Mulheres de Ceuta organizaram para este domingo uma mobilização em Madrid com o objetivo de reivindicar medidas que permitam à cidade autônoma recuperar a "normalidade" anterior ao 30 de julho, data em que ocorreu a entrada massiva de 80.000 pessoas provenientes de Marrocos. Durante a marcha, exigirã um reforço do controle fronteiriço, a devolução dos migrantes e a reforma da Lei de Estrangeiros.
A partir das 11h00, famílias ceutianas partirão da glorieta de Atocha rumo ao Congresso dos Deputados, na Praça das Cortes, onde está prevista a leitura de um manifesto que fixará um limite temporal às suas demandas: trinta dias para que sejam implementadas as mudanças reivindicadas.
"Não vimos nenhuma solução nesses três meses. Ceuta precisa de um retorno imediato dos imigrantes e um reforço das fronteiras com mais meios humanos, materiais e tecnológicos", defende Maxi Lacasa, policial local na cidade autônoma e membro de "Muejeres Caballas", em conversa com a Europa Press.
A plataforma Mulheres Caballas reivindicará também na concentração uma reforma urgente da Lei de Estrangeiros para que "se adeque à situação de Ceuta e Melilla", insiste Lacasa, além da aprovação de um decreto-lei específico com medidas para a cidade. "Por que não há a mesma urgência que com a habitação?", questiona a policial local.
As organizadoras apontam que já há cerca de dez ônibus completos com famílias ceutianas que se deslocarão à capital. Vários empresários locais arcaram com o custo desses veículos para facilitar a assistência dos vizinhos à manifestação, na qual também participará o líder ceutiano, Juan Jesús Vivas.
Além disso, ressaltam que foram fretados ônibus de outros pontos da Espanha como Alicante, Granada, Sevilha, Málaga ou Talavera de la Reina (Toledo). "É incontável, em todos os lugares onde puderam, sairá um ônibus", expressa Elisabeth Muñoz, enfermeira e membro de Mulheres Caballas.
Nessa linha, Mulheres Caballas anima os madrilenhos e cidadãos de diferentes províncias a se juntarem à protesto. "Para nós, a presença de pessoas de diferentes pontos é um abraço à nossa causa", expressa Lacasa. A organização pede, ainda, que compareçam com camisetas brancas ou pretas, em alusão às cores da bandeira de Ceuta.
MÃES DE FAMÍLIA NA CABEÇA DA PROTESTA
A plataforma Mulheres Caballas surgiu de maneira espontânea e está integrada por "cabeças de família" de diversos âmbitos profissionais que reclamam o respaldo de toda a sociedade espanhola. "Somos advogadas, policiais, sanitárias, professoras... Que na porta das escolas, nas conversas do dia a dia fomos as primeiras a dar um passo à frente para reclamar que Ceuta tem que voltar à normalidade", explica Maxi Lacasa.
A preocupação pela segurança é um dos eixos que tem impulsionado as 'caballas' a deslocar-se a Madrid para pedir mudanças. "Vemos brigas diárias que necessitam de assistência sanitária. Houve mais de 400 agressões sexuais que ocorrem especialmente entre os próprios migrantes porque nós estamos nos confinando", explica a polícia local.
Lacasa ressalta também a importância de garantir proteção às mulheres migrantes. "São seres humanos. Por que não há pontos violetas para elas?", insiste. E conclui: "Nossa Ceuta nunca foi assim. Só queremos voltar à normalidade".
Por sua parte, Muñoz descreve a situação sanitária como "dantesca". "Não se reforçou quase nada. Estamos abandonados à nossa sorte. O Ministério da Saúde dá dados estatísticos que são alheios à realidade que vivemos", denuncia a enfermeira e secretária geral do sindicato Satse na cidade autônoma.
A seu juízo, a "pressão assistencial" não foi levada em conta em nenhum momento, o que resultou em que "não se possa atender corretamente nem a ceutianos nem a migrantes que necessitem".