O incêndio florestal declarado em Niebla (Huelva) apresenta uma evolução favorável depois que a operação conseguiu conter o avanço das chamas em boa parte de seu perímetro. Os setores sul, norte e noroeste permanecem sem frentes ativos, enquanto os trabalhos se concentram na zona leste, em direção a vários municípios da província de Sevilha.
O vice-presidente primeiro da Junta da Andaluzia e conselheiro de Presidência, Saúde e Emergências, Antonio Sanz, explicou desde o Posto de Comando Avançado que a estratégia empregada permitiu reduzir consideravelmente a capacidade de propagação do incêndio.
A melhoria não significa, no entanto, que o fogo esteja estabilizado ou controlado. As equipes continuam refrescando o perímetro, eliminando pontos quentes e construindo linhas de defesa para evitar reproduções.
O setor leste concentra os maiores esforços
O flanco sul encontra-se sem atividade depois que os serviços de extinção apagaram as chamas na zona de Los Carneros. No setor noroeste, compreendido entre El Pozuelo, Marigenta e Berrocal, os trabalhos se concentram em vigiar e liquidar focos residuais.
A zona norte, de Berrocal até El Álamo, também não apresenta atualmente um frente ativo. Os efetivos mantêm lá linhas de água e completaram uma defesa com maquinaria pesada no caminho de Los Camellos.
A situação mais complicada permanece no setor leste, especialmente no entorno da estrada que conecta Aznalcóllar com El Álamo e em direção a El Castillo de las Guardas. Este é o ponto onde se concentram os principais esforços para evitar novos saltos do fogo em direção à província de Sevilha.
Durante os últimos dias, ocorreram fenômenos convectivos e pirocúmulos capazes de gerar focos secundários a distâncias de até 3,5 quilômetros. Esses episódios obrigaram em determinados momentos a retirar temporariamente meios terrestres e aéreos para garantir a segurança do pessoal.
Um dispositivo com 875 efetivos e 33 meios aéreos
A operação mobilizada frente ao incêndio é composta por 875 efetivos, entre pessoal que intervém diretamente e retenes dedicados a vigiar e refrescar as zonas percorridas pelo fogo.
Nas tarefas participam ainda 33 meios aéreos e 352 meios mecânicos, entre os quais se encontram 18 bulldozers utilizados para construir cortafuegos e linhas de defesa.
O dispositivo integra especialistas da Agência de Emergências da Andaluzia e do Plano Infoca, efetivos da Unidade Militar de Emergências (UME), profissionais do Instituto de Emergências e Segurança Pública e bombeiros dos consórcios provinciais de Huelva e Sevilha e da Câmara Municipal de Huelva.
Também trabalham na emergência agentes da Guarda Civil, a Polícia vinculada à Junta, polícias locais, voluntários da Proteção Civil, pessoal da Cruz Vermelha e equipes de saúde do 061.
O perímetro pode superar as 38.000 hectares
A Junta da Andaluzia calcula que a área percorrida pelo perímetro do incêndio pode superar as 38.000 hectares, uma extensão que coloca o fogo de Niebla junto ao de Riotinto de 2004 entre os mais graves registrados na comunidade.
As autoridades advertiram, no entanto, que esse número não equivale à superfície completamente carbonizada. Dentro do perímetro ficam áreas que não arderam, portanto a extensão real afetada será inferior e só poderá ser concretizada quando os técnicos realizarem a medição definitiva.
Embora a redução das frentes ativas represente o primeiro avanço importante desde o início da emergência, o incêndio continua ativo e a vigilância continuará sendo intensa, especialmente no limite entre Huelva e Sevilha.