Carlos Espinosa de los Monteros e Bernaldo de Quirós, IV marquês de Valtierra e um dos nomes com maior percurso entre a grande empresa e a Administração espanhola das últimas décadas, faleceu este sábado 29 de agosto em Madrid aos 82 anos.
Segundo adianta El Confidencial, Espinosa de los Monteros morreu após uma curta doença. Nascido em Madrid em 18 de março de 1944, desenvolveu durante mais de meio século uma trajetória que atravessou alguns dos principais centros de decisão econômica espanhóis: o Instituto Nacional de Indústria, Iberia, Mercedes-Benz, Inditex, o Círculo de Empresários e, em sua última etapa pública, Marca Espanha.
Foi também pai de cinco filhos, entre eles Iván Espinosa de los Monteros, um dos fundadores de Vox e durante anos um dos dirigentes mais reconhecíveis do partido.
Quem era Carlos Espinosa de los Monteros
Espinosa de los Monteros formou-se em Direito pela Universidade Complutense de Madrid em 1965 e em Direção de Empresas pela ICADE um ano depois.
Entre 1966 e 1967 cursou um MBA na Northwestern University, em Chicago, e em 1969 obteve uma vaga como técnico comercial e economista do Estado.
Sua carreira começou precisamente na Administração. Trabalhou no Ministério do Comércio entre 1969 e 1972 e posteriormente foi conselheiro comercial da Espanha em Chicago.
Ao retornar, ocupou responsabilidades no Instituto Nacional de Indústria, primeiro como diretor comercial e posteriormente como vice-presidente do organismo público que durante décadas concentrou boa parte das grandes participações empresariais do Estado.
De Iberia a Mercedes-Benz
Um dos principais capítulos de sua trajetória esteve ligado à Iberia.
Espinosa de los Monteros presidiu a Iberia e a Aviaco entre 1982 e 1985. Durante essa etapa dirigiu um plano de reconversão com o qual, segundo a informação adiantada por El Confidencial, a companhia passou de perdas próximas a 30.000 milhões de pesetas a equilibrar suas contas em três anos.
Sua presidência coincidiu com um período especialmente complexo para a companhia aérea. Documentação jornalística da época confirma que continuava à frente da Iberia durante o acidente aéreo de Sondica em fevereiro de 1985 e que abandonou a presidência semanas depois. (El País)
Após aquela etapa, retornou plenamente ao setor privado.
Em 1988 assumiu a presidência e direção executiva da Mercedes-Benz Espanha, responsabilidade que manteve durante mais de duas décadas, até 2009.
Durante esse período dirigiu a transformação da fábrica de Vitoria, uma das grandes instalações industriais do automóvel na Espanha.
Um nome ligado também à Inditex
Seu trajeto empresarial se estendeu muito além do automóvel.
Carlos Espinosa de los Monteros entrou no Conselho de Administração da Inditex em maio de 1997, quatro anos antes de que o grupo fundado por Amancio Ortega fosse à Bolsa.
Permanecia durante anos no máximo órgão de governo da companhia e chegou a exercer como vice-presidente e conselheiro independente coordenador.
As memórias corporativas da Inditex também registram suas responsabilidades anteriores na Iberia, Aviaco, Mercedes-Benz, o INI, o Círculo de Empresários, ANFAC e a Organização Internacional de Construtores de Automóveis.
Sua presença na companhia coincidiu com boa parte da expansão internacional que tornou a Inditex um dos maiores grupos têxteis do mundo.
Também foi conselheiro da Acciona e ocupou cargos de responsabilidade na Fraternidad-Muprespa, González Byass e outras companhias e instituições empresariais.
Alto comissário para a Marca Espanha
Espinosa de los Monteros retornou à primeira linha institucional em julho de 2012.
O Governo de Mariano Rajoy o nomeou alto comissário para a Marca Espanha, uma iniciativa criada para coordenar e reforçar a projeção exterior do país em um momento especialmente delicado para a imagem internacional da Espanha após a crise financeira.
Desempenhou o cargo com rango de secretário de Estado e sem remuneração até outubro de 2018.
Seu próprio conceito de Marca Espanha partia do fato de que a imagem exterior do país deveria ser construída como um guarda-chuva capaz de integrar empresas, produtos, cidades e territórios espanhóis. (Circulo de Empresarios)
Foi sua última grande responsabilidade pública.
O pai de Iván Espinosa de los Monteros
Carlos Espinosa de los Monteros era também o pai de Iván Espinosa de los Monteros de Simón, uma das figuras fundacionais do Vox e durante vários anos um de seus dirigentes de maior projeção nacional.
Iván Espinosa de los Monteros nasceu em Madrid em 1971, estudou Ciências Econômicas e Empresariais na ICADE e, como seu pai, cursou posteriormente um MBA na Northwestern University. Antes de se dedicar à política trabalhou na Arthur Andersen, Schroder Salomon Smith Barney e McKinsey.
Foi cofundador do Vox, deputado por Madrid nas legislaturas XIII e XIV e porta-voz do grupo parlamentar no Congresso. Abandonou seu assento em agosto de 2023 e se afastou da linha de frente do partido.
Carlos Espinosa de los Monteros estava casado desde 1970 com María Eugenia de Simón e Vallarino. O casamento teve cinco filhos: Iván, Yago, Beltrán, Eugenia e Silvia, e 19 netos, segundo as informações publicadas pelo El Confidencial.
IV marquês de Valtierra
Espinosa de los Monteros era além disso IV marquês de Valtierra.
Filho de Francisco Javier Espinosa de los Monteros e Herreros de Tejada, III marquês de Valtierra, e de Galinda Bernaldo de Quirós e Alcalá-Galiano, sucedeu a seu pai no título em 1985.
Sua família esteve historicamente vinculada à Administração, ao Exército e à diplomacia espanhola.
Ao longo de sua trajetória recebeu numerosas distinções. Entre as citadas pelo El Confidencial figuram a Cruz da Ordem do Mérito Civil, a Banda da Ordem Mexicana da Águia Asteca e a Grande Cruz da Ordem de Isabel a Católica.