O coordenador federal da Izquierda Unida (IU), Antonio Maíllo, avisou que os executivos autonômicos governados por PP e Vox poderiam incorrer em um delito de prevaricação se se negarem a aceitar a transferência de menores migrantes não acompanhados de Ceuta, um mecanismo previsto na normativa atual.
"O problema que temos com o PP é que assumiram as teses do Vox e agora temos que ver, não só isso, mas ainda que vão desrespeitar a lei e vão cometer prevaricação. Portanto, vão ser criminosos e malucos nos governos autonômicos", lançou em uma entrevista com a Europa Press.
Maíllo lembrou que desde 2025 está em vigor um decreto de medidas diante de contingência migratória que fixa a realocação de menores migrantes entre comunidades autônomas em cenários de emergência, como o que se vive em Ceuta.
Críticas ao alinhamento do PP com Vox
O PP ACEITA AS TESES DO VOX, QUE É "A BANALIDADE DO MAL"
Questionado sobre a rejeição em acolher esses menores expressada por vice-presidentes autonômicos do Vox, como Manuel Gavira (Andaluzia) ou Óscar Fernández (Extremadura), reiterou que desobedecer a norma implica prevaricar e atacou a formação de Santiago Abascal, a qual definiu como a "banalidade do mal" por sua "absoluta falta de compaixão" e por apelos a "caçá-los um a um", em alusão a umas palavras do deputado José María Figaredo.
Nessa linha, o dirigente da IU sublinhou que a postura do Vox é "desumana e cruel", enquanto acusa o PP de alternar papéis ao "fazer uns dias de policial mau e outros dias de policial bom" por meio de sua "ambiguidade" sobre se apoia ou não a transferência para a península dos menores migrantes que se encontram em Ceuta.
Maíllo criticou os populares que "saltaram as últimas resistências" e assumem já completamente "os orçamentos ideológicos do Vox", algo que, em sua opinião, se reflete nas condições do pacto de governo na Andaluzia, onde o partido de Abascal dirige a unidade encarregada da avaliação das vítimas de violência de gênero.
Além disso, sustentou que essa dinâmica do PP de aceitar os postulados "negacionistas" do Vox nos governos autonômicos compartilhados é o "anúncio" do que poderia acontecer se alcançassem o poder no âmbito estatal.
Ceuta, Andaluzia e o papel de Junts
"SILÊNCIO VERGONHOSO" DE JUANMA MORENO ANTE VOZ
Em relação à distribuição de menores migrantes provenientes de Ceuta, Maíllo censurou o "silêncio vergonhoso" do presidente andaluz, Juanma Moreno, destacando que quem está marcando a posição da Junta neste assunto é o vice-presidente do Vox.
Ele acrescentou que, a nível estatal, o PP enfrenta "um problema", já que o próprio presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, reclama "socorro" ao resto das comunidades autônomas e, no entanto, seu próprio partido "não lhe dá".
Quanto ao aviso do Junts, que mantém seu veto à acolhida de menores migrantes após a entrada maciça em Ceuta, o coordenador da IU denunciou que se situa no mesmo plano "reacionário" e em uma "briga" com a Aliança Catalã para ver quem resulta "mais racista e xenófobo".
"Estamos em um claro caso de xenofobia e de aporofobia. Aqui estamos falando da rejeição e do desprezo ao pobre, não nos enganemos, e nisso as direitas, chamem-se catalanistas ou chamem-se espanholistas, são iguais", concluiu.