OMS e África CDC exigem reforçar com urgência a resposta comunitária ao ébola na República Democrática do Congo

A OMS e a África CDC urgem a reforçar a resposta comunitária ao ébola na RDC diante da contínua transmissão e da pressão sobre a capacidade de resposta.

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Os diretores gerais da Organização Mundial da Saúde (OMS), o doutor Tedros Adhanom Ghebreyesus, e dos Centros Africanos para o Controle e a Prevenção de Doenças (África CDC), o doutor Jean Kaseya, reclamaram "uma ampliação urgente da resposta comunitária ao ébola na República Democrática do Congo (RDC)", para o que consideram imprescindível, entre outras atuações, "uma detecção precoce mais eficaz".

Entre as prioridades que assinalam figuram o "monitoramento de contatos, acesso à atenção médica, apoio aos trabalhadores de saúde na linha de frente e uma entrega mais rápida de recursos às comunidades afetadas". Ao mesmo tempo, destacaram "a bem-sucedida contenção da transmissão local em Uganda".

Essas avaliações ocorreram durante uma missão de alto nível na região, na qual também interveio o diretor regional da OMS para a África, o doutor Mohamed Janabi. Este, junto com Ghebreyesus e Kaseya, advertiu que persistem "desafios operacionais em Bunia (RDC)".

Após reconhecer "a liderança de Uganda e o trabalho dos profissionais de saúde, das comunidades e dos parceiros", os responsáveis sublinharam que a experiência deste país ressalta "a importância da detecção precoce, do rastreamento rápido de contatos, da ação nacional coordenada, da participação comunitária de confiança e de uma sólida vigilância transfronteiriça".

"Em algumas áreas do leste da RDC, o surto de ébola está superando nossa capacidade de resposta, o que torna imperativo que intensifiquemos rapidamente todos os aspectos de nossos esforços para contê-lo", manifestou Ghebreyesus, que descreveu a situação atual como "circunstâncias excepcionalmente difíceis". Diante desse cenário, ressaltou a necessidade de "um compromisso sustentado, maiores recursos e um apoio internacional mais sólido".

Na mesma linha, Kaseya insistiu que "a contenção e, em última instância, a detenção deste surto dependerá das comunidades". Segundo explicou, "quando as pessoas dispõem de informações confiáveis, podem notificar os sintomas a tempo e buscar atenção médica sem medo, podemos romper todas as cadeias de transmissão".

MOMENTO DE CONTINUA TRANSMISSÃO

Os organismos alertaram que o contexto atual é de "transmissão contínua na RDC", o que implica que "os países vizinhos continuam em risco e devem manter a vigilância, a preparação dos laboratórios e a coordenação transfronteiriça". A seu entender, persistem "obstáculos que retardavam a resposta", como "a detecção tardia, o acesso limitado à atenção médica, a resistência a algumas atividades de resposta, a escassez de suprimentos essenciais e o apoio insuficiente às equipes de linha de frente".

Segundo os dados apresentados, em 4 de agosto registravam-se neste país africano 3.973 casos confirmados, 1.801 mortes e 776 recuperações em 51 zonas sanitárias de cinco províncias, com 99 detecções e 52 falecimentos nas 24 horas anteriores. Precisaram, além disso, que o acompanhamento de contatos alcançou 75 por cento, abaixo do limiar operacional de pelo menos 95 por cento considerado necessário.

Diante dessa situação, fazem um apelo para identificar os casos com maior rapidez e reforçar o acompanhamento diário; aproximar às comunidades afetadas os serviços de testes, encaminhamento, isolamento e tratamento; ampliar com urgência a capacidade de tratamento, laboratório, ambulâncias e sepultamentos seguros e dignos; assim como proteger, equipar, apoiar e remunerar pontualmente os trabalhadores de saúde na linha de frente, fortalecendo ao mesmo tempo a prevenção e o controle de infecções nos centros de saúde.

Também consideram essencial manter os serviços de saúde básicos para as comunidades afetadas, melhorar o acesso seguro às áreas com problemas de insegurança e infraestruturas precárias, trabalhar de forma estreita com líderes comunitários de confiança em todas as fases da resposta, sustentar a vigilância transfronteiriça e a preparação regional, e assegurar que o financiamento comprometido seja canalizado sem demora para as operações de linha de frente.

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