A Justiça da Bolívia decretou nesta sexta-feira prisão domiciliar para o ex-ministro de Hidrocarbonetos e Energias Mauricio Medinaceli, destituído em abril e preso no meio desta semana por supostas irregularidades na compra e introdução no mercado de gasolina supostamente adulterada, no processo conhecido como gasolina "lixo".
O Juizado Sexto Anticorrupção de La Paz fixou para Medinaceli uma fiança de 100.000 bolivianos (um pouco mais de 7.300 euros) e vetou seu acesso às instalações do Ministério de Hidrocarbonetos, da Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH), da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscais Bolivianos (YPFB) e outras instituições implicadas na causa, segundo informam o diário "El Deber" e a cadeia Unitel.
Além disso, o ex-ministro terá que comparecer semanalmente ao Ministério Público para se submeter a um controle biométrico. Durante a audiência desta sexta-feira, após sua detenção pelos supostos crimes de descumprimento de deveres e conduta antieconômica, declarou-se "não culpado".
"Eu estou responsável pela minha mãe, que tem quase 80 anos e tem uma fratura de quadril, tem uma prótese. Nesse sentido, eu não posso deixá-la abandonada porque sou o único que a sustenta. É o que gostaria de acrescentar à defesa (sustentada por) meu advogado e declarar-me inocente", afirmou.
O Ministério Público havia solicitado para ele seis meses de prisão preventiva, alegando que o ex-ministro "omitido dispor a adoção de medidas extraordinárias de coordenação e supervisão institucional para suspender a continuidade da distribuição do combustível observado, exigir a implementação imediata de controles integrais de qualidade e coordenar com a YPFB e ANH a execução de ações destinadas a evitar a persistência da comercialização de combustível".
A ordem de prisão foi decretada depois que um relatório da comissão especial da Câmara dos Deputados da Bolívia apontou Medinaceli, junto a outros responsáveis, como suposto implicado na distribuição de combustível adulterado, que teria danificado mais de 70.000 veículos até junho, de acordo com dados da YPFB citados pela cadeia boliviana UNITEL.
No início de abril, o Governo boliviano anulou os contratos de fornecimento de gasolina com as comercializadoras de matérias-primas Vitol e Trafigura por supostos problemas de qualidade do combustível, decisão que veio após uma greve de transportadores do serviço público em La Paz e El Alto devido às avarias provocadas nos veículos pela gasolina adulterada.