Os incêndios que, ano após ano, atingem a Espanha no verão dão margem para colocar o foco em uma questão chave: quanto realmente investem as comunidades autônomas na prevenção e extinção dos incêndios florestais. Embora todas contem com dispositivos específicos para enfrentar as emergências, os orçamentos variam notavelmente entre territórios e, além disso, nem todas as administrações contabilizam o gasto da mesma maneira.
Enquanto algumas publicam uma rubrica específica para seus planos de incêndios, outras integram esses recursos dentro de programas mais amplos de bombeiros, proteção civil ou gestão florestal.
Comunidad Valenciana, Andaluzia, Castilla y León e Galícia lideram o investimento
Os orçamentos oficiais mais recentes colocam a Comunidad Valenciana como a autonomia com maior dotação econômica destinada à prevenção e extinção de incêndios florestais, com 298,47 milhões de euros para 2026. O operativo inclui mais de 4.400 efetivos, investimentos em prevenção, gestão florestal e meios de extinção.
Em segundo lugar aparece a Andaluzia, cujo Plano INFOCA dispõe de 271,6 milhões de euros, o maior investimento de sua história e um aumento em relação a exercícios anteriores.
Completa o pódio Castilla y León, com 222,7 milhões de euros destinados ao âmbito florestal vinculado à prevenção e extinção de incêndios, após o reforço orçamentário aprovado pela Junta depois dos grandes incêndios sofridos nos últimos anos.
A quarta posição corresponde à Galícia, cujo Plano PLADIGA alcança os 213 milhões de euros, também o valor mais elevado desde a criação do dispositivo autonômico.
Castilla-La Mancha e Extremadura reforçam seus operativos
A seguir às quatro comunidades com maior orçamento está Castilla-La Mancha, que destina 126 milhões de euros ao dispositivo INFOCAM, consolidando um dos maiores operativos florestais da Espanha.
Segue-se Extremadura, com 116,8 milhões de euros, uma comunidade especialmente sensível ao risco de incêndios pela sua elevada superfície florestal e onde o Plano INFOEX mantém atividade durante todo o ano.
No caso do País Vasco, a reconstrução do gasto resulta mais complexa por depender das três diputaciones forales. A última compilação disponível elaborada a partir das informações fornecidas pelas administrações coloca o orçamento conjunto em torno de 100,2 milhões de euros, embora não exista uma única rubrica autonômica consolidada.
Astúrias, Aragão e Madri superam os 50 milhões
O Principado de Asturias destina mais de 78 milhões de euros à prevenção e extinção de incêndios florestais. Em seguida vem Aragón, cujo operativo INFOAR supera os 54 milhões de euros, reforçando meios terrestres, aéreos e atuações preventivas.
A Comunidad de Madrid investe 52,5 milhões de euros no Plano INFOMA, que inclui trabalhos de prevenção, vigilância, extinção e melhoria de infraestruturas florestais.
Cantabria, Murcia e La Rioja fecham o grupo de comunidades com orçamento consolidado
Entre as autonomias que publicam um valor específico para seus dispositivos destacam-se também:
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Cantabria, com 26,3 milhões de euros.
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Região de Murcia, cujo Plano INFOMUR conta com 14 milhões de euros para a campanha anual de prevenção e extinção.
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La Rioja, que destina 9,23 milhões de euros, repartidos entre atuações preventivas e vigilância e extinção.
Navarra, Baleares e Canárias não publicam um valor homogêneo
Nem todas as comunidades oferecem um orçamento consolidado exclusivamente destinado a incêndios florestais. Em Navarra, o programa orçamentário de prevenção, extinção e salvamento supera os 44 milhões de euros, embora inclua também bombeiros e outros serviços de emergência, pelo que não resulta diretamente comparável.
Em Illes Balears, o Govern publica o Plano Anual de Prevenção, Vigilância e Extinção de Incêndios Florestais e o dispositivo do IBANAT, mas não divulga uma memória econômica única do operativo florestal.
Uma situação semelhante ocorre em Canárias, onde as competências estão repartidas entre o Governo autonômico e os cabildos insulares. Embora existam verbas específicas para as Equipas de Intervenção e Reforço em Incêndios Florestais (EIRIF) e para os serviços florestais de ilhas como Tenerife ou La Gomera, não se publica um valor consolidado para todo o arquipélago.
O orçamento nem sempre determina o risco de incêndios
Os especialistas coincidem em que um maior orçamento não implica necessariamente que uma comunidade sofra menos incêndios. Fatores como a superfície florestal, o abandono do meio rural, o clima, a orografia ou a continuidade da vegetação condicionam o risco de forma decisiva.
Por isso, comunidades como Galicia, Castilla y León ou Andaluzia, que figuram entre as que mais investem, também se encontram historicamente entre as mais afetadas pelos grandes incêndios florestais. O investimento permite reforçar a capacidade de prevenção e resposta, mas não elimina um risco que, segundo alertam os especialistas e o Ministério para a Transição Ecológica, é agravado pelas ondas de calor, a seca e o aumento dos chamados megaincêndios.