Há anos, a Espanha vive uma lenta, mas constante recessão populacional. Cada vez mais, nascem menos crianças e morre mais gente. É evidente o desequilíbrio na estrutura populacional da Espanha, pois paulatinamente a pirâmide populacional vai se invertendo. E, enquanto isso, o Governo não promove soluções eficientes.
Esta segunda-feira, DEMÓCRATA revisou os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) para construir uma narrativa sobre a realidade social da Espanha. A data mais remota da qual se dispõem dados é 1975, quando a administração pública começou a se modernizar. Todos os dados estão atualizados até 2024.
Taxa de natalidade: a mais baixa desde que há registros
A taxa de natalidade é o indicador que permite entender quantos nascimentos há por cada 1.000 habitantes em um ano determinado. Calcula-se utilizando dois indicadores: quantidade populacional dividido pelo número de nascimentos e multiplicado por 1.000.
Segundo dados do INE, em 1975 a taxa de natalidade era de 18,7 nascimentos por cada 1.000 habitantes. Como é comumente sabido, a evolução dos nascimentos na Espanha vem em descenso há muito tempo, agravada, além disso, pelas distintas crises econômicas que ocorreram ao longo da história.
Se continuar observando o histórico de nascimentos, destaca-se que a partir de 2002 a taxa de natalidade se revitaliza até 2008, ano a partir do qual alcança os 11,28 nascimentos por cada 1.000 habitantes e, a partir de então, volta a decrescer.
Desde então, tudo isso tem conduzido paulatinamente, mas progressivamente a uma taxa de natalidade de 6,49 nascimentos por cada 1.000 habitantes. É praticamente uma cifra irrisória.
Taxa de fecundidade: das mais baixas em anos
A taxa de fecundidade mede o número médio de filhos por mulher. Calcula-se através de dois indicadores: número de nascimentos dividido pelo número de mulheres em idade fértil e multiplicado por 1.000.
Segundo o INE, em 1975 a taxa de fecundidade era de 2,77 filhos por mulher, um número razoável segundo estipulam especialistas, pois supera o número de reposição, 2,1. Este número, 2,1, é o número de filhos necessários que deve haver por mulher para garantir a reposição da população e que não decresça.
No entanto, a população decresce e isso se reflete também na taxa de fecundidade, pois lenta, mas progressivamente, esta decresceu até 1,16 filhos por mulher em 1999, ano a partir do qual subiu brevemente.
Uma vez chegado 2008, a taxa de fecundidade começou a decair até a atualidade, 1,1 filhos por mulher. É uma cifra muito baixa.
O saldo migratório: um dos mais altos desde que há registros
O saldo migratório é, para alguns países europeus, a cereja do bolo. Graças à inmigração, muitos países europeus conseguem manter sua economia moderna enquanto os nativos mais jovens, por exemplo, nem estudam nem trabalham.
Em qualquer caso, o saldo migratório é o indicador que permite conhecer o número definitivo de migrantes que um país tem. Calcula-se subtraindo o número de imigrantes do número de emigrantes dividido pela quantidade populacional, em um ano determinado. O resultado pode refletir que um país tenha um saldo migratório negativo, ou seja: que saem mais migrantes do que entram; ou saldo migratório positivo, ou seja: que entram mais do que saem.
No caso da Espanha, os dados registrados datam a partir de 2008. Segundo o INE, naquele ano o saldo migratório era de 310.642 imigrantes, o que significava que a Espanha recebia mais migrantes do que remetia.
O panorama, tão rápido quanto brevemente, mudou, chegando a um saldo negativo máximo em 2013, com 251.531 emigrantes. À medida que a Espanha saía da crise econômica, voltava a receber imigrantes.
Desde então e até a atualidade, a Espanha conta com um saldo migratório positivo, com 626.268 imigrantes.
A realidade social da Espanha
Os dados refletem diversas conclusões:
- O continente Europeu já não é o que era. À medida que o tempo passa, o velho continente envelhece cada vez mais, por isso manter sua estrutura econômica com a estrutura populacional presente se torna cada vez mais complexo. Esses países se caracterizam por ter estruturas sociais com alta taxa de mortalidade e baixa taxa de natalidade. É por isso que se pode entender que cada vez mais, os governos europeus decidam adiar a idade de aposentadoria. Não há receitas.
- O saldo migratório positivo é paliativo. E é que, embora a Europa receba numerosas quantidades de imigrantes a cada ano, a verdade é que é um recurso paliativo em termos econômicos. A migração não resolve os problemas estruturais que existem no país de destino, porque, posteriormente, os filhos dos imigrantes nascidos na Europa acabam adotando os costumes europeus. Isso significa: baixa natalidade.
À luz dos resultados, a Europa deve fazer um exercício de reflexão e remodelar sua postura. Já não apenas em termos econômicos, mas também em termos de direitos humanos e sociais. Muitos dos imigrantes procedem de países em conflito, do Saara Ocidental, como os recém-chegados a Ceuta em 2026.