Esta lei também é vossa

Inés Plaza, porta-voz de direitos sociais do Grupo Socialista no Congresso, analisa em DEMÓCRATA, o alcance político e social da reforma da Lei de Dependência e da Lei de Deficiência, argumentando que representa uma mudança de modelo para uma atenção centrada nos direitos, na autonomia pessoal e um financiamento mais sólido do sistema.

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Há momentos na política que justificam todo o esforço. Horas de negociação, documentos corrigidos uma e outra vez, reuniões intermináveis, chamadas de última hora e debates intensos. Mas nenhum desses momentos faria sentido se do outro lado não houvesse pessoas esperando uma resposta.

Durante todos esses meses, enquanto trabalhávamos na reforma da Lei de Dependência e da Lei Geral dos Direitos das Pessoas com Deficiência, pensei muitas vezes em todas essas pessoas que esperam há anos por uma prestação; em quem cuida de um pai, de uma mãe ou de um filho sem olhar para o relógio; em quem teve que renunciar a parte de sua vida para sustentar a de outra pessoa; em quem só reclama algo tão simples e ao mesmo tempo tão importante como poder decidir como quer viver.

Por isso quero que as primeiras palavras deste artigo não sejam para quem participou da tramitação parlamentar, quero que sejam para quem nos trouxe até aqui.

A todas as organizações de pessoas com deficiência, às entidades do terceiro setor, às associações de familiares, às plataformas de pessoas cuidadoras e a quem leva décadas defendendo direitos quando ainda havia muitas pessoas que falavam de assistência em vez de dignidade, quero dizer uma só coisa: obrigado.

Obrigado pela vossa exigência. Obrigado por cada proposta, por cada reunião, por cada documento e por cada conversa

Obrigado por nunca se conformarem. Obrigado pela vossa exigência. Obrigado por cada proposta, por cada reunião, por cada documento e por cada conversa. Obrigado por nos lembrar, uma e outra vez, que por trás de cada artigo de uma lei há um nome, uma família e uma vida que não pode continuar esperando. Esta lei também é vossa.

Há vinte anos, a Espanha aprovou uma lei que mudou nosso país. A Lei de Dependência transformou a atenção às pessoas em situação de dependência em um direito. Mas os direitos também precisam evoluir, porque a sociedade muda, porque as necessidades mudam, e porque hoje sabemos que cuidar não consiste apenas em atender. Cuidar também significa respeitar a vontade das pessoas, proteger sua autonomia e garantir que possam desenvolver seu próprio projeto de vida. Esse tem sido o coração desta reforma.

Não queríamos uma lei que simplesmente adicionasse novos artigos; queríamos uma lei que mudasse a forma de entender os cuidados; que falasse de vida independente, de inclusão, de acessibilidade, de liberdade para decidir e de apoios personalizados. Queríamos uma lei que entendesse que as pessoas não são pacientes permanentes, mas sim cidadãos com direitos.

Por isso reforçamos a assistência pessoal, reconhecemos a teleassistência como um direito subjetivo, ampliamos as compatibilidades entre prestações, reduzimos os tempos de espera, protegemos melhor as pessoas cuidadoras e fortalecemos os direitos das mulheres, das meninas e das crianças com deficiência. Porque a dependência nunca pode significar renunciar a uma vida plena.

Não queríamos uma lei que simplesmente adicionasse novos artigos; queríamos uma lei que mudasse a forma de entender os cuidados

Mas também aprendemos outra lição durante esta tramitação: os direitos sem financiamento acabam se tornando promessas.

Por isso esta reforma chega acompanhada de algo imprescindível: um Real Decreto-lei que incorpora 6.200 milhões de euros adicionais para reforçar o Sistema para a Autonomia e Atendimento à Dependência. É o maior investimento realizado até agora para fortalecer nosso sistema e para que os novos direitos não fiquem escritos apenas no Boletim Oficial do Estado, mas que cheguem à vida das pessoas.

Além disso, pela primeira vez, a própria lei incorpora o compromisso de que o Estado garanta, pelo menos, 50 % da despesa certificada do sistema. Um acordo histórico alcançado durante a tramitação parlamentar que responde a uma reivindicação amplamente compartilhada pelas entidades sociais e que permitirá reforçar a sustentabilidade futura do sistema.

Mas as votações também falam. E não é de estranhar, vindo do Vox, que votassem contra ampliar direitos, reforçar a autonomia pessoal e destinar o maior investimento realizado até agora ao sistema de dependência.

Mas mais difícil é entender a postura do Partido Popular, que durante anos fez da financiamento do sistema uma de suas principais reivindicações. No entanto, quando esta reforma incorporou pela primeira vez na própria lei o compromisso de que o Estado garanta, pelo menos, 50 % da despesa certificada do sistema, decidiu não apoiar a lei. Uma oportunidade perdida para se juntar a uma reforma que as entidades sociais vinham reclamando há anos.

Como orador principal do Grupo Socialista, tive o privilégio de viver esta reforma de dentro. Vi como uma lei melhora quando se escuta, verifiquei que as melhores ideias nem sempre nascem em um escritório, mas muitas vezes em uma associação, na conversa com uma mãe exausta ou no testemunho de uma pessoa que só pede poder viver com a mesma liberdade que qualquer um de nós.

A política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas e por leis como esta, vale a pena estar na política

Oxalá nunca esqueçamos disso, porque dentro de alguns anos ninguém lembrará o número de emendas, nem as horas de negociação, nem quem defendeu cada artigo, o que permanecerá é que milhares de pessoas poderão acessar antes a uma prestação, viver com mais autonomia, contar com os apoios que precisam e desenvolver seu projeto de vida com mais liberdade e mais dignidade.

E isso também será graças àqueles que nunca deixaram de insistir, de propor e de acreditar que era possível construir um sistema melhor.

Esta lei também leva o vosso trabalho, a vossa perseverança e a vossa voz. Porque, no final, a política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas e por leis como esta, vale a pena estar na política.

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¿Qué porcentaje mínimo del gasto certificado del sistema de dependencia se compromete a garantizar el Estado según la reforma?

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¿Qué partido votó en contra de la reforma de la Ley de Dependencia y la Ley General de los Derechos de las Personas con Discapacidad?

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¿Cuál es uno de los principales objetivos de la reforma de la Ley de Dependencia mencionados en la noticia?

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