Um tribunal de Moscovo impôs uma pena de 12 anos de prisão à jornalista russa Darya Shipacheva após considerá-la culpada de traição, uma figura penal que as autoridades do país empregam de forma recorrente contra opositores, ativistas e profissionais da informação.
"O tribunal condenou Shipacheva a 12 anos de prisão em uma colônia penal de regime geral e a uma multa de 300.000 rublos (3.280 euros)", apontaram fontes processuais à agência de notícias Interfax, que detalhou que o julgamento foi realizado a portas fechadas.
Além disso, o magistrado ordenou a apreensão de um milhão e meio de rublos (16.400 euros) da repórter, uma prática habitual em procedimentos penais vinculados à suposta financiamento de atividades ilícitas, embora por enquanto não tenham transcendido os detalhes concretos que sustentam a sentença.
A informadora se declarou culpada e colaborou com os investigadores durante o processo, pelo que recebeu a sanção mínima prevista para o delito de traição no artigo 275 do Código Penal russo, segundo publicou o portal opositor Meduza.
Shipacheva, que havia trabalhado para meios como o conglomerado russo RBC e a revista Forbes, foi presa em sua residência em Moscovo em abril de 2025 e posteriormente transferida para a região de Rostov do Don, onde alcançou um acordo com as autoridades encarregadas do caso.
Nos últimos anos, os tribunais russos têm proferido numerosas condenações por traição contra cidadãos acusados de cooperar com a Ucrânia ou de participar, ou planejar participar, em atos de sabotagem desde o início da ofensiva militar contra o país vizinho, lançada em fevereiro de 2022 por ordem do presidente Vladimir Putin.