O Governo do Peru comunicou neste domingo que, de um total de 459 cidadãos peruanos que teriam se incorporado às forças russas na guerra da Ucrânia, pelo menos onze perderam a vida, 114 figuram como desaparecidos e três foram "capturados" pelo Exército ucraniano.
"Foi conhecido que 459 peruanos se alistaram, registrando-se lamentavelmente onze falecidos, 114 desaparecidos e três capturados pelo Exército ucraniano", informou o Ministério das Relações Exteriores do país andino em um comunicado oficial.
O mesmo escrito do Ministério detalhou a repatriação de dois jovens peruanos "em situação de vulnerabilidade" que conseguiram escapar do "recrutamento forçado do qual foram vítimas para prestar serviços na guerra contra a Ucrânia". A estes se somam outros dois cidadãos que já haviam sido atendidos no final de julho pela seção consular da Embaixada do Peru na Rússia.
Com esses quatro últimos retornos, o número total de peruanos evacuados eleva-se a 31: deles, 28 retornaram ao país e três optaram por permanecer em diferentes pontos da Europa por decisão própria.
Nesse contexto, as autoridades peruanas reiteraram seu apelo à população para "não se deixar enganar por falsas ofertas de trabalho", advertindo que existe um elevado risco de cair nas mãos de redes criminosas dedicadas ao tráfico de pessoas.
"Prestar serviço militar para qualquer Estado estrangeiro requer autorização prévia do Governo peruano, conforme à Constituição", sublinhou o Executivo andino, que além disso instou a denunciar os recrutadores ao Ministério Público e à Polícia Nacional do Peru.
Em paralelo, na última quinta-feira a União Europeia (UE) estimou em "mais de 28.000" os cidadãos estrangeiros de "135 países" que teriam sido recrutados por Moscovo para combater na guerra da Ucrânia "como tropas de assalto", muitos deles "coagidos ou enganados".
Durante o último ano, foram tornados públicos numerosos episódios de captação de estrangeiros para lutar na Ucrânia do lado russo —incluindo coações, enganos e fraudes— que afetam tanto nacionais de países africanos como Quênia, Uganda ou Zimbábue, como cidadãos de Estados latino-americanos como Colômbia ou Bolívia.