O Governo Vasco vê imprescindível ordenar a migração para que seja assumível e socialmente aceita.

Zupiria reclama organizar a migração para que seja assumível, defende as competências da Ertzaintza e avança um plano estratégico de segurança 2026-2030.

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O conselheiro de Segurança do Governo Basco, Bingen Zupiria, considera que a chegada massiva de migrantes a Ceuta evidenciou a necessidade de abordar questões-chave como a gestão dos fluxos migratórios para que sejam "assumíveis e aceitas socialmente", dado que a migração é "necessária", assim como o componente humanitário, que a seu ver é "muito grande e difícil de atender". Ao mesmo tempo, evitou avaliar se o Executivo central reagiu "tarde e mal", tratando-se de uma conjuntura "muito complicada".

Em uma entrevista na cadeia SER Bilbao, recolhida pela Europa Press, Zupiria destacou que o que aconteceu em Ceuta "colocou na mesa questões que estarão muito presentes nos próximos meses, uma delas o debate sobre a imigração". "Ninguém vai rejeitar a imigração, mas de que maneira essa imigração deve ocorrer? De que maneira a enfrentamos? De que maneira a organizamos para que seja algo assumível e aceito socialmente porque precisamos dela?", apontou.

Como segundo eixo, aludiu ao papel dos serviços de informação "que se supõe que todo Estado tem, ou toda Polícia tem, ou todo Exército tem, agiu devidamente ou não, se contaram ou não com essa informação".

Em terceiro lugar, incidiu que existe "um aspecto humanitário muito grande, que é difícil de atender", e, em quarto lugar, lembrou que há "uma reivindicação política por parte do Estado de Marrocos de um território que está sob a soberania espanhola". "Estas são questões que se infiltraram neste verão na agenda política e que eu acredito que vão dar muito que falar nos próximos meses", manifestou.

O conselheiro indicou que, segundo os dados que manejam, em Ceuta poderia haver cerca de 2.000 pessoas menores de idade, "muitos e muitas delas crianças, gente muito muito jovem e não há como saber como essas pessoas chegaram".

"O primeiro, do ponto de vista humanitário, é buscar a melhor situação e a melhor cobertura para essas pessoas. Portanto, identificá-las, saber de onde vêm, saber quais antecedentes familiares têm, por que naquele momento decidiram passar para Ceuta", defendeu, sublinhando que esse trabalho prévio é essencial.

A seu juízo, isso "é algo fundamental e é o primeiro", mesmo no caso de que finalmente se termine "acolhendo a vários centenas dessas pessoas". "Se vão vir ao Estado, se vão ser acolhidas em centros menores, se lhes vai ter que fazer um acompanhamento, dar formação, dar educação, também convém saber que antecedentes e que relações familiares têm para atendê-los de vida", explicou.

Questionado sobre se considera que em Ceuta se agiu "mal e tarde", admitiu que "é uma situação muito difícil". "Não me atrevo a questionar a reação que houve, nem se houve uma informação prévia, nem como teriam feito outros. É muito complicado", ressaltou.

Competências policiais e detenções por incidentes do Mundial

Respecto às queixas que trasladou ao Governo central após as detenções praticadas pela Polícia Nacional a várias pessoas que supostamente haviam agredido cidadãos que vestiam a camiseta da seleção espanhola durante o Mundial de futebol, e que o Executivo basco interpretou como uma ingerência nas competências da Polícia autonômica, assinalou que não recebeu "nenhuma resposta", embora entenda que "as agendas dos responsáveis do Ministério do Interior agora mesmo estão muito ocupadas".

"Acho que é um assunto que legal e juridicamente está claramente estabelecido no Estatuto de Autonomia, nos acordos que houve entre o Governo Basco e o Governo da Espanha: O que corresponde fazer à Ertzaintza como Polícia integral desta comunidade e quais são as funções que ficam reservadas à Polícia Nacional e à Guarda Civil?", apontou.

Após lembrar que em seu momento foram alcançados acordos sobre como agir neste tipo de cenários, mostrou-se seguro de que, se cada corpo assume suas funções e existe coordenação, todos serão "muito mais eficazes". "Estamos enfrentando questões muito delicadas. Não há mais que olhar para Ceuta e para tudo o que pode vir", advertiu.

Diante do argumento da FSE de que podem intervir em crimes de ódio, Zupiria replicou que "tudo cabe dentro de um crime de ódio". "E é uma situação que antes vivemos com os crimes de meio ambiente, também quando se legislou sobre as garantias que um menor deve ter, também nos temas de violência contra a mulher. É um tema recorrente. Por isso é bom que os princípios estejam bem claros para todos e nos atenhamos ao que em seu dia acordamos", insistiu.

Em relação com as atuações da Ertzaintza nos distúrbios vinculados ao Mundial, foi preciso que foram tramitados mais de uma vintena de autos "que terão seu correspondente procedimento judicial ou sancionador".

Plano estratégico de Segurança Integral 2026-2030

Zupiria também abordou o Plano estratégico de Segurança Integral 2026-2030 que quer pôr em marcha, e adiantou que buscará consensos amplos. "É importante que todos tenhamos claro quais são as prioridades que temos como sociedade. Algumas têm a ver com a perda de valores que provavelmente estamos vivendo e com a falta de respeito à autoridade, outras têm a ver com como nos enfrentamos aos novos riscos que a segurança tem nestes momentos", indicou.

Ao mesmo tempo, ressaltou que será necessário preparar-se para "outro tipo de eventos que neste verão foram padecidos como, por exemplo, as ondas de calor ou as tempestades inesperadas, etcétera".

"Há vários âmbitos que reclamam nossa atenção e acho que nos encontramos diante de uma oportunidade para que, a partir desse plano estratégico e das medidas que todas as instituições bascas vamos ter que ir adotando, alcancemos uma situação que permita oferecer um horizonte de segurança e certeza à sociedade basca", ressaltou.

Além disso, valorizou que "a relação entre cidadania, defesa, polícias locais, guardas municipais, é de absoluta normalidade e de colaboração". "É verdade que há casos pontuais e que há grupos concretos que não o vivem assim e se comportam de outra maneira", acrescentou.

Atitudes antisistema e trabalho da Ertzaintza

Segundo explicou, "há comportamentos estranhos" e "alguns respondem a atitudes antisistema, de rejeição às instituições democráticas e também às Polícias, à Ertzaintza e à Polícia Local como instituições democráticas".

"Há também grupos políticos que ainda se resistem a aceitar, por exemplo, à Ertzaintza como a Polícia democrática e legítima que esta sociedade decidiu ter para garantir a segurança de sua cidadania e de seus bens", manifestou.

Igualmente, apontou que se dão "alguns comportamentos pontuais de gente que, sobretudo homens, à noite, consumos de álcool e outras substâncias, onde se perde o respeito ao próximo e também à autoridade".

Bingen Zupiria destacou que um ertzaina "dedica quase 80% do seu desempenho profissional a atender atuações preventivas ou situações em que é necessário auxiliar ou ajudar a um cidadão ou a uma cidadã". "A partir daí, ocorreram e ocorreram nos últimos dois anos acontecimentos muito concretos que exigiram o uso da força. Portanto, a formação e a preparação dos agentes da Ertzaintza para enfrentar essas situações são importantes e estão na agenda do Departamento e da Academia Basca da Polícia em Arkaute", assegurou.