Ampliação | Pelo menos dez falecidos e uma centena de feridos em um ataque russo contra um ato da indústria armamentista em Kiev

Um ataque russo contra um evento da indústria de defesa em Kiev deixa pelo menos dez mortos, uma centena de feridos e novas críticas de Zelenski.

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O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, informou nesta sexta-feira sobre a morte de cerca de dez pessoas e de cerca de uma centena de feridos após um ataque das Forças Armadas da Rússia contra o que, segundo outras fontes, seria um evento em que participavam representantes do setor armamentista ucraniano em Kiev.

"A Rússia lançou novamente um ataque com mísseis contra a região de Kiev. Dez pessoas morreram e cerca de cem ficaram feridas de diversas gravidades", destacou Kravchenko em uma mensagem nas redes sociais, na qual também adiantou que as circunstâncias em que se realizou este ato serão investigadas.

Nessa linha, ele precisou que "a investigação determinará quem tomou a decisão de realizar o evento, quem acordou o local, a hora e o formato do mesmo, quais medidas de segurança foram implementadas e se os riscos foram adequadamente avaliados em condições de lei marcial".

"A guerra não isenta de responsabilidade pelas decisões de gestão. Pelo contrário, exige a máxima profissionalidade, cautela e atenção em cada passo", sublinhou o procurador, que conclui seu comunicado transmitindo suas condolências às vítimas.

Em termos semelhantes, se expressou o porta-voz da Força Aérea ucraniana, Yuri Ignat, que lembrou que esse tipo de atos públicos e grandes concentrações "estão proibidos há muito tempo" por razões de segurança e que "todos os civis devem ter isso em mente".

"O país está em guerra e esses requisitos devem ser cumpridos a todo momento, de dia ou de noite, e os eventos devem ser planejados de acordo com as normas de segurança", insistiu Ignat.

O governador da região de Kiev, Ruslan Oliinik, precisou que o ataque ocorreu no distrito de Bucha, em um campo de tiro privado, enquanto o Conselho Ucraniano de Fabricantes de Armas confirmou a presença de "representantes da indústria de defesa".

"As informações sobre o local exato onde estavam os participantes não haviam sido divulgadas publicamente", indicou a organização nas redes sociais, esclarecendo que não figurava como organizadora do encontro, embora esteja "em contato com seus colegas e prestando o apoio necessário".

A versão divulgada por Moscou

O Ministério da Defesa russo assegurou que o ataque foi dirigido contra algumas instalações situadas nos arredores de Kiev onde eram realizadas demonstrações de drones posteriormente empregados pelas forças ucranianas.

Segundo Moscovo, no momento do impacto o recinto abrigava "importantes desenvolvedores e fabricantes de veículos aéreos não tripulados, representantes do comando de sistemas não tripulados das Forças Armadas ucranianas e agências de inteligência ucranianas que planejavam e executavam diretamente ataques em território russo".

Aviso de um assessor de Zelenski

Serhi Beskrestnov, assessor do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, em matéria de guerra eletrônica e habitual neste tipo de encontros, escreveu nas redes sociais que "se realizam dezenas, se não centenas, de eventos desse tipo" e que nesta ocasião decidiu não comparecer devido aos "riscos" que implicava.

Beskrestnov indicou que optou por não assistir pela ausência de abrigos no complexo, situado além disso em uma área ao alcance de mísseis balísticos, porque foi anunciado na internet "com muita antecedência" e esperava-se a presença de uma "enorme quantidade de participantes".

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, confirmou nesta sexta-feira a morte de onze pessoas e "dezenas" de feridos como resultado de novos ataques das Forças Armadas russas contra as cidades de Kiev e Sloviansk, esta última na região de Donbás, amplamente controlada por Moscovo.

O mandatário qualificou esses bombardeios como "brutais ataques" contra a população civil em suas redes sociais, poucas horas depois de celebrar um ataque ucraniano contra instalações militares russas em Kirov, que teria deixado seis mortos e uma trintena de feridos.

Para Zelenski, "a Rússia abandonou há muito qualquer consideração pelas normas internacionais e pelos valores humanos" e deve responder por isso. "Seu único interesse é continuar com os massacres", alertou o presidente, que voltou a implicar seus aliados na defesa da Ucrânia.

"É importante que nossos parceiros compreendam plenamente que proteger vidas também depende deles", ressaltou, insistindo na necessidade de continuar recebendo sistemas Patriot para as forças ucranianas. "São a prioridade número um", afirmou.

Essas reiteradas solicitações ocorrem um dia depois de Zelenski anunciar um acordo de cooperação com a contratante de defesa americana Raytheon para produzir mísseis Patriot, após conseguir recentemente que Washington autorizasse as licenças necessárias para sua fabricação.

Vítimas em Sloviansk e outros ataques

Zelenski lamentou as últimas mortes e destacou que os serviços de emergência trabalham para reduzir ao máximo o impacto desses ataques sobre a capital e a província de Donetsk.

O governador ucraniano de Donetsk, Vadim Filashkin, confirmou a morte de cinco pessoas nos bombardeios registrados nas últimas horas sobre Sloviansk. "Esta manhã, os russos lançaram duas bombas aéreas sobre a cidade", destacou.

"Os russos atacam nossas cidades diariamente, e por segundo dia consecutivo, seus ataques causaram numerosas vítimas em Sloviansk", denunciou Filashkin, que também informou sobre danos no consulado da Letônia. "É perigoso permanecer aqui", advertiu nas redes sociais.

Os ataques se estenderam igualmente a outras localidades como Druzhkivka, Mikoláivka e Kramatorsk, onde foram registrados dezenas de feridos, segundo o próprio Filashkin.

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