Bruxelas se entrega à Espanha e propõe desplegar Frontex em Ceuta

A Comissão Europeia se entrega à Espanha e propõe desplegar a Frontex em Ceuta para pressionar Marrocos e frear imediatamente a migração massiva.

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A Comissão Europeia propôs esta quinta-feira intensificar o apoio a Espanha com mais ajuda financeira, técnica e operacional, também através da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costas (Frontex), para "controlar a situação" em Ceuta. Ao mesmo tempo, confirmou que mantém contatos com as autoridades marroquinas para que adotem "medidas imediatas" que ponham fim às "perigosas travessias" para a cidade autônoma.

"A proteção das fronteiras exteriores da União é uma parte crucial dos nossos esforços para lutar contra a imigração irregular. Estamos em contato com as autoridades competentes diante da evolução da situação em Ceuta", indicou o comissário europeu de Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, que precisou que já comunicou ao ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, a vontade do bloco de reforçar seu apoio.

A UE prevê desplegar FRONTEX em Ceuta

Neste contexto, Bruxelas propõe utilizar a Frontex, a agência europeia encarregada de assistir os Estados membros na vigilância e gestão das fronteiras exteriores da UE, como peça central da resposta comunitária para ajudar a Espanha a enfrentar a pressão migratória na cidade autônoma, enquanto prosseguem as conversas com Marrocos para tentar frear novas tentativas de cruzamento.

"Eu transmiti ao ministro Grande-Marlaska a disposição da UE a aumentar o apoio a Espanha, também através da Frontex, para controlar a situação. Além disso, estamos trabalhando com as autoridades marroquinas para garantir que todos os esforços necessários sejam feitos para impedir essas perigosas travessias", acrescentou o comissário.

Nessa mesma linha, fontes comunitárias sublinharam que Bruxelas é "consciente dos últimos acontecimentos em Ceuta" e segue "de perto" uma realidade que continua mudando, ressaltando que "combater a imigração irregular, proteger a integridade das fronteiras exteriores da União e evitar o abuso" do marco jurídico é "de suma importância".

Da mesma forma, colocaram em valor a "estreita cooperação" entre a Espanha e Marrocos para enfrentar esses fluxos e "garantir o rápido retorno de quem entrou em Ceuta ilegalmente, de acordo com as normas aplicáveis".

Além disso, Bruxelas reiterou que Marrocos continua sendo um "parceiro chave e de confiança" para a UE em matéria migratória e destacou que ambas as partes reforçaram nos últimos anos a colaboração no controle de fronteiras, combate às redes de tráfico de pessoas e gestão migratória, com a intenção de elevar agora essa relação a uma associação estratégica e integral.

Ceuta enfrenta sua maior crise migratória desde 2021

A reação das instituições europeias ocorre após esta quinta-feira Ceuta ter vivido a maior crise migratória desde maio de 2021, com a entrada durante várias horas de milhares de pessoas, na sua maioria jovens marroquinos, embora também famílias com mulheres e menores. Muitos acessaram a cidade autônoma nadando, contornando o espigão do Tarajal ou superando a cerca fronteiriça.

Diante desse cenário, o Governo espanhol e Marrocos pactuaram reforçar a coordenação para devolver "o mais rápido possível" a todas as pessoas que acessaram de forma irregular, enquanto o presidente do Governo, Pedro Sánchez, sublinhou que ambos os países colaboram para recuperar a normalidade. Por sua parte, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, deslocar-se-á esta sexta-feira a Ceuta para gerir no terreno a crise migratória.

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