Rego rejeita devoluções coletivas de menores em Ceuta: "Não são invasores, mas vítimas"

A ministra da Juventude e Infância cifra em 1.478 os menores que permanecem no sistema de proteção de Ceuta e defende que qualquer reunificação familiar ou retorno deve ser estudado individualmente. Rego considera "imprescindível" trasladá-los para a Península enquanto se tramitem seus expedientes.

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A ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, rejeitou nesta segunda-feira as devoluções coletivas dos menores que permanecem em Ceuta após a entrada maciça registrada nos dias 30 e 31 de julho. Durante sua apresentação na Comissão de Juventude e Infância do Congresso, defendeu que antes de devolver uma criança ao seu país deve-se investigar sua situação familiar e verificar se uma eventual reunificação pode ser realizada com garantias.

Segundo informa El País em sua cobertura ao vivo da crise migratória de Ceuta, Rego assegurou que "as meninas e os meninos não são invasores, mas sujeitos de direito" e que aqueles que chegaram à cidade autônoma são além disso vítimas. A ministra insistiu que nenhum desses menores provocou a crise e pediu para não confundir aqueles que precisam de proteção com os responsáveis pelo ocorrido.

O Ministério da Juventude e Infância cifra atualmente em 1.478 as crianças que permanecem em centros dependentes do sistema de proteção de Ceuta. Rego sustenta que os procedimentos precisam de tempo para se desenvolverem com garantias e considera necessário aliviar enquanto isso a pressão sobre os serviços da cidade autônoma.

Rego rejeita uma devolução coletiva dos menores

A ministra defendeu que o retorno de um menor não pode ser executado de maneira automática por ter entrado irregularmente na Espanha. "Para devolver uma criança ao seu país, primeiro é preciso investigar", explicou durante sua intervenção no Congresso.

O procedimento deve determinar as condições do ambiente familiar e verificar se uma possível reunificação pode ser realizada de forma segura. Rego apontou que, quando essas garantias existirem, a reunificação familiar poderá continuar sendo realizada como até agora.

A responsável pela Infância também estabeleceu uma diferença entre esse procedimento individual e uma saída generalizada dos menores. Uma reunificação familiar com garantias protege a infância, enquanto uma devolução coletiva vulneraria seus direitos, defendeu.

1.478 menores permanecem no sistema de proteção de Ceuta

Os últimos dados fornecidos pelo Ministério situam em 1.478 o número de menores atualmente acolhidos nos centros de proteção da Cidade Autônoma. O número reflete a pressão que continua suportando o sistema um mês depois da entrada maciça registrada desde Marrocos.

O perfil dos menores chegados apresenta além disso diferenças em relação a outros episódios migratórios. Segundo explicou Rego, durante os dias 30 e 31 de julho entraram 700 meninas e um número especialmente elevado de meninos e meninas menores de 13 anos.

A ministra sustenta que essa mudança obriga a adaptar a resposta de proteção e os recursos disponíveis. Seu departamento considera que Ceuta não pode assumir sozinha a atenção de todos os menores enquanto avançam as identificações e a tramitação de cada expediente.

Rego considera "imprescindível" trasladar os menores para a Península

O Ministério defende que os meninos e meninas possam ser acolhidos temporariamente em recursos situados na Península. Rego considera esse traslado "imprescindível" para reduzir a pressão sobre Ceuta e garantir condições adequadas de atenção.

Uma vez trasladados, poderiam continuar desde qualquer ponto do país os expedientes de reunificação familiar ou, quando legalmente corresponder e existirem garantias, os procedimentos de retorno. A ministra insistiu que a saída de Ceuta não implica decidir de antemão qual será o resultado final desses expedientes.

Juventude e Infância já havia proposto à Cidade Autónoma um mecanismo para trasladar cerca de 500 menores para recursos geridos por entidades de acolhimento na Península. A proposta requer coordenação com Ceuta, que mantém a tutela das crianças e meninas acolhidas em seu sistema de proteção.

Rego: "Ceuta não pode carregar sozinha com isso"

A ministra também reivindicou a cooperação das comunidades autónomas e apresentou a atenção aos menores como uma responsabilidade que deve ser assumida pelo conjunto do país. "Ceuta não pode carregar sozinha com isso", afirmou no Congresso.

Rego considera que a Cidade Autónoma não deveria ser obrigada a escolher entre garantir a proteção dos menores e evitar o colapso de seus serviços públicos. Para conseguir ambas as coisas, seu departamento aposta em distribuir temporariamente a atenção enquanto se resolvem os expedientes.

A ministra defendeu ainda que "o ódio não resolve a emergência" e rejeitou que a infância migrante seja criminalizada como consequência da crise fronteiriça.

Ceuta recebe 25 milhões extraordinários para atender aos menores

A comparecência chega depois que a Conferência Setorial de Infância e Adolescência aprovou uma transferência extraordinária de 25 milhões de euros para Ceuta destinada a reforçar a atenção dos menores migrantes não acompanhados.

O crédito permitirá financiar despesas de alojamento, alimentação, vestuário, atendimento médico, apoio jurídico, acompanhamento socioeducativo, tradução e ampliação de vagas, entre outras necessidades derivadas da situação extraordinária que atravessa a cidade.

A ajuda econômica se combina com as propostas de traslado para a Península e com a tramitação individualizada dos processos. Com 1.478 menores ainda dentro do sistema de proteção ceutiano, o Governo mantém que a prioridade imediata deve ser garantir seus direitos enquanto se determina em cada caso se procede uma reunificação familiar, um retorno ou a continuidade de sua proteção na Espanha.