Trinta deputados do principal partido opositor polaco, entre eles o ex-primeiro-ministro Morawiecki, apresentam sua demissão

Trinta deputados do PiS, incluindo o ex-primeiro-ministro Morawiecki, renunciam após se recusar a assinar um compromisso de lealdade exigido por Kaczynski.

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O líder da Lei e Justiça (PiS), Jaroslaw Kaczynski, comunicou que uma trintena de deputados, entre os quais figura o ex-primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, apresentaram sua demissão após profundos desacordos internos na principal formação opositora da Polônia.

Durante uma coletiva de imprensa oferecida nesta sexta-feira, Kaczynski detalhou que as renúncias ocorreram depois que a cúpula do partido lançou um ultimato a seus parlamentares, exigindo-lhes a assinatura de um compromisso de lealdade que lhes proibia integrar-se em qualquer associação política alheia ao PiS.

O conflito se centra em um setor mais moderado do partido, liderado por Morawiecki, que nos últimos meses impulsionou uma associação destinada a promover um programa político alternativo à linha oficial da formação, cada vez mais alinhada com posições de ultradireita.

A ruptura, que ocorre a poucos anos das eleições previstas para 2027, se consumou após expirar, à meia-noite de quinta-feira, o prazo fixado para que os deputados subscrevessem dito compromisso, segundo informou a agência de notícias PAP.

SOBRE AS TENSÕES INTERNAS

As fricções no seio do partido reapareceram no outono de 2024, após a integração da formação com o partido nacionalista católico Polônia Unida. A raiz dessa fusão, seus dirigentes --Zbigniew Ziobro e Patryk Jaki-- passaram a ocupar a vice-presidência do PiS, uma decisão que gerou divisões, especialmente entre os setores mais moderados.

Embora a campanha presidencial de 2025 tenha reduzido temporariamente as especulações sobre choques internos graças à vitória de Karol Nawrocki, os receios se reavivaram quando a direção propôs a Przemyslaw Czarnek como candidato do PiS a primeiro-ministro, um gesto que parte da ala centrista interpretou como um novo reforço do bloco mais tradicional, ultradireitista e nacionalista.

Como reação, Morawiecki --quem assumiu a liderança dos Conservadores e Reformistas Europeus, em substituição da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni-- começou a articular seu próprio espaço político mediante a criação de uma associação, com o objetivo de atrair eleitores mais jovens e de perfil moderado.

"Quero dizer isso muito claramente: ninguém do nosso grupo saiu de Lei e Justiça. Nenhum dos mais de 40 deputados, três eurodeputados nem o senador renunciou à sua membresia no partido", sublinhou nas redes sociais Morawiecki, que foi primeiro-ministro da Polônia entre 2017 e 2023.

Nessa linha, assegurou que a única coisa que fizeram foi recusar-se a "assinar um documento que exigia renunciar às atividades" da sua associação. "Colocaram-nos diante de uma falsa escolha: ou terminar com uma atividade legal, cidadã e programática, ou ser expulsos do partido ao qual servimos fielmente durante anos", acrescentou.

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