Um sargento do Exército de Terra ficou ferido e quatro pessoas foram detidas após um novo ataque com pedras contra militares desdobrados em Ceuta durante a madrugada deste sábado, 29 de agosto.
Os fatos ocorreram na zona do Foso Real, quando efetivos do Grupo de Regulares que realizavam labores de patrulha foram apedrejados. A Associação de Tropa e Marinharia Espanhola (ATME) descreveu o ocorrido como uma nova "emboscada" contra os efetivos desdobrados na cidade autônoma.
A Chefatura Superior de Polícia de Ceuta confirmou que quatro cidadãos marroquinos em situação irregular foram detidos acusados de participar no ataque. Os suspeitos foram interceptados após uma perseguição que terminou nas imediações da praia do Chorrilho.
Segundo ataque contra militares em apenas 48 horas
A nova agressão ocorre apenas dois dias depois de outro episódio registrado durante a madrugada de quinta-feira, quando quatro militares ficaram feridos depois que um grupo lançou pedras contra uma patrulha na zona de Benzú.
Por aquele ataque foram detidos doze migrantes. Onze deles reconheceram posteriormente sua participação e foram expulsos para Marrocos, com uma proibição de entrada na Espanha durante cinco anos, enquanto o duodécimo ficou em prisão provisória após negar sua implicação.
A sucessão de incidentes elevou a preocupação entre as associações profissionais de militares. A ATME sustenta que os efetivos desdobrados estão suportando "agressões físicas, insultos e um desgaste psicológico" enquanto realizam as patrulhas de vigilância ativadas após a crise migratória iniciada com as entradas massivas dos dias 30 e 31 de julho.
Os militares reclamam mais meios de proteção
A associação denuncia ainda que parte dos militares que patrulham a cidade o fazem sem armamento nem determinados elementos de proteção, uma situação que, segundo sustenta, limita sua capacidade de resposta diante de agressões.
"Estamos atados de pés e mãos", lamentam fontes militares citadas por El Español, que reclamam dispor de meios como coletes, capacetes ou defensas e pedem ao Ministério da Defesa um marco jurídico mais claro que determine que capacidade de atuação têm quando se encontram diante de incidentes de ordem pública.
ATME também solicitou apoio psicológico para os efetivos e adverte sobre o desgaste acumulado após várias semanas de despliegue. A organização assegura que alguns militares se encontram "no limite mental e físico" após as contínuas jornadas de vigilância e os últimos episódios violentos.
Que capacidade têm os militares para intervir
Uma das principais reivindicações apresentadas pelas associações militares refere-se ao seu encaixe jurídico durante este tipo de operações. Os efetivos permanecem desdobrados principalmente em tarefas de vigilância e apoio à Polícia Nacional e à Guarda Civil, mas não atuam de maneira geral como forças policiais.
A Lei 39/2007 da carreira militar contempla que determinados membros das Forças Armadas podem ter consideração de agentes da autoridade quando desempenham funções de polícia militar ou participam nas operações previstas na legislação de Defesa Nacional. As associações reclamam que o Governo concretize as condições de atuação no dispositivo de Ceuta para permitir uma resposta proporcionada diante de possíveis agressões.
Cresce a tensão pela segurança em Ceuta
O ataque deste sábado ocorre em um momento de especial tensão na cidade autônoma, onde as forças de segurança mantêm amplos dispositivos após a chegada de milhares de migrantes desde Marrocos no final de julho.
Durante os últimos dias, ocorreram confrontos, manifestações e distintos incidentes entre migrantes, vizinhos e membros dos corpos de segurança. O Exército continua realizando patrulhas enquanto a Polícia Nacional e a Guarda Civil mantêm reforços desdobrados em distintos pontos de Ceuta.
O sargento ferido no ataque desta madrugada apresenta, segundo as primeiras informações, lesões de caráter leve. Os quatro detidos permanecem sob custódia policial à espera de que se determinem as responsabilidades derivadas da agressão.