prova".
Em paralelo, outro grande incêndio declarado nesta terça-feira no departamento de Var, no sudeste do país, queimou mais de 3.700 hectares. Neste caso, o Ministério do Interior apontou que a evolução do tempo é "bastante favorável", o que facilita as tarefas de extinção.
Mensagem de apoio de líderes europeus
Diante da gravidade da situação na França, o chanceler alemão, Friedrich Merz, qualificou de "devastadores" os incêndios e reiterou que a Alemanha está preparada para assistir à França no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da UE. "Nossos pensamentos estão com as pessoas afetadas, assim como com as equipes de intervenção", destacou.
Na mesma linha, o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, reafirmou seu apoio à França. "Quando as pessoas, a natureza e as sociedades estão ameaçadas, os países europeus devem poder apoiar-se mutuamente", defendeu, confirmando o envio de ajuda por meio do mecanismo europeu.
Concretamente, explicou que Estocolmo decidiu enviar hidroaviões para colaborar na luta contra as chamas. "O esforço demonstra a força da preparação civil da Suécia. Que possamos mobilizar recursos rapidamente e ajudar outro país é uma prova clara da capacidade que estamos construindo", acrescentou.